Morre Hulk Hogan, lenda da WWE e ícone da cultura pop, aos 71 anos vítima de infarto na Flórida

hulk hogan Foto: hulk hogan. - Foto: Instagram

O mundo do entretenimento esportivo perdeu uma de suas maiores figuras. Terry Gene Bollea, conhecido globalmente como Hulk Hogan, faleceu aos 71 anos em 24 de julho de 2025. A morte foi confirmada por sua família e ocorreu em sua residência em Clearwater, na Flórida, em decorrência de um enfarte agudo do miocárdio. O ícone da luta livre sofreu uma parada cardíaca pela manhã, e apesar do rápido atendimento de paramédicos, foi declarado morto em uma unidade hospitalar local.

Hogan foi o principal responsável por transformar a luta livre, até então um esporte de nicho, em um fenômeno de massa nas décadas de 1980 e 1990. Com seu carisma contagiante, físico imponente e bordões icônicos, ele transcendeu os ringues e se tornou uma figura proeminente da cultura pop, influenciando gerações de fãs e atletas.

A WWE, organização que ele ajudou a popularizar mundialmente, emitiu uma nota oficial lamentando a perda de um de seus maiores embaixadores. A notícia gerou uma onda de homenagens nas redes sociais, com personalidades do esporte, do cinema e da política prestando tributo ao seu legado.

A trajetória que definiu uma era no wrestling

A carreira profissional de Hogan começou em 1977, mas sua ascensão ao estrelato ocorreu em 1983, com seu retorno à World Wrestling Federation (hoje WWE). Foi lá que nasceu a “Hulkamania”, um movimento cultural impulsionado por seu personagem heroico, que vestia as cores vermelho e amarelo e pregava o treinamento, as orações e as vitaminas como pilares de sucesso.

Durante seu auge, Hogan conquistou o título mundial da WWF em seis ocasiões. Seu primeiro reinado, que começou em 1984, durou impressionantes 1.474 dias, um dos mais longos da história da companhia. Ele foi a atração principal de inúmeros eventos, incluindo a primeira edição da WrestleMania, solidificando o evento como o maior espetáculo do entretenimento esportivo.

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Um dos momentos mais emblemáticos de sua carreira foi a luta contra Andre the Giant na WrestleMania III, em 1987, diante de mais de 93 mil pessoas. O confronto é até hoje considerado um marco na história da luta livre. Hogan também foi o primeiro lutador a vencer duas edições consecutivas do Royal Rumble, em 1990 e 1991, um feito que atesta seu domínio na época.

Na década de 1990, Hogan se reinventou ao se juntar à World Championship Wrestling (WCW). Lá, ele chocou o mundo ao abandonar seu personagem de herói para formar a New World Order (nWo), um grupo de vilões que revolucionou a indústria. Como “Hollywood” Hogan, ele mostrou uma nova faceta de seu talento e liderou a WCW em um período de grande popularidade, conhecido como “Monday Night Wars”.

Das arenas para as telas de cinema e TV

Paralelamente ao seu sucesso nos ringues, Hulk Hogan construiu uma sólida carreira no entretenimento. Sua estreia em Hollywood aconteceu em 1982, no filme “Rocky III”, onde interpretou o carismático lutador Thunderlips em uma memorável cena contra Sylvester Stallone. Esse papel abriu as portas para uma série de outros projetos, transformando-o em um rosto familiar para além da luta livre. Ele estrelou filmes de comédia e ação que se tornaram clássicos da cultura pop, como “O Comando Suburbano” (1991) e “O Papatudo” (1993), que, embora não aclamados pela crítica, solidificaram sua imagem como um herói de ação para toda a família. Na televisão, ele foi a estrela da série “Trovão no Paraíso” (1994) e, anos mais tarde, do reality show “Hogan Knows Best”, que oferecia um vislumbre de sua vida familiar e o reapresentou a uma nova geração de espectadores. Sua presença midiática foi constante, com participações em programas como “Esquadrão Classe A” e “Baywatch”, além de dublagens em animações e um desenho animado próprio, “Hulk Hogan’s Rock ‘n’ Wrestling”, nos anos 80.

Questões legais e polêmicas pessoais

A vida de Hulk Hogan fora dos holofotes foi marcada por episódios controversos. Em 2012, ele se tornou o centro de um dos casos judiciais mais midiáticos da década ao processar o site Gawker por invasão de privacidade, após a publicação de um vídeo íntimo sem seu consentimento. A batalha legal durou anos e resultou em uma indenização de 140 milhões de dólares a favor de Hogan, que posteriormente foi reduzida para um acordo de 31 milhões. O processo teve um impacto profundo na mídia e levou o Gawker à falência, abrindo um debate global sobre os limites do jornalismo e o direito à privacidade.

Anos depois, Hogan enfrentou outra grande polêmica quando vieram à tona gravações de áudio contendo comentários racistas. O escândalo resultou em sua demissão da WWE em 2015 e na remoção de seu nome do Hall da Fama da organização. Após um período de afastamento e múltiplos pedidos públicos de desculpas, nos quais afirmou ter evoluído como pessoa, ele foi reintegrado à WWE em 2018. Esses eventos mancharam parte de sua imagem, mas não diminuíram a importância de sua contribuição para a história do wrestling.

O legado indelével da Hulkamania

O principal legado de Hulk Hogan é a popularização global da luta livre. Ele foi o catalisador que transformou o esporte em um espetáculo de entretenimento familiar, vendendo milhões em mercadorias e lotando arenas em todo o mundo. Sua imagem é sinônimo do boom do wrestling nos anos 1980, e seu impacto é sentido até hoje na forma como os atletas se promovem.

Seu reconhecimento formal inclui duas induções ao Hall da Fama da WWE. A primeira, em 2005, celebrou sua carreira individual e o fenômeno da Hulkamania. A segunda, em 2020, foi como membro do grupo nWo, reconhecendo sua influência disruptiva e a reinvenção de sua carreira na WCW. Essa dupla homenagem reflete sua capacidade única de ter sido tanto o maior herói quanto o maior vilão de sua era.

Atuação no cenário político

Nos últimos anos de sua vida, Hogan tornou-se uma figura vocal no cenário político norte-americano, expressando abertamente seu apoio a candidatos do Partido Republicano. Sua participação em eventos políticos se tornou mais frequente, alinhando-se publicamente com diversas pautas conservadoras.

Ele foi um notório apoiador do ex-presidente Donald Trump, participando de comícios e eventos de campanha. Um de seus momentos mais lembrados foi um discurso na Convenção Nacional Republicana, onde, em seu estilo característico, rasgou a camisa no palco para delírio dos presentes.

Após a notícia de seu falecimento, diversas figuras políticas, incluindo Trump, prestaram homenagens. Em uma declaração, o ex-presidente lamentou a perda de um “grande amigo” e destacou o impacto cultural duradouro de Hogan como um “verdadeiro ícone americano”.

Os desafios de saúde nos últimos anos

A carreira de alta intensidade no wrestling cobrou um preço alto da saúde de Hulk Hogan. Ao longo de mais de três décadas, ele acumulou inúmeras lesões que exigiram múltiplos procedimentos cirúrgicos, principalmente nas costas, quadris e joelhos. Em entrevistas, ele frequentemente falava sobre as dores crônicas com as quais convivia. Em maio de 2025, poucos meses antes de sua morte, ele passou por uma cirurgia complexa no pescoço para aliviar a pressão sobre os nervos. Hogan deixa a esposa, Sky Daily, com quem se casou em 2023, e os filhos Brooke e Nick Hogan.

Repercussão da morte e homenagens

A morte de Hulk Hogan repercutiu instantaneamente em todo o mundo, com os principais veículos de comunicação destacando sua carreira e seu status como um dos atletas mais reconhecidos do planeta. A WWE anunciou que realizará diversas homenagens em seus programas semanais para celebrar a vida e a carreira de um de seus maiores pilares.

Colegas de profissão e estrelas que seguiram seus passos, como Dwayne “The Rock” Johnson e John Cena, publicaram mensagens emocionadas, agradecendo a Hogan por ter pavimentado o caminho e inspirado suas próprias carreiras. Fãs em todo o mundo usaram as redes sociais para compartilhar memórias de seus momentos mais icônicos, garantindo que o legado da Hulkamania continue vivo.

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