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O Telescópio Espacial Hubble forneceu as evidências visuais mais nítidas até o momento sobre a completa desintegração do cometa C/2019 Y4 (ATLAS) enquanto ele se aproximava do Sol. As observações, realizadas em abril de 2020, capturaram o momento em que o núcleo gelado do objeto se partiu em múltiplos fragmentos, um evento que frustrou as expectativas de astrônomos amadores e profissionais que esperavam um espetáculo celeste visível a olho nu. O cometa, descoberto em dezembro de 2019 pelo sistema de levantamento ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System), aumentou seu brilho rapidamente, sugerindo que poderia se tornar um dos mais brilhantes das últimas décadas, mas seu comportamento mudou abruptamente, indicando uma falha estrutural.

As imagens de alta resolução do Hubble foram cruciais para entender a dinâmica do colapso. Antes dessas capturas, as evidências da desintegração eram indiretas, baseadas principalmente na diminuição súbita do brilho e no formato alongado do coma do cometa, a nuvem de gás e poeira ao redor do núcleo.

A análise detalhada das capturas permitiu aos cientistas identificar peças de diferentes tamanhos e comportamentos, fornecendo dados essenciais sobre a composição e a fragilidade desses corpos celestes. Entre os principais pontos observados estão:
* A identificação de até 30 fragmentos distintos.
* A separação dos destroços em grupos com trajetórias diferentes.
* A variação de brilho individual de cada fragmento ao longo do tempo.

A observação em detalhes

As imagens foram obtidas em dois momentos distintos, nos dias 20 e 23 de abril de 2020. No primeiro dia, os registros mostraram cerca de 30 pedaços. Três dias depois, o cenário era ainda mais disperso, com aproximadamente 25 fragmentos remanescentes, indicando que algumas das peças menores podem ter se vaporizado completamente devido à radiação solar.

Os fragmentos observados não estavam agrupados de forma coesa, mas sim envolvidos por uma cauda de poeira e gás iluminada pelo Sol, semelhante a um “comboio” de mini cometas. Essa estrutura visual confirmou que a desintegração não foi um evento único e explosivo, mas um processo contínuo que ocorreu ao longo de vários dias, possivelmente iniciado semanas antes das observações do telescópio espacial.

O processo de fragmentação

A causa exata da fratura do cometa ATLAS ainda é objeto de estudo.

A hipótese mais provável é que o núcleo original, composto por gelo e rocha, não resistiu ao intenso calor do Sol à medida que se aproximava de sua órbita.

Esse aquecimento pode ter causado a sublimação de gelos voláteis, criando jatos de gás que exerceram força sobre a estrutura, agindo como pequenas turbinas que fizeram o núcleo girar cada vez mais rápido.

Eventualmente, a força centrífuga superou a fraca gravidade do cometa, levando à sua ruptura.

Análise dos destroços

A equipe de astrônomos responsável pela análise dos dados destacou que o comportamento do ATLAS é um exemplo claro de como cometas podem ser corpos extremamente frágeis. A observação direta desse fenômeno oferece uma rara oportunidade de estudar a composição interna de um cometa, algo que geralmente é impossível quando o núcleo está intacto e obscurecido pelo coma. Os tamanhos dos fragmentos foram estimados em dezenas de metros, comparáveis às dimensões de uma casa.

O que são cometas

Cometas são remanescentes da formação do sistema solar, há cerca de 4,6 bilhões de anos, compostos principalmente por gelo, poeira e rocha. Eles são frequentemente descritos como “bolas de neve sujas” que orbitam o Sol em trajetórias elípticas. Quando se aproximam da estrela, o calor faz com que seus gelos sublimem, liberando gás e poeira que formam a atmosfera brilhante (coma) e as caudas características. Estudar sua composição ajuda os cientistas a entender as condições primordiais do nosso sistema planetário. Eventos de desintegração como o do ATLAS, embora frustrantes para observadores, são laboratórios naturais para investigar a coesão e a estrutura desses antigos viajantes espaciais.

Trajetória final dos fragmentos

Após a ruptura, os destroços do cometa ATLAS continuaram em uma trajetória similar à do corpo original.

No entanto, por serem muito menores e mais suscetíveis à pressão da radiação solar, eles se dispersaram rapidamente e perderam brilho, tornando-se invisíveis para a maioria dos telescópios terrestres pouco tempo depois.

O legado da observação

O estudo detalhado da morte do cometa ATLAS contribui para o crescente corpo de conhecimento sobre a dinâmica e a evolução desses objetos celestes.

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