Glauber Braga (PSOL) se recusa a deixar mesa da Câmara dos Deputados enquanto plenário é esvaziado
Glauber Braga, deputado federal pelo PSOL-RJ, ocupou a mesa diretora da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (9), em Brasília, e se recusou a deixar o local. A ação ocorreu durante a fase de Pequeno Expediente da sessão plenária, quando deputados fazem pronunciamentos de até cinco minutos.
Policiais legislativos esvaziaram o plenário, retirando deputados e imprensa. A TV Câmara interrompeu a transmissão ao vivo do local.
O protesto de Braga visa impedir a votação de sua cassação, marcada para esta quarta-feira (10).
- O parlamentar foi acusado de quebra de decoro após expulsar, com empurrões e chutes, um manifestante do Movimento Brasil Livre em abril de 2024.
- O incidente envolveu Gabriel Costenaro, que participava de ato sobre motoristas de aplicativo.
- Braga alega que reagiu a provocações direcionadas a ele e à sua família.
Motivos do protesto
Glauber Braga declarou que permanecerá na mesa até o limite de suas forças. Ele criticou a pauta da sessão, que inclui projeto para reduzir penas de condenados por tentativa de golpe de Estado.
O deputado afirmou que a cassação representa retaliação por suas denúncias contra irregularidades no Congresso. Aliados do PSOL acompanharam a ocupação no plenário.
A ação interrompeu os trabalhos regulares da Casa.
Processo de cassação
O Conselho de Ética aprovou a cassação de Glauber Braga por 13 votos a 5. A Comissão de Constituição e Justiça rejeitou recurso da defesa.
Para perder o mandato, são necessários 257 votos favoráveis no plenário. O processo tramita desde o ano passado e avançou após conclusão no Conselho de Ética.
Outros deputados enfrentam análises semelhantes nesta semana, como Carla Zambelli e Alexandre Ramagem.
Contexto da sessão
A sessão desta terça prioriza o Pequeno Expediente, sem votações de projetos. Deputados usam o espaço para discursos livres.
No mesmo dia, a Câmara discute proposta que unifica crimes contra o Estado Democrático de Direito. O texto pode reduzir penas para condenados, incluindo Jair Bolsonaro, sentenciado a 27 anos e três meses.
O relator sugere aplicação de consunção entre crimes de golpe e abolição violenta do Estado.
Reações no plenário
Deputados questionaram a estratégia de Glauber Braga durante a ocupação. A deputada Sâmia Bomfim, do PSOL-RJ, defendeu o marido.
Policiais legislativos atuaram para restabelecer a ordem. O presidente Hugo Motta anunciou a pauta de cassações após reunião de líderes.
A sessão prosseguiu após esvaziamento do plenário.
Histórico de confrontos
Glauber Braga envolveu-se em episódio similar com Kim Kataguiri em 2023. Ele nega agressões sistemáticas e destaca reações a provocações.
O deputado lidera denúncias sobre orçamento secreto na Câmara. Aliados veem o processo como perseguição política.
O PSOL mobiliza apoio contra a cassação em redes sociais.
Próximos passos na Casa
A votação da cassação de Glauber Braga ocorre em sessão marcada para quarta-feira. O plenário decide soberanamente sobre o mandato.
Caso aprovado, o deputado fica inelegível por oito anos após o fim do mandato. Braga planeja recorrer judicialmente se necessário.
A Câmara acelera análises de processos disciplinares ao fim do ano legislativo.
Medidas de segurança adotadas
Policiais legislativos isolaram o plenário em minutos após a ocupação. A TV Câmara suspendeu a transmissão para evitar exposição do impasse.
Deputados foram orientados a deixar o local. A presidência da Casa coordenou a retirada sem incidentes maiores.
O acesso ao plenário permaneceu restrito durante o protesto.

