Governo sanciona nova isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mêsPor Luís Henrique Costa
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Uma importante alteração na legislação tributária foi confirmada com a sanção da Lei nº 15.270, que estabelece novas regras para o Imposto de Renda a partir de 1º de janeiro de 2026. A principal mudança é a ampliação da faixa de isenção, que passará a contemplar todos os contribuintes com rendimentos tributáveis de até R$ 5 mil mensais. A medida, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visa reduzir a carga tributária sobre a classe média e trabalhadora, resultando em um alívio financeiro direto para milhões de pessoas.
A nova legislação não se limita a zerar o imposto para a faixa de até R$ 5 mil. Ela também cria um mecanismo de redução progressiva do tributo para quem recebe salários entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 por mês. Para rendas superiores a este último valor, as alíquotas da tabela progressiva, que variam de 7,5% a 27,5%, continuam sendo aplicadas sem modificações, mantendo a estrutura já conhecida pelos contribuintes com rendimentos mais elevados.
O ajuste funcionará por meio de uma dedução simplificada no cálculo mensal do imposto. Esse abatimento, com valor máximo de R$ 312,89, será aplicado diretamente sobre o imposto devido, diminuindo de forma gradual à medida que a renda se aproxima do teto de R$ 7.350. Este formato foi desenhado para garantir uma transição suave entre as faixas de tributação, evitando que um pequeno aumento salarial resulte em um salto desproporcional no imposto a ser pago.
Como funciona o novo cálculo na prática
A nova sistemática introduzida a partir de 2026 estabelece um método de cálculo diferenciado para as faixas de renda mais baixas, sem alterar a tabela progressiva principal. Na prática, para salários de até R$ 7.350, o sistema aplicará um redutor que assegura a isenção total ou um desconto significativo no imposto retido na fonte. Esse mecanismo de dedução fixa é uma inovação que simplifica a apuração para a maioria dos assalariados. O valor de R$ 312,89 foi calculado para corresponder exatamente ao imposto que seria devido sobre a diferença entre o limite de isenção anterior e o novo teto de R$ 5 mil, neutralizando a tributação para essa faixa. Para quem ganha um pouco mais, o redutor ainda garante que a alíquota efetiva seja menor do que a nominal da tabela, promovendo um alívio fiscal proporcional. A Receita Federal será responsável por detalhar as instruções operacionais para que as fontes pagadoras, como empresas e órgãos públicos, possam implementar o novo cálculo de forma correta e automatizada nos sistemas de folha de pagamento.
O perfil dos contribuintes beneficiados
A projeção oficial do governo indica que a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda beneficiará diretamente cerca de 16 milhões de contribuintes em todo o país. Esse grupo é composto majoritariamente por trabalhadores assalariados, aposentados, pensionistas e profissionais autônomos que se encontram em uma faixa de renda intermediária. Muitos desses cidadãos já possuíam uma tributação considerada baixa, mas a nova regra zera completamente a cobrança para uma parcela significativa e reduz para outra, resultando em mais dinheiro disponível no orçamento mensal das famílias.
O impacto será sentido de forma imediata no holerite, com a redução ou eliminação do desconto referente ao IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte). Um trabalhador com salário de R$ 5 mil, por exemplo, deixará de ter qualquer valor retido, o que representa um ganho líquido relevante ao final do mês. Essa injeção de recursos na economia tem o potencial de estimular o consumo de bens e serviços, especialmente em setores essenciais, contribuindo para o aquecimento da atividade econômica. A medida também simplifica a vida de muitos que, ao se tornarem isentos, podem ter menos obrigações acessórias junto à Receita Federal.
Aplicação para décimo terceiro e carnê-leão
A nova regra de isenção e redução do imposto não se aplica apenas aos salários mensais. O benefício também será estendido a outros rendimentos, como o décimo terceiro salário, que passará a ser calculado com base na nova tabela e no mecanismo de dedução simplificada.
Da mesma forma, profissionais autônomos e liberais que recolhem o imposto por meio do carnê-leão também poderão aplicar o novo abatimento no cálculo mensal obrigatório, aliviando a carga tributária sobre seus rendimentos.
A compensação fiscal para equilibrar as contas
A implementação da nova faixa de isenção representa uma renúncia fiscal estimada em R$ 31,2 bilhões anuais para os cofres públicos a partir de 2026. Para garantir a neutralidade fiscal e o equilíbrio das contas do governo, a mesma lei que concede o benefício institui novas formas de arrecadação focadas em altíssimas rendas.
A principal medida compensatória é a criação de uma tributação mínima para rendimentos anuais que ultrapassam R$ 600 mil. Essa cobrança será feita por meio de uma alíquota progressiva que pode chegar a 10% sobre os ganhos que excedem esse patamar, mirando um universo de aproximadamente 141 mil contribuintes.
Adicionalmente, a lei estabelece uma retenção na fonte de 10% sobre a distribuição de lucros e dividendos que excederem o valor de R$ 50 mil por mês. Com essas duas frentes, o governo projeta uma arrecadação adicional de R$ 34 bilhões, valor que cobre o custo da isenção e ainda gera um pequeno superávit.
Preparação de empresas e trabalhadores
Com a proximidade da vigência da nova lei, empresas e seus departamentos de recursos humanos já iniciaram o processo de adaptação de seus sistemas de folha de pagamento. A correta parametrização dos softwares é fundamental para que o cálculo do Imposto de Renda Retido na Fonte reflita as novas deduções a partir de janeiro.
A Receita Federal tem um papel crucial nesse processo, sendo responsável por publicar as tabelas oficiais atualizadas e as instruções normativas que detalham todos os procedimentos. Essa documentação serve como guia para contadores e gestores de RH em todo o país.
Para os trabalhadores, a principal mudança será visível diretamente no contracheque, com um valor menor de desconto de IR. É importante que os contribuintes acompanhem seus holerites para verificar se a nova regra está sendo aplicada corretamente pela fonte pagadora.
Profissionais autônomos, por sua vez, precisam estar atentos para ajustar o cálculo do carnê-leão. A utilização do redutor correto evitará o pagamento de imposto a maior durante o ano e a necessidade de aguardar a restituição na declaração de ajuste anual.
Reforço da progressividade tributária
A combinação de isenção para rendas mais baixas com a criação de uma nova tributação para os mais ricos é uma estratégia que busca aumentar a progressividade do sistema tributário brasileiro. O princípio da progressividade determina que quem tem maior capacidade econômica deve contribuir com uma parcela proporcionalmente maior de sua renda.
Ao desonerar a base da pirâmide social e onerar o topo, a medida alinha o Brasil a práticas adotadas em muitas economias desenvolvidas, que tributam de forma mais consistente grandes fortunas e a distribuição de dividendos, historicamente isentos no país.
Simuladores como ferramenta de planejamento
Para auxiliar os contribuintes a entenderem o real impacto da mudança em suas finanças, a Receita Federal e outras entidades disponibilizam simuladores online. Essas ferramentas permitem que o usuário insira seu rendimento bruto mensal e verifique qual será o novo valor do imposto retido, facilitando o planejamento financeiro pessoal e familiar.








