Sócia de bar na Suíça é acusada de fugir com caixa registradora durante incêndio que deixou 40 mortos

5 min de leitura
Interior de bar que pegou fogo em estação de esqui na Suíça, em 1º de janeiro de 2026 - Divulgação/ Police Cantonale Valaisanne Foto: Interior de bar que pegou fogo em estação de esqui na Suíça, em 1º de janeiro de 2026 - Divulgação/ Police Cantonale Valaisanne

Um incêndio devastador atingiu o bar Le Constellation, em Crans-Montana, na Suíça, por volta das 1h30 locais de 1º de janeiro de 2026, durante uma festa de réveillon lotada. A tragédia resultou em 40 mortos e 116 feridos, muitos com queimaduras graves, em um estabelecimento frequentado principalmente por jovens. Autoridades investigam o casal francês proprietário, Jacques e Jessica Moretti, por homicídio culposo, lesões corporais graves e incêndio culposo.

Testemunhas relataram que Jessica Moretti, gerente do local, deixou o bar carregando a caixa registradora enquanto clientes tentavam escapar das chamas e da fumaça densa. Imagens de câmeras de vigilância captaram a sócia saindo do estabelecimento com o equipamento, segundo relatos publicados na imprensa italiana. Jessica sofreu queimaduras leves em um braço durante a fuga, mas não auxiliou os frequentadores em pânico.

O fogo começou no subsolo do bar, provavelmente por faíscas de velas pirotécnicas fixadas em garrafas de champanhe que alcançaram o teto revestido de espuma isolante acústica. O material inflamável contribuiu para a rápida propagação das chamas, causando um embrasement généralisé éclair.

Causas iniciais do incêndio

Investigações preliminares apontam que as velas pirotécnicas, comuns em comemorações no local, iniciaram o fogo ao tocar o revestimento do teto. Vídeos antigos de festas no Le Constellation mostram funcionários alertando sobre o risco da espuma no plafond.

Autoridades confirmaram que o uso dessas velas era habitual durante o serviço de garrafas de champanhe. A prática, embora festiva, não considerava os riscos de materiais combustíveis no ambiente fechado.

Acusações contra os proprietários

Jacques e Jessica Moretti administram o Le Constellation desde 2015, quando adquiriram o estabelecimento. O casal enfrenta investigação criminal por negligência em medidas de segurança.

Jacques possui histórico judicial na França, com condenações antigas por fraudes e outros delitos. Jessica estava presente no bar na noite do incidente, enquanto Jacques se encontrava em outro estabelecimento do casal.

Os proprietários declararam estar devastados e prometeram cooperar plenamente com as autoridades. Eles negam irregularidades e afirmam que o local seguia normas vigentes.

Falhas na fiscalização do local

O bar não passava por inspeções de segurança contra incêndio desde 2019, apesar de a lei exigir verificações anuais em estabelecimentos públicos. O prefeito de Crans-Montana, Nicolas Feraud, admitiu a falha municipal e expressou profundo arrependimento.

A prefeitura inspecionou apenas parte dos estabelecimentos da região em anos recentes devido a limitações de recursos. Nenhuma alerta prévia sobre riscos no Le Constellation havia sido registrada.

O teto de espuma acústica, instalado durante reformas em 2015, nunca foi avaliado quanto à resistência ao fogo. Especialistas apontam que materiais assim exigem cobertura específica para evitar propagação rápida de chamas.

Consequências e medidas adotadas

Crans-Montana proibiu o uso de velas pirotécnicas em ambientes fechados após a tragédia. A estação de esqui, conhecida por turismo internacional, decretou luto e organizou homenagens às vítimas.

  • Identificação completa das 40 vítimas, incluindo menores e estrangeiros.
  • 116 feridos tratados em hospitais, com unidades de terapia intensiva lotadas.
  • Repatriação de corpos de vítimas italianas e francesas.
  • Cerimônias de homenagem com flores e velas no local do incidente.

Histórico do estabelecimento

O Le Constellation funcionava como bar e boate há décadas, tornando-se instituição local em Crans-Montana. O casal Moretti reformou o espaço em 2015, adicionando terraço coberto e alterando interiores.

Eles gerenciam outros dois estabelecimentos na região: Le Senso, especializado em hambúrgueres, e Le Vieux-Chalet, com temática corsa. Ambos permanecem fechados desde o incidente.

O local atraía clientela jovem, com capacidade para até 300 pessoas, e não cobrava entrada. Escadas estreitas ligavam o térreo ao subsolo, onde o fogo começou.

Avanços na investigação

Promotores suíços ouvem testemunhas e analisam imagens de vigilância para esclarecer responsabilidades. Advogados de feridos questionam a remoção rápida de conteúdos das redes sociais do bar após o incidente.

A investigação examina autorizações de reformas, materiais usados e saídas de emergência. O município de Crans-Montana pode responder por omissões na fiscalização.

Autoridades italianas e francesas acompanham o caso devido ao número de vítimas de suas nacionalidades. A tragédia mobilizou cooperação internacional para apoio às famílias.

Repercussão na comunidade local

Moradores de Crans-Montana depositaram flores e acenderam velas em memorial improvisado próximo ao bar destruído. Igrejas realizaram missas em homenagem às vítimas.

A estação de esqui, dependente do turismo, enfrenta impacto emocional e econômico. Doações de sangue superaram expectativas, com agendamentos lotados por semanas.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

Notícias relacionadas