Contador detalha na CPMI da Previdência divergências técnicas nos cálculos e defende auditoria externaPor Luís Henrique Costa
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Um depoimento técnico marcou os trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Previdência Social nesta semana, em Brasília. O presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Elias Sirlon, apresentou aos parlamentares uma série de esclarecimentos sobre as metodologias utilizadas para calcular os resultados financeiros do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), destacando a necessidade de maior rigor e transparência nos dados apresentados publicamente.
A participação do especialista foi solicitada pelo colegiado para aprofundar o entendimento sobre as complexidades das contas previdenciárias. O objetivo da oitiva era obter uma perspectiva técnica e imparcial sobre os números que frequentemente polarizam o debate político, focando em conceitos contábeis que podem influenciar a percepção sobre a saúde financeira do sistema.
Durante sua fala, o contador enfatizou a diferença entre o resultado orçamentário, frequentemente divulgado pelo governo, e o resultado financeiro real, que segue normas contábeis mais rígidas. A explanação buscou desmistificar a ideia de um “déficit” ou “superávit” único, explicando que diferentes metodologias podem levar a conclusões distintas sobre a sustentabilidade do regime previdenciário.
Metodologia de cálculo do déficit em debate
A principal controvérsia abordada pelo especialista reside na forma como as receitas e despesas da seguridade social são apuradas e apresentadas. Ele explicou que a contabilidade pública possui regras específicas que nem sempre refletem a real situação patrimonial de uma entidade a longo prazo, como é o caso do INSS. Segundo Sirlon, a análise focada apenas no fluxo de caixa anual pode mascarar tendências e compromissos futuros que são cruciais para uma avaliação completa. A discussão aprofundou-se em critérios técnicos, como o reconhecimento de ativos e passivos atuariais, que consideram as obrigações do sistema com os futuros aposentados e pensionistas. Para o contador, a ausência de uma padronização clara e de uma divulgação mais detalhada desses componentes dificulta o controle social e a fiscalização por parte dos órgãos competentes e do próprio Congresso Nacional.
A importância da transparência e auditoria
Um dos pontos centrais da apresentação foi a defesa da realização de auditorias independentes e periódicas nas contas do INSS.
Para o presidente do CFC, essa medida aumentaria a credibilidade dos números e forneceria uma base mais sólida para a formulação de políticas públicas.
Ele argumentou que a fiscalização externa, conduzida por firmas especializadas, poderia identificar inconsistências e sugerir melhorias nos processos de gestão contábil.
A sugestão foi recebida com interesse por membros da comissão, que veem na proposta uma ferramenta para garantir maior isenção na análise dos dados.
Papel do conselho federal de contabilidade
A presença do CFC na CPMI reforça o caráter técnico que a comissão busca imprimir em suas investigações. A entidade atua como órgão regulador e fiscalizador da profissão contábil no país.
Seu posicionamento é visto como fundamental para validar ou questionar as práticas contábeis adotadas na gestão dos recursos da Previdência.
Próximos passos da comissão de inquérito
Após o depoimento, a relatoria da CPMI deve incorporar as informações técnicas ao seu parecer final. A expectativa é que os esclarecimentos ajudem a fundamentar as conclusões sobre a real situação financeira do INSS.
Novas oitivas com outros especialistas e gestores públicos estão previstas para as próximas semanas, a fim de cruzar informações e aprofundar a apuração.
Implicações para a análise das contas públicas
As distinções técnicas apresentadas têm potencial para alterar a forma como o debate sobre a reforma previdenciária é conduzido.
A compreensão de que existem diferentes métricas para avaliar a saúde do sistema pode levar a discussões mais qualificadas.
Isso afeta diretamente a percepção pública e as decisões tomadas pelos legisladores sobre o futuro da seguridade social.
O debate sobre as fontes de custeio
O contador também abordou brevemente a importância de analisar todas as fontes de receita da seguridade social, conforme previsto na Constituição, e não apenas as contribuições diretas sobre a folha de pagamento.
Repercussão entre os parlamentares
O depoimento gerou reações distintas entre os membros da base governista e da oposição. Parlamentares alinhados ao governo defenderam a metodologia atual, afirmando que ela segue as normas do Tesouro Nacional e é transparente.
Já os oposicionistas usaram os argumentos do especialista para reforçar a tese de que os números do déficit podem ser apresentados de forma a justificar reformas mais duras, e defenderam a auditoria como um caminho para a verdade dos fatos.







