China lança missão histórica Chang’e-6 para coletar amostras inéditas do lado oculto da Lua

5 min de leitura
mixvaleone Foto: mixvaleone

O programa espacial chinês alcançou um novo marco com o lançamento bem-sucedido da sonda Chang’e-6. A decolagem ocorreu a partir do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, na ilha de Hainan, impulsionada pelo foguete Long March 5, um dos mais potentes da frota do país. Este evento marca o início de uma das missões mais ambiciosas da exploração lunar moderna.

O objetivo principal da Chang’e-6 é realizar um feito inédito na história da exploração espacial: pousar no lado oculto da Lua, coletar amostras de solo e rochas, e trazê-las de volta para análise na Terra. A complexa operação está programada para durar aproximadamente 53 dias, envolvendo manobras de alta precisão e comunicação indireta com o centro de controle.

Esta missão representa um passo significativo para a ciência planetária, pois as amostras do lado oculto podem fornecer informações cruciais sobre a formação e evolução da Lua e do próprio Sistema Solar. A região de pouso planejada, a Bacia do Polo Sul-Aitken, é uma das maiores e mais antigas crateras de impacto conhecidas, tornando-a um alvo de extremo interesse científico.

Detalhes do lançamento e da espaçonave

O foguete Long March 5 decolou conforme o planejado, colocando a sonda Chang’e-6 em sua trajetória translunar. A espaçonave, com cerca de 8,2 toneladas, é um complexo sistema composto por quatro módulos principais que trabalharão em conjunto.

Os componentes incluem um orbitador, responsável por permanecer na órbita lunar; um pousador, que descerá à superfície; um módulo de ascensão, que decolará da Lua com as amostras; e um módulo de retorno, que trará o material coletado de volta à Terra.

Para a coleta, o pousador está equipado com uma broca capaz de perfurar a superfície e um braço robótico para recolher material do solo. A meta é obter cerca de dois quilos de regolito lunar para estudo científico.

A separação da sonda e do foguete ocorreu com sucesso minutos após o lançamento, confirmando que todos os sistemas operavam normalmente e que a missão prosseguia para as próximas fases críticas da viagem.

Objetivos científicos da missão lunar

A principal motivação por trás da missão Chang’e-6 é desvendar os mistérios da Bacia do Polo Sul-Aitken. As amostras coletadas nesta região podem conter material do manto lunar, exposto pelo impacto colossal que formou a cratera há bilhões de anos. A análise desses materiais na Terra permitirá aos cientistas estudar a composição interna da Lua de uma forma sem precedentes, oferecendo pistas sobre a diferenciação planetária e a história térmica do nosso satélite natural. Além disso, a missão busca entender melhor as diferenças geológicas entre o lado visível e o lado oculto da Lua, uma assimetria que intriga os pesquisadores há décadas. Os instrumentos a bordo também realizarão análises do terreno e da composição mineralógica no local de pouso, complementando os dados que serão obtidos com o retorno das amostras.

A complexa operação no lado oculto

Operar no lado oculto da Lua apresenta desafios técnicos significativos, principalmente relacionados à comunicação. Como essa face lunar nunca está voltada para a Terra, a comunicação direta é impossível. Para contornar esse obstáculo, a China posicionou previamente o satélite de retransmissão Queqiao-2 em uma órbita lunar específica, que serve como uma ponte de comunicação entre a sonda na superfície e os centros de controle terrestre.

Todo o processo de pouso, coleta de amostras e decolagem da superfície lunar será amplamente automatizado, devido ao atraso no sinal de comunicação, mesmo com o satélite de retransmissão. Os sistemas da sonda foram projetados para tomar decisões autônomas, identificar um local seguro para o pouso e executar as tarefas de perfuração e coleta com mínima intervenção humana, o que eleva a complexidade e o risco da operação.

Cooperação internacional a bordo

A missão Chang’e-6 também se destaca pela inclusão de cargas úteis e instrumentos científicos de outros países, evidenciando uma crescente colaboração internacional no programa espacial chinês.

A bordo da sonda estão equipamentos desenvolvidos por agências espaciais e instituições da França, Itália, Suécia com apoio da Agência Espacial Europeia (ESA) e Paquistão.

Esses instrumentos realizarão diversos experimentos, como a detecção de íons negativos na superfície lunar e a medição de gás radônio, contribuindo para uma compreensão mais ampla do ambiente lunar.

Próximos passos da Chang’e-6

Após a inserção na órbita lunar, a sonda passará por um período de preparação antes de iniciar a arriscada manobra de pouso. As equipes em solo analisarão os dados para selecionar o local exato de alunissagem.

Uma vez na superfície, o pousador terá cerca de 48 horas para completar a coleta de amostras antes que o módulo de ascensão seja lançado de volta à órbita para se acoplar com o orbitador.

O programa lunar chinês

A Chang’e-6 faz parte de um programa de exploração lunar estruturado em fases. A missão sucede a Chang’e-5, que em 2020 trouxe com sucesso amostras do lado visível da Lua.

Os planos futuros incluem as missões Chang’e-7 e Chang’e-8, que visam explorar o polo sul lunar em preparação para a construção de uma base de pesquisa internacional na região.

A importância da bacia Aitken

A Bacia do Polo Sul-Aitken é considerada um dos locais mais importantes para a ciência lunar, e a análise de suas rochas é uma prioridade para a comunidade científica global há muito tempo.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

Notícias relacionadas