Receita Federal detalha cálculo para nova redução do Imposto de Renda a partir de janeiro de 2026Por Bruna
5 min de leitura
![]() |
A Receita Federal do Brasil divulgou orientações oficiais cruciais para fontes pagadoras e contribuintes pessoas físicas, detalhando como deve ser realizado o cálculo da redução do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) que entra em vigor a partir de 1º de janeiro de 2026. A medida decorre das alterações estabelecidas pela Lei nº 15.270, sancionada em 26 de novembro de 2025, que visa beneficiar faixas de renda intermediárias e ampliar a isenção.
A nova legislação alterou dispositivos importantes das Leis nº 9.250/1995 e nº 9.249/1995, introduzindo uma redução significativa no imposto devido, tanto na base de cálculo mensal quanto na anual, e estabelecendo mecanismos de tributação mínima para indivíduos com alta renda. As mudanças têm impacto direto nos cálculos de retenção do imposto na fonte, na apuração do carnê-leão e no ajuste anual do IRPF.
De acordo com o comunicado da Receita Federal, os rendimentos tributáveis mensais de até R$ 7.350,00 serão atingidos pela redução do imposto. Faixas específicas dentro desse grupo terão isenção total ou uma desoneração parcial, conforme os critérios e a fórmula estabelecidos pela legislação recentemente promulgada.
Isenção mensal do IRPF é ampliada para R$ 5.000
A partir de janeiro de 2026, contribuintes com renda tributável mensal de até R$ 5.000,00 não terão mais a retenção do Imposto de Renda na fonte. Essa ampliação da faixa de alíquota zero é viabilizada por um mecanismo de redução do imposto mensal, que pode atingir um valor máximo de R$ 312,89, mas é limitado ao montante do imposto apurado pela tabela progressiva mensal.
A Receita Federal faz uma ressalva importante: a isenção mensal está estritamente ligada ao valor da renda no mês. Contribuintes que possuam mais de uma fonte pagadora devem estar atentos, pois a ausência de retenção na fonte mensal não exclui a possibilidade de imposto a pagar na Declaração de Ajuste Anual (DAA). Se um indivíduo, por exemplo, receber R$ 4.000,00 de duas fontes distintas, ele não terá retenção do IRPF em nenhum dos pagamentos mensais. No entanto, na DAA, poderá ser exigida a cobrança da diferença do imposto, a menos que haja a opção pelo recolhimento complementar antecipado.

Detalhes do cálculo para renda isenta
O órgão fiscal apresentou um exemplo claro de como a nova regra será aplicada no cálculo mensal para rendas abaixo do novo teto de isenção.
- Rendimento mensal: R$ 4.500,00
- Desconto simplificado (25% do valor máximo da faixa de alíquota zero): R$ 607,20
- Base de cálculo: R$ 3.892,80
O cálculo pela tabela progressiva mensal resultaria em R$ 200,39 de imposto (R$ 3.892,80 x 22,5% – parcela a deduzir de R$ 675,49). Ao aplicar o redutor, que pode chegar a R$ 312,89, o imposto devido é totalmente zerado, pois a redução não pode ultrapassar o valor do imposto apurado. A Receita Federal garantiu que essa mesma metodologia de redução será aplicada ao cálculo do IR incidente sobre o décimo terceiro salário.
Desoneração gradual para rendas intermediárias
Os contribuintes com renda mensal entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00 também se beneficiarão da nova lei, mas com uma redução parcial da carga tributária. O percentual de redução será decrescente, ou seja, diminuirá à medida que a renda se aproximar do limite superior dessa faixa.
De acordo com as diretrizes divulgadas pela Receita Federal, quanto menor for a renda dentro desse intervalo, maior será a redução do imposto. Em contrapartida, conforme o rendimento se aproxima de R$ 7.350,00, o valor do redutor diminui progressivamente, mantendo a tabela progressiva para as rendas mais altas inalterada.
Para ilustrar o impacto, a Receita detalhou o cálculo para uma renda mensal de R$ 6.000,00, onde o imposto apurado (R$ 574,29) tem a aplicação do redutor (R$ 179,75), resultando em um imposto devido de R$ 394,54. Essa redução se estende também ao imposto cobrado exclusivamente na fonte sobre o décimo terceiro salário, quando aplicável.
Novo limite anual e orientações para fontes pagadoras
No âmbito do cálculo anual, a nova lei estabelece que, a partir do ano-calendário de 2026, os contribuintes com renda tributável anual de até R$ 60.000,00 passam a não ser tributados. Assim como no cálculo mensal, o valor máximo da redução anual será limitado ao imposto apurado pela tabela progressiva anual, sem possibilidade de gerar crédito.
- Rendas anuais entre R$ 60.000,01 e R$ 88.200,00: Redução parcial do imposto, com o benefício diminuindo conforme a renda se aproxima do teto.
- Rendas anuais acima de R$ 88.200,00: Aplicação da tabela progressiva vigente sem a aplicação de redutores.
Para garantir a aplicação correta das novas regras, a Receita Federal publicou em seu site oficial orientações completas.
- Tabelas progressivas atualizadas para apuração mensal e anual.
- Exemplos práticos e detalhados de cálculo.
- Regras específicas para a retenção do IRPF na fonte.
As orientações visam sobretudo a redução de inconsistências, evitando recolhimentos errados e garantindo a correta aplicação da legislação a partir de janeiro de 2026. Empresas e fontes pagadoras são incentivadas a adequar seus sistemas de folha de pagamento e rotinas de retenção. Profissionais autônomos sujeitos ao carnê-leão também deverão revisar seus cálculos mensais para se adequar às novas regras.







