Europa despreparada para confronto com a Rússia em 2025, alertam especialistas de defesa

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Secretario da Otan Foto: Secretario da Otan - Foto: reprodução

Europa despreparada para confronto com a Rússia em 2025, alertam especialistas de defesa

Uma reunião recente de especialistas em defesa na sede do governo britânico revelou um cenário preocupante: o Reino Unido e seus aliados europeus não estão adequadamente preparados para um conflito potencial com a Rússia nos próximos anos. A avaliação, divulgada no contexto de discussões sobre a prontidão para uma guerra, aponta para uma vulnerabilidade significativa no continente.

Os participantes da conferência, organizada pelo Rusi (Royal United Services Institute), uma renomada organização de especialistas em Londres, não eram defensores de conflitos, mas sim figuras com profundo conhecimento em segurança. O grupo incluía membros e ex-membros das forças armadas, oficiais governamentais e da OTAN, pesquisadores e profissionais da indústria de defesa.

O consenso entre esses especialistas baseia-se em uma análise de inteligência amplamente aceita, indicando que a Rússia está ativamente se preparando para a possibilidade de um confronto direto com a Europa. A única forma de deter essa escalada, segundo eles, é garantir que a Europa tenha capacidade de vencer qualquer guerra que possa surgir.

Avaliação de especialistas e a ameaça iminente

A Europa enfrenta um momento crucial que exige não apenas mais investimentos em sua defesa, historicamente subfinanciada, mas também uma profunda mudança de mentalidade em todas as esferas. Especialistas em segurança alertam que a era em que o continente podia ignorar a ameaça de guerra chegou ao fim.

Os governos europeus precisam envolver seus cidadãos e ser transparentes sobre a seriedade da situação. Sam Greene, professor de política russa no King’s College London, observa que a sociedade demonstra disposição para esse diálogo, mas os governos ainda hesitam em se comunicar abertamente com a população.

A escalada da guerra híbrida russa

Existe um reconhecimento crescente de que a Rússia já está engajada em uma guerra híbrida contra o Ocidente. Esta estratégia inclui operações de sabotagem, a disseminação de caos e a propagação de desinformação em debates políticos internos, visando desestabilizar os países europeus.

Evidências substanciais corroboram essa avaliação, como incursões repetidas de aviões e drones russos no espaço aéreo da OTAN, além de interferências em sistemas de GPS nos países bálticos. Campanhas de desinformação e ataques de sabotagem contra infraestruturas críticas em diversas nações também foram rastreados até serviços secretos russos, embora Moscou negue consistentemente qualquer envolvimento.

Esses incidentes já alteraram a percepção de muitos europeus, mesmo que alguns políticos ainda relutem em categorizá-los abertamente como guerra híbrida. Greene aponta que o medo é real, especialmente à medida que esses ataques se tornam mais visíveis, gerando a crescente sensação de que um incidente grave, como a queda de um avião comercial por um drone, pode ser apenas uma questão de tempo.

Previsões sobre um ataque direto na Europa

Embora a Rússia não tenha realizado ataques diretos contra aliados da OTAN na Europa, há indícios crescentes de que essa situação pode mudar. Especialistas atribuem isso, em parte, ao conhecimento russo de que suas capacidades atuais seriam insuficientes para derrotar a aliança em um confronto direto.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, alertou que a Rússia pode estar pronta para usar força militar contra a organização dentro de cinco anos. O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, reiterou este aviso, afirmando que a inteligência alemã acredita que Moscou “mantém aberta a opção de guerra contra a OTAN até 2029, no máximo”.

A perspectiva nos países bálticos é ainda mais urgente, com a crença de que um ataque pode ocorrer já em três anos. Pesquisadores do Centro Belfer para Ciência e Assuntos Internacionais da Escola Kennedy de Harvard, ao analisar as previsões de diversas autoridades, identificaram 2027 e 2028 como os anos mais frequentemente mencionados para um possível conflito com a OTAN.

Lacunas na defesa da OTAN e a urgência de ação

O reconhecimento da ameaça russa levou a OTAN a desenvolver planos de contingência para defender-se de possíveis agressões, especialmente contra os países bálticos. Contudo, especialistas alertam que esses planos, embora existentes, não são suficientes.

Jack Watling, pesquisador sênior do Rusi, ressalta que “os governos não estão tomando as medidas necessárias para implementá-lo. Ainda estamos planejando com base em coisas que não existem”. Ele enfatiza o risco de estruturar uma resposta defensiva com base em uma “lista de desejos” em vez de aceitar os recursos disponíveis e planejar com base na realidade atual.

O despertar europeu para o investimento em defesa

Muitas capitais europeias desfrutaram de um longo período de paz contínua, o mais extenso em séculos, desde 1945. Essa calma relativa permitiu que sucessivos governos investissem em bem-estar social em detrimento da defesa, contando com o poderio militar dos Estados Unidos para intervir em caso de necessidade.

Dois eventos recentes funcionaram como um duro “despertar”: a postura do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, que deixou claro que os aliados da OTAN não poderiam depender tanto de Washington, e a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia. Essa ruptura do status quo impulsionou a maioria dos membros europeus da OTAN a aumentar os gastos com defesa.

Dados da OTAN de 2025 indicam que 31 dos 32 membros deverão atingir a meta de gastar 2% do PIB em defesa, um aumento significativo em comparação com os seis países que cumpriram essa meta em 2021. A Islândia, único país que não possui forças armadas e que não atingirá a meta, contribui financeiramente, com pessoal civil e sistemas de defesa aérea. Em uma reunião recente, os países membros da OTAN concordaram em aumentar a meta para 5% do PIB até 2035.

A necessidade de engajamento civil e resiliência

Apesar do aumento nos gastos com defesa, muitos analistas permanecem céticos quanto à viabilidade de alcançar o objetivo de 5% do PIB, dada a pressão financeira que a maioria dos países europeus já enfrenta. Explicar aos eleitores a necessidade de realocar recursos ou de mais pessoas servirem nas forças de reserva ou regulares é um desafio que poucos políticos estão dispostos a enfrentar.

Pesquisas do Eurobarômetro mostram que uma vasta maioria de europeus (78%) está preocupada com a defesa e segurança da UE para os próximos cinco anos, e um terço acredita que a defesa deve ser uma prioridade de gastos do bloco. No entanto, alertas como o do general Fabien Mandon, chefe das Forças Armadas da França, sobre a necessidade de se preparar para possíveis perdas futuras, geram indignação, evidenciando a distância entre a percepção pública e as exigências da realidade estratégica.

Variações na percepção da ameaça e prontidão nacional

A disposição dos cidadãos europeus em compreender a ameaça e participar de sua defesa varia consideravelmente pelo continente. Robin Potter, pesquisador associado do Chatham House, observa que a ameaça é muito mais tangível para quem vive no leste, fazendo fronteira com a Rússia, como na Polônia e nos países bálticos, onde as precauções, incluindo abrigos públicos, são mais evidentes.

Países como Suécia e Finlândia já atualizaram as orientações para seus cidadãos sobre como sobreviver a uma guerra, com folhetos informativos sobre interrupções de comunicações, cortes de energia e condições climáticas extremas. Diversas nações, incluindo Lituânia, Letônia e Suécia, reintroduziram o serviço militar obrigatório na última década, enquanto outras, como Alemanha, Polônia, Bélgica, Romênia e Bulgária, implementaram programas de treinamento militar voluntário.
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Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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