Zelensky reconhece inviabilidade de adesão ucraniana à Otan e propõe eleições com garantias de segurançaPor Luís Henrique Costa
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O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky declarou, em 9 de dezembro de 2025, que a adesão da Ucrânia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) não é viável no momento atual. A declaração ocorreu durante entrevista ao site Strana, em Kiev, onde ele enfatizou o realismo diante das resistências de aliados ocidentais e do veto russo. Essa posição surge em meio a negociações intensas com os Estados Unidos e Europa para encerrar o conflito iniciado em 2022.
Zelensky destacou a necessidade de ajustes na legislação eleitoral para permitir o voto de militares no front. Ele condicionou a realização de pleitos à garantia de segurança externa, especialmente contra ataques russos. O líder ucraniano planeja enviar, em 10 de dezembro, uma proposta revisada de paz aos EUA, elaborada após reuniões em Londres com representantes do Reino Unido, França e Alemanha.
A lei marcial, em vigor desde fevereiro de 2022, proíbe eleições e amplia poderes presidenciais, que expiraram em maio de 2024. Zelensky reiterou que o país não cede territórios ocupados, mas enfrenta limitações para retomar áreas como a Crimeia. Essas admissões refletem pressões de Donald Trump, que cobra eleições e critica o adiamento do pleito.

Resistências à adesão na Otan
Países como Estados Unidos e alguns membros europeus hesitam em incluir a Ucrânia na aliança devido ao risco de escalada com a Rússia. Zelensky afirmou que Moscou nunca aceitará a presença de Kiev na Otan, o que complica negociações de paz.
O presidente ucraniano descreveu a situação como justa, mas realista, com base em diálogos recentes. Ele mencionou que a falta de consenso entre aliados ocidentais impede avanços imediatos na adesão.
Especialistas apontam que a guerra em curso agrava essas barreiras, com mais de 1.384 dias de conflito registrados até 9 de dezembro de 2025.
Condições para eleições nacionais
Zelensky se posicionou como favorável a eleições em até 90 dias, desde que haja mudanças legais e proteção contra mísseis russos. Ele solicitou explicitamente ajuda dos EUA e Europa para viabilizar o voto seguro.
O mandato presidencial atual terminou em 2024, mas a lei marcial suspendeu o pleito para priorizar a defesa nacional. Parlamentares ucranianos já discutem emendas para incluir militares mobilizados no processo eleitoral.
Essa abertura responde a críticas de Trump, que acusou Zelensky de usar a guerra para evitar votações democráticas. O líder ucraniano negou intenções de perpetuar o poder e enfatizou a participação ampla de eleitores.
Autoridades em Kiev preveem que, com garantias, o país poderia organizar o evento em 60 dias. No entanto, ataques diários a cidades ucranianas, como drones e mísseis, complicam a logística.
A aprovação de Zelensky caiu para cerca de 20% em pesquisas recentes, influenciada por escândalos no setor energético. Rivais como Valery Zaluzhny, ex-comandante militar, aparecem com 19% em intenções de voto.
Plano de paz revisado para Washington
A proposta inicial de 28 pontos dos EUA foi reduzida a 20 itens após consultas em Londres. Zelensky explicou que o documento foca em estruturas para cessar-fogo, sem concessões territoriais.
Dois outros papéis complementam o plano: um sobre garantias de segurança bilateral com EUA e Europa, e outro para reconstrução pós-conflito. O presidente ucraniano destacou que a recuperação só avança com trégua efetiva.
Reuniões com líderes como Keir Starmer, Emmanuel Macron e Friedrich Merz ajustaram o texto para equilibrar demandas. Trump pressiona por resposta rápida, mas aliados europeus criticam o viés pró-Rússia na versão original.
O envio ocorre em 10 de dezembro, com expectativa de discussões sobre não vinculantes promessas de defesa. Zelensky reiterou que a Ucrânia busca aviões americanos no céu e tropas europeias no solo para proteção duradoura.
Limites militares e territoriais
A Ucrânia carece de forças e apoio para retomar a Crimeia, anexada em 2014, admitiu Zelensky. Essa limitação explica a relutância de aliados em aprovar a adesão à Otan, temendo confronto direto com Moscou.
- A península representa 27 mil quilômetros quadrados de território perdido.
- Mais de 500 mil soldados ucranianos estão mobilizados no front oriental.
- Ataques russos diários causam centenas de baixas civis desde 2022.
O presidente destacou que negociações priorizam a integridade territorial integral. No entanto, a incapacidade atual de reconquista influencia estratégias diplomáticas.
Diálogos internacionais recentes
Zelensky viajou a Roma em 9 de dezembro para encontro com o papa Leão XIV e a premiê Giorgia Meloni. A agenda incluiu críticas ao plano de paz americano e apelos por mais armas da Otan.
Em Londres, no dia anterior, líderes europeus expressaram irritação com a falta de progresso na usina de Zaporíjia. Macron e Starmer pressionaram por retirada russa, mas Zelensky notou decepções mútuas.
A Otan prometeu bilhões mensais em suporte armamentista, mas frustrou expectativas de adesão imediata. Esses diálogos reforçam a dependência ucraniana de coalizões ocidentais para negociações.
Visitas a capitais europeias visam unificar posições antes do envio a Washington. Zelensky planeja mais rodadas para refinar garantias de segurança.
Lei marcial e impactos civis
A lei marcial restringe direitos como liberdade de movimento e imprensa desde 2022. Ela permite medidas de defesa excepcionais, mas adia eleições para evitar vulnerabilidades durante combates.
Zelensky argumentou que o regime é essencial para coordenação militar eficiente. Críticos, incluindo Putin, questionam a legitimidade do governo sob essas regras.
Renovações mensais do estado de emergência mantêm o foco na guerra. Populações em áreas frontais enfrentam cortes de energia e aquecimento no inverno.
O fim da lei depende de cessar-fogo, o que Zelensky vincula a propostas de paz robustas. Parlamentares preparam projetos para eleições híbridas, combinando voto presencial e remoto.
Reações de aliados ocidentais
Trump classificou Zelensky como “ditador sem eleições” em fevereiro de 2025, intensificando debates sobre democracia ucraniana. O americano exige pleito em 100 dias pós-trégua.
Líderes europeus apoiam eleições, mas condicionam a segurança externa. A Itália forneceu armas, mas rejeita tropas no terreno, com autorização expirando em 31 de dezembro.
A aprovação de mais suporte da Otan ocorre em cúpulas mensais. Países como França e Alemanha revisam ativos russos congelados para empréstimos a Kiev.
Essas respostas variam: EUA focam em negociações rápidas, enquanto Europa busca equilíbrio entre paz e sanções.
Propostas de reconstrução pós-guerra
O terceiro documento discute recuperação econômica, estimada em trilhões de dólares. Zelensky enfatizou que obras só iniciam com cessar-fogo garantido.
- Infraestrutura danificada inclui 50% das usinas energéticas.
- Reconstrução prioriza regiões leste e sul afetadas.
- Parcerias com UE visam fundos de longo prazo.
Investimentos em energia renovável e defesa cibernética integram o plano. Zelensky busca compromissos vinculantes para evitar recaídas.







