Laudo pericial confirma que padrasto de Larissa Manuela não possui distúrbios mentaisPor Bruna
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O Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo concluiu o laudo de perícia psiquiátrica de Diego Antônio Sanches Magalhães, de 32 anos, réu confesso pelo assassinato da enteada Larissa Manuela Santos, ocorrido em junho de 2024. O documento oficial, divulgado nesta terça-feira (6/1), atesta que o homem não apresentava qualquer doença mental ou perturbação da saúde que o impedisse de compreender o caráter ilícito de suas ações no momento do crime.
De acordo com a perícia realizada em 27 de novembro, o acusado agiu com plena consciência e autodeterminação ao desferir 16 facadas contra a criança de 10 anos. A defesa da família da vítima enfatizou que o resultado técnico reforça o conjunto de provas já existentes no processo judicial, eliminando teses de inimputabilidade. O crime aconteceu em Barueri, na Grande São Paulo, e o processo segue em tramitação para determinar a sentença definitiva do réu.
- O exame clínico descartou patologias mentais graves.
- O réu foi considerado plenamente capaz de responder por seus atos.
- A perícia técnica foi anexada aos autos do processo criminal.
- A acusação busca a pena máxima com base na consciência do agressor.
Diego Antônio Sanches Magalhães permanece detido enquanto o sistema judiciário analisa as novas evidências técnicas fornecidas pelos peritos do estado. A confirmação de sua sanidade mental retira barreiras para que o julgamento ocorra perante o Tribunal do Júri, conforme esperado pelos representantes legais da família de Larissa Manuela.
Detalhes técnicos e reações jurídicas sobre a sanidade do réu
O resultado da avaliação psiquiátrica foi recebido pelos advogados da família como uma validação fundamental para a continuidade do rito processual severo. O laudo aponta que, no dia 12 de junho de 2024, o agressor possuía total discernimento sobre o ataque desferido na residência da família, em Barueri.
O advogado que representa o pai da menina afirmou publicamente que o documento técnico encerra tentativas de atenuação da responsabilidade penal por parte da defesa do acusado. Para o setor jurídico, a clareza do laudo permite que a justiça foque na gravidade do feminicídio e nos agravantes de meio cruel utilizados contra a menor de idade.
Confissão revela dinâmica detalhada do crime no Jardim Tupã
O acusado detalhou em depoimento oficial que retornou de uma viagem ao litoral paulista na manhã do crime, ciente de que a residência estaria vulnerável. Ele relatou que entrou no imóvel por volta das 10h locais, aproveitando que a porta estava apenas encostada, e encontrou a criança deitada em uma beliche.
Durante o interrogatório, o homem afirmou que questionou a enteada sobre a vida pessoal da mãe dela, o que teria iniciado uma breve discussão. Ele declarou às autoridades que “perdeu a cabeça” após ser ofendido pela criança e buscou uma faca na cozinha para realizar o ataque fatal.
Segundo o relato do réu confesso, ele acreditou que o primeiro golpe já teria sido letal, mas continuou o ataque sem oferecer explicações lógicas para a sequência de facadas. A perícia agora divulgada contradiz qualquer hipótese de surto psicótico incontrolável, mantendo o foco na conduta deliberada do indivíduo.
Comportamento pós-crime e tentativa de ocultação de provas
Após o assassinato, o agressor demonstrou frieza ao deixar a residência e retornar minutos depois para buscar um aparelho celular esquecido no local. Câmeras de monitoramento registraram o momento em que ele mexia em lixeiras da região, supostamente descartando objetos relacionados ao crime cometido pouco antes.
O homem seguiu para o seu local de trabalho em uma loja de móveis, onde realizou a troca de suas vestimentas para não levantar suspeitas imediatas. Ele admitiu ter jogado fora o calçado utilizado durante a ação, embora tenha preservado o cadarço do tênis por motivos que não soube explicar durante os depoimentos colhidos pela Polícia Civil.
- O agressor trabalhou normalmente após o crime em Barueri.
- Roupas foram trocadas para esconder vestígios de sangue.
- A arma do crime foi descartada em uma lixeira pública próxima.
- O celular foi recuperado pelo réu antes de sua fuga inicial.
A investigação policial conseguiu reunir evidências materiais que corroboram a frieza do acusado após o ato, incluindo as imagens de segurança e o depoimento de testemunhas. Essas informações, somadas ao laudo de sanidade, formam a base da estratégia da promotoria para a condenação por homicídio qualificado.
Histórico de instabilidade e insegurança no relacionamento familiar
O réu relatou aos investigadores que possuía traumas de relacionamentos anteriores, marcados por casos de infidelidade que o levaram a buscar auxílio religioso no passado. Ele alegou que sua companheira, mãe de Larissa, conhecia seu histórico de instabilidade emocional e tentativas anteriores de suicídio, mas que o convívio com os filhos dela era considerado satisfatório.
Apesar de alegar que não estava bem emocionalmente nos dias que antecederam o crime, o laudo pericial foi taxativo ao afirmar que tais sentimentos não configuram alienação mental. O agressor relatou que havia sido cobrado pela companheira por maior responsabilidade profissional e financeira, o que o deixou pensativo antes de decidir retornar à casa em Barueri no dia 12 de junho.
Vítima foi encontrada sozinha após o horário escolar
Larissa Manuela Santos foi localizada sem vida por sua mãe por volta das 17h, no horário local, quando esta retornava do trabalho no final da tarde. A criança deveria ter comparecido à escola no período vespertino, mas permaneceu no imóvel desde a saída da mãe, que ocorreu às 6h da manhã para cumprir sua jornada laboral.
A residência, localizada no bairro Jardim Tupã, possuía um portão que não ficava trancado, facilitando a entrada de Diego Antônio Sanches Magalhães sem o uso de força bruta. O cenário encontrado pelas autoridades indicava que não houve luta corporal intensa, reforçando a tese de que a vítima foi surpreendida enquanto descansava em seu quarto.
Procedimentos judiciais e pedido de indenização para a família
O Ministério Público de São Paulo já solicitou uma indenização de R$ 100 mil a ser paga pelo agressor à família da vítima como reparação por danos morais. Além da reparação financeira, o réu responde por feminicídio cometido com meio cruel, agravado pelo fato de a vítima ser menor de idade e estar sob seus cuidados indiretos no ambiente doméstico.
O processo agora aguarda o agendamento das audiências de instrução e julgamento, onde o laudo de sanidade mental será uma peça central para afastar qualquer alegação de inimputabilidade. O sistema prisional mantém o acusado isolado por questões de segurança, dada a natureza do crime que gerou grande repercussão na região metropolitana de São Paulo.
A Polícia Civil encerrou a coleta de depoimentos de vizinhos e familiares, consolidando o inquérito que aponta a premeditação e a frieza do padrasto durante todo o processo. Com o descarte de doenças mentais, a expectativa jurídica é de que o réu enfrente o júri popular com base estritamente nos fatos narrados e nas provas técnicas colhidas pelo Instituto de Medicina Social e de Criminologia.
A análise necroscópica realizada anteriormente pelo Instituto Médico Legal já havia detalhado a gravidade das lesões no pescoço e tórax da menina, confirmando a brutalidade do ataque. Agora, com a validação da capacidade mental do autor, o caso entra em sua fase decisiva para a aplicação da lei penal brasileira.







