Operação militar dos EUA na Venezuela resulta na captura de Nicolás Maduro e gera tensão em CaracasPor Luís Henrique Costa
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Uma operação militar de larga escala conduzida por forças dos Estados Unidos na Venezuela, durante a madrugada deste sábado, 3 de janeiro de 2026, culminou na captura do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. A ação, confirmada pelo presidente americano Donald Trump, informou que o casal foi retirado do país por via aérea. Os ataques aéreos e terrestres ocorreram de forma coordenada entre 2h e 4h30, horário local, atingindo alvos estratégicos na capital, Caracas, e em regiões vizinhas como La Guaira, Aragua e Miranda.
O despertar dos moradores da capital foi marcado por fortes explosões e o som de aeronaves sobrevoando a cidade em baixa altitude. A incerteza e o temor levaram a uma paralisia quase total nas primeiras horas da manhã, com ruas e avenidas importantes completamente desertas. O comércio em geral permaneceu de portas fechadas, enquanto um forte contingente de forças de segurança venezuelanas patrulhava ostensivamente as proximidades de edifícios governamentais e instalações militares.
A comunicação entre os cidadãos ocorreu majoritariamente por meio de aplicativos de mensagens e redes sociais, que foram inundadas com vídeos e relatos sobre a movimentação militar durante a madrugada. A apreensão sobre os desdobramentos da captura dominou o ambiente, com muitas famílias optando por não sair de casa até que a situação se tornasse mais clara.
O cenário na capital venezuelana
Ao amanhecer, Caracas exibia uma atmosfera de calma tensa. O silêncio incomum nas principais vias, geralmente congestionadas, evidenciava o impacto imediato da operação. A ausência de transporte público e a adesão massiva do comércio ao fechamento transformaram a metrópole em uma cidade fantasma, onde apenas veículos militares e de emergência circulavam com regularidade.
Relatos de bairros como La Guaira descreviam estrondos que abalaram residências e ativaram alarmes de carros. Em diversas localidades, foram registradas interrupções no fornecimento de energia elétrica, o que aumentou a dificuldade de acesso a informações. A população buscava notícias através de rádios a pilha e canais internacionais, em meio a uma programação especial da televisão estatal que convocava a população a defender a soberania nacional.
Reação do governo e estado de emergência
Em resposta direta à operação, o governo venezuelano decretou “estado de comoção exterior” em todo o território nacional. A medida, anunciada pela vice-presidente Delcy Rodríguez em pronunciamento televisivo, tem como objetivo mobilizar todos os recursos de defesa para proteger as instituições do país. Rodríguez afirmou desconhecer o paradeiro de Maduro e exigiu das autoridades americanas uma prova de vida imediata dele e de Cilia Flores.
O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, classificou a ação como uma “infame agressão imperialista” e ordenou o desdobramento máximo das unidades das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) para garantir a ordem interna e a defesa das fronteiras. Ele reforçou a lealdade das tropas ao governo constituído e prometeu uma resposta firme.
Paralelamente, o chanceler Iván Gil anunciou que a Venezuela solicitaria uma reunião de emergência no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para denunciar formalmente o que considera uma violação flagrante do direito internacional e um ato de guerra por parte dos Estados Unidos.
Alvos militares e danos confirmados
Os ataques aéreos concentraram-se em complexos militares de alto valor estratégico. O Forte Tiuna, principal base do Exército e sede do Ministério da Defesa em Caracas, foi um dos alvos principais, com relatos de múltiplos incêndios em suas instalações. Colunas de fumaça densa eram visíveis a quilômetros de distância, indicando danos significativos em hangares e edifícios administrativos.
Outro ponto atingido foi o aeroporto militar de La Carlota, localizado no leste da capital, onde impactos diretos foram registrados na pista e em áreas de armazenamento. Informações preliminares indicam que sistemas de defesa antiaérea e unidades de transporte foram destruídos ou severamente danificados durante a ofensiva noturna.
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, confirmou em uma breve declaração que a operação resultou na morte de militares e civis, embora um balanço oficial de vítimas ainda estivesse em andamento. Cabello prometeu que “os mártires da pátria seriam vingados” e convocou os apoiadores do governo a se manterem mobilizados.
O acesso às zonas bombardeadas foi imediatamente bloqueado pelas forças de segurança, que estabeleceram perímetros para impedir a aproximação de civis e da imprensa. As imagens transmitidas pela televisão estatal mostravam destroços de veículos militares e estruturas colapsadas, enquanto equipes de resgate atuavam nos locais atingidos.
A busca por suprimentos e a corrida aos postos
Apesar do cenário desolador das primeiras horas, a necessidade por suprimentos essenciais começou a levar parte da população para as ruas no final da manhã. Um contraste nítido se formou entre o vazio generalizado e as longas filas que rapidamente surgiram em postos de gasolina e mercados que decidiram abrir. O temor de um desabastecimento prolongado ou de restrições de circulação motivou uma corrida por combustível, com motoristas aguardando por horas para encher os tanques de seus veículos.
Nos poucos supermercados e padarias em funcionamento, o movimento foi intenso. As pessoas buscavam estocar principalmente alimentos não perecíveis, água potável, velas e baterias. A procura por itens de primeira necessidade refletia a profunda incerteza sobre os próximos dias e a falta de confiança nas garantias de normalidade oferecidas pelas autoridades remanescentes. Essa movimentação, ainda que pontual, quebrou a paralisia inicial e demonstrou a resiliência dos cidadãos diante de uma crise sem precedentes.
Contexto da intervenção e o anúncio de Trump
A operação militar não foi um ato isolado, mas sim o clímax de meses de crescente tensão diplomática e política entre Washington e Caracas. O governo dos Estados Unidos vinha intensificando a pressão sobre a administração de Maduro, com acusações públicas de envolvimento com o narcotráfico e violações de direitos humanos. O Departamento de Justiça americano havia oferecido uma recompensa milionária por informações que levassem à captura de Maduro e de outros altos funcionários de seu governo, acusando-os de liderar uma organização criminosa. A ação deste sábado foi descrita por fontes do Pentágono como uma operação cirúrgica, planejada por diversas agências de inteligência e forças especiais, com o objetivo de “neutralizar uma ameaça à segurança regional”. Em seu anúncio, feito através de uma postagem em redes sociais, Donald Trump descreveu a captura como “um grande sucesso para a liberdade e a democracia” e prometeu uma coletiva de imprensa para fornecer mais detalhes sobre o futuro das relações com a Venezuela e o apoio a um governo de transição.
Mobilização de apoiadores do governo
Em resposta à captura, grupos de militantes chavistas e funcionários públicos começaram a se concentrar em frente a prédios oficiais, como o Palácio de Miraflores, em Caracas, e em praças de outras cidades do país. As transmissões da televisão estatal mostravam manifestantes com bandeiras venezuelanas e retratos de Maduro, exigindo sua libertação imediata e denunciando a intervenção americana.







