Dono do Chelsea impulsiona acordo para comprar Santos e expandir rede multiclubesPor Beatriz
5 min de leitura
![]() |
O grupo BlueCo, comandado pelo bilionário norte-americano Todd Boehly, proprietário do Chelsea, mantém discussões em estágio avançado para adquirir o Santos, clube paulista com tradição centenária no futebol brasileiro. A operação, avaliada em cerca de R$ 2,2 bilhões de acordo com estimativas da XP Investimentos, surge como solução para as dívidas acumuladas pelo Peixe, que ultrapassam R$ 1 bilhão, e alinha-se à estratégia de expansão multiclubes do consórcio. O interesse ganhou força nas últimas semanas, com reuniões que priorizam controle acionário integral, diferentemente de abordagens iniciais mais parciais.
A diretoria santista avalia internamente a conversão em Sociedade Anônima do Futebol (SAF), mecanismo legal que facilita a entrada de investidores estrangeiros e profissionaliza a administração. Boehly, com fortuna estimada em R$ 32 bilhões, vê no Santos uma plataforma ideal para captar promessas sul-americanas, integrando-as ao ecossistema que já abrange o Strasbourg, na França.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
- Valor de mercado do Santos: R$ 2,2 bilhões (fonte: XP Investimentos).
- Dívida ativa: aproximadamente R$ 1 bilhão.
- Investimento inicial no Strasbourg: R$ 462 milhões, em 2023.
Histórico de contatos entre BlueCo e Santos
Desde 2022, o interesse de Boehly pelo futebol brasileiro se intensifica, com sondagens iniciais ao Santos rejeitadas na época para preservar a estrutura tradicional do clube. Aquisição de jovens como Ângelo Gabriel e Deivid Washington pelo Chelsea, em transações que somaram mais de R$ 185 milhões, pavimentaram laços comerciais sólidos. Essas movimentações demonstram como o grupo prioriza parcerias que facilitam o fluxo de talentos, reduzindo custos em negociações futuras.
Reuniões recentes, incluindo encontros nos Estados Unidos em julho, envolveram o presidente santista Marcelo Teixeira e executivos da BlueCo, como Behdad Eghbali. As discussões evoluíram para foco em equity minoritária inicial, entre 30% e 49%, como forma de equilibrar injeção financeira e preservação cultural, mas o objetivo final permanece o controle total.

Estratégia multiclubes impulsiona expansão global
Boehly adquiriu o Chelsea em 2022 por R$ 29,75 bilhões, recorde histórico no esporte, e rapidamente adotou o modelo multiclubes para otimizar desenvolvimento de atletas. O Strasbourg serve como hub europeu, recebendo empréstimos de jovens do Chelsea, como o brasileiro Andrey Santos, que se destacou na Ligue 1. A entrada no mercado sul-americano com o Santos ampliaria essa rede, permitindo captação precoce de talentos em ligas competitivas e integração gradual aos times principais.
O consórcio também detém participações minoritárias no Estrela Vermelha, da Sérvia, e no Molenbeek, da Bélgica, totalizando um portfólio diversificado. Essa abordagem visa sustentabilidade financeira, com ênfase em exportação de jogadores formados em bases fortes, como a do Santos, responsável por ídolos como Pelé e Neymar.
Discussões internas no Peixe
A presidência de Marcelo Teixeira, válida até 2028, adota postura reservada quanto à SAF, declarando-a não prioritária, mas o conselho deliberativo já promoveu sessões para analisar impactos fiscais. Especialistas modelam cenários que utilizam os R$ 2,2 bilhões para quitar passivos e investir em infraestrutura, garantindo estabilidade operacional. A torcida expressa reservas sobre influências estrangeiras, priorizando manutenção da identidade alvinegra.
Fontes próximas indicam que ajustes contratuais e votação no conselho serão decisivos para fechamento, com viagem de executivos da BlueCo ao Brasil prevista para a próxima semana. Essa etapa pode definir cláusulas de governança compartilhada.
Outros investidores, como fundos do Oriente Médio, foram especulados, mas nenhuma alternativa avançou além de sondagens iniciais. A BlueCo se destaca pela consistência em negociações, alinhada a aquisições recentes como Estêvão Willian, do Palmeiras.
Situação atual no Brasileirão
O Santos ocupa a 16ª posição no Campeonato Brasileiro, com risco de rebaixamento à Série B, o que agravaria a crise financeira. O próximo compromisso contra o Palmeiras, rival histórico, ocorre em rodada crucial, testando o elenco sob pressão externa. A instabilidade em campo reforça a urgência por resoluções administrativas, como a potencial parceria com a BlueCo.
Enquanto as tratativas prosseguem, o foco permanece na performance competitiva, com reforços pontuais via empréstimos do Chelsea em discussão para o fechamento da temporada.
Perfil de Boehly no esporte
Todd Boehly, investidor de Hollywood e cofundador da Clearlake Capital, expandiu sua presença no esporte ao liderar o consórcio BlueCo. Sua gestão no Chelsea enfatiza contratações de jovens promessas, com investimentos superiores a R$ 5 bilhões em transferências desde 2022. A visão global prioriza redes interconectadas, onde clubes periféricos alimentam o principal, promovendo eficiência operacional e redução de riscos em contratações.
Boehly já expressou em entrevistas o desejo de criar caminhos para atletas, de ligas emergentes à elite europeia, estratégia que o Santos complementaria perfeitamente. Essa operação, se aprovada, marcaria a maior transação do futebol brasileiro em 2025, redefinindo padrões de governança em clubes tradicionais.















