Projeto de lei busca endurecer penas para crimes com drones e regulariza uso em áreas públicasPor Luís Pereira
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Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados propõe um significativo endurecimento das penas para crimes envolvendo veículos aéreos não tripulados, popularmente conhecidos como drones ou Vants. A medida visa recalibrar a legislação penal brasileira diante do crescente uso e do potencial de dano coletivo que essa tecnologia apresenta, garantindo maior proteção à vida e à integridade física da população.
A proposta, que altera o Código Penal, estabelece punições mais severas para casos de lesão corporal, tipifica a operação inadequada sobre aglomerações e equipara o uso de drones em homicídios e atividades criminosas com armamento restrito. O objetivo é ajustar a resposta legal aos riscos reais associados à manipulação desses equipamentos, sem comprometer seu uso responsável e regulamentado.
Novas sanções para lesões e operação irregular
A legislação em debate busca aumentar a punição para o crime de lesão corporal quando causado por drones. Atualmente, a pena para esse tipo de delito pode variar de três meses a um ano de detenção. Com a alteração proposta, essa sanção poderá ser acrescida de um terço até a metade, refletindo a gravidade e o potencial de risco inerente ao uso desses aparelhos em situações que resultam em ferimentos.
Além disso, o texto introduz uma nova tipificação criminal para a operação de drones em desacordo com as normas de segurança aérea. Será considerado crime o uso desses equipamentos sobre pessoas, aglomerações ou eventos abertos ao público sem a devida conformidade com as regras estabelecidas. A pena prevista para essa infração é de seis meses a dois anos de detenção e multa, com a agravante de ser aplicada em dobro caso o operador não possua a habilitação ou o registro necessários para o manuseio do equipamento, sublinhando a importância da profissionalização e da responsabilidade no controle de Vants.
Homicídio e equipamentos modificados: equiparação a crimes graves
A proposta legislativa avança na criminalização do uso de drones em cenários mais graves, equiparando-o a delitos de alta periculosidade. Nos casos em que a utilização de um drone ou Vant resulte na morte de uma pessoa, a pena aplicada será a de homicídio, que varia de seis a vinte anos de reclusão, acrescida de um terço. Essa previsão busca reconhecer a letalidade que esses equipamentos podem adquirir quando empregados com intenção criminosa, alinhando a punição à gravidade do resultado.
Um dos pontos mais relevantes do projeto é a equiparação de drones armados ou modificados a armas de fogo de uso restrito ou proibido. A lei em gestação prevê que equipamentos adaptados para disparar projéteis, lançar explosivos ou liberar agentes químicos e biológicos serão tratados com a mesma severidade. A pena para quem fabricar, vender, importar, exportar, ou guardar tais equipamentos será de reclusão de oito a dezesseis anos e multa.
A proposta detalha as modificações que enquadram o drone nessa categoria de armamento perigoso:
- Adaptação para disparar projéteis de qualquer natureza.
- Modificação para lançamento de explosivos.
- Capacidade de dispersar agentes químicos.
- Habilidade de liberar agentes biológicos.
Ainda sobre os drones modificados, se o uso for praticado por organização criminosa ou com finalidade terrorista, a pena será aumentada pela metade, demonstrando a preocupação do legislador em coibir o emprego dessa tecnologia em atividades que representam uma ameaça sistêmica à segurança nacional e à ordem pública.
A justificativa por trás da proposta legislativa
O deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), autor da proposta, argumenta que a legislação atual é insuficiente para lidar com os riscos que os drones representam. Segundo ele, acidentes e lesões causados por esses equipamentos são frequentemente tratados como lesão corporal culposa simples, com penas brandas que não refletem o perigo coletivo inerente ao seu uso indevido. O parlamentar ressalta a necessidade de uma resposta penal mais robusta.
“O drone, embora de uso civil, possui potencial de dano coletivo incompatível com a brandura da resposta penal atual”, afirmou o deputado. A intenção é “calibrar a punição para equipará-la ao risco real envolvido, protegendo a vida e a integridade física das pessoas, sem inviabilizar o uso responsável e regulamentado da tecnologia”. Essa fala destaca o equilíbrio que o projeto busca entre a segurança pública e o avanço tecnológico, permitindo que os drones continuem a ser utilizados para fins legítimos, mas com maior rigor para abusos.
Tramitação e impacto da medida
O Projeto de Lei 2798/26 iniciou seu percurso legislativo e será agora submetido à análise de importantes comissões da Câmara dos Deputados. As comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, e de Constituição e Justiça e de Cidadania serão as primeiras a avaliar o texto, discutindo seus méritos, adequação legal e constitucionalidade.
Após a aprovação nessas instâncias, a proposta seguirá para a votação do Plenário da Câmara. Para que se torne lei, o texto precisará ser aprovado não apenas pelos deputados, mas também pelo Senado Federal. A eventual aprovação e sanção presidencial representariam um marco na legislação brasileira, estabelecendo um novo patamar de responsabilidade e punição para o uso de drones, impactando diretamente a segurança pública e a forma como a tecnologia é regulada no país.







