Filho confessa matricídio a facadas em residência no Polo de Modas do GuaráPor Janderson Luiz
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Um jovem de 23 anos matou a própria mãe, de 61 anos, com um golpe de faca no pescoço dentro de um apartamento no Guará II, região administrativa do Distrito Federal. O crime ocorreu na noite de 20 de janeiro de 2026, por volta das 20h30, na QE 40, Rua 10 do Polo de Modas. Vinícius de Queiroz Nogueira Dourado, estudante de economia da Universidade de Brasília, foi preso em flagrante pela Polícia Militar e confessou o ato à avó materna minutos após o ocorrido.
A vítima, identificada como Maria Elenice de Queiroz, chegou em casa após o trabalho, deixou a bolsa na sala e dirigiu-se ao quarto do filho. Logo em seguida, familiares ouviram gritos, e o suspeito saiu do cômodo anunciando o crime. Ele atribuiu o ataque a um surto, relacionado a uma depressão profunda da qual sofria há tempo.
Os policiais do 4º Batalhão encontraram o jovem sentado calmamente no sofá ao chegarem ao local. O Corpo de Bombeiros confirmou a parada cardiorrespiratória da vítima, que não resistiu ao ferimento.
Detalhes da ocorrência
Maria Elenice de Queiroz mantinha rotina normal naquele dia. Ela retornou ao apartamento após atividades profissionais e seguiu o hábito de verificar o filho no quarto.
O golpe único atingiu a região do pescoço, causando lesão fatal imediata. O suspeito utilizou uma faca disponível na residência e não apresentou resistência durante a abordagem policial.
A avó do jovem, presente no imóvel, relatou ter ouvido gritos breves antes da confissão direta do neto. Ela questionou o motivo, e ele respondeu que se tratava de um surto passageiro.
Peritos do Instituto de Criminalística realizaram exame no local até a madrugada. O corpo foi removido pelo Instituto Médico Legal por volta das 23h50 para necropsia obrigatória.
Perfil da vítima e do suspeito
Maria Elenice de Queiroz era empreendedora conhecida na região do Guará. Ela administrava um espaço comercial dedicado a produtos da Herbalife e mantinha atividade profissional regular.
O filho, Vinícius de Queiroz Nogueira Dourado, cursava o 5º semestre de economia na UnB. Familiares o descreviam como pessoa tranquila, sem histórico de agressões ou discussões intensas no ambiente doméstico.
Vizinhos reforçaram a imagem de comportamento reservado do jovem. Nenhum relato prévio indicava conflitos graves na residência antes do episódio.
Contexto de saúde mental
Vinícius enfrentava depressão profunda diagnosticada anteriormente. Ele recebia prescrição medicamentosa, mas apresentava adesão irregular ao tratamento.
A interrupção periódica dos remédios contribuía para oscilações de humor. Familiares observavam que ele passava dias sem seguir a orientação médica.
Estudos nacionais indicam que a baixa adesão a antidepressivos atinge parcela significativa dos pacientes no Brasil. Fatores como efeitos colaterais e falta de acompanhamento regular influenciam esse padrão.
- Principais barreiras à adesão ao tratamento:
- Esquecimento diário de doses;
- Percepção de melhora que leva à interrupção;
- Ausência de suporte familiar contínuo;
- Acesso limitado a consultas de acompanhamento.
Investigação policial em andamento
A Delegacia Especial de Atendimento à Mulher conduz o inquérito. O caso recebe qualificação inicial como possível feminicídio, pending análise de motivação.
O suspeito permanece preso preventivamente após audiência de custódia. Autoridades coletam depoimentos adicionais de familiares e vizinhos para reconstruir o contexto.
Exames psiquiátricos complementares podem ser solicitados. Eles avaliam eventual responsabilidade penal diminuída por transtorno mental.
A Polícia Civil prioriza agilidade na conclusão do relatório. O documento será encaminhado ao Ministério Público do Distrito Federal para denúncia formal.
Reações no entorno residencial
Moradores do condomínio expressaram surpresa com o ocorrido. Muitos descreviam a família como discreta e sem sinais externos de problemas graves.
A notícia circulou rapidamente entre vizinhos do Polo de Modas. Alguns relataram ter ouvido movimentação policial na noite do crime.
Conselhos comunitários locais discutem reforço em redes de apoio. Entidades sugerem maior atenção a sinais de isolamento em jovens adultos.
Violência familiar no Distrito Federal
O Distrito Federal registra redução geral em homicídios nos últimos anos. Dados de 2025 apontam taxa de 6,8 casos por 100 mil habitantes, a menor em décadas.
Crimes no âmbito familiar representam parcela relevante dos registros. Muitos envolvem transtornos mentais não tratados adequadamente.
Autoridades investem em campanhas de conscientização sobre saúde mental. Programas do SUS ampliam acesso a psicólogos e psiquiatras na rede pública.
- Medidas adotadas recentemente no DF:
- Ampliação de CAPS em regiões administrativas;
- Parcerias com universidades para atendimento estudantil;
- Treinamento de policiais para abordagem de crises mentais;
- Linhas de apoio telefônico 24 horas.
Aspectos preventivos e suporte disponível
Profissionais de saúde enfatizam a importância do acompanhamento contínuo em casos de depressão. A interrupção arbitrária de medicamentos aumenta riscos de episódios agudos.
Redes de apoio familiar desempenham papel central na adesão terapêutica. Diálogo aberto ajuda a identificar sinais de agravamento precoce.
Serviços públicos oferecem tratamento gratuito para transtornos mentais. Unidades básicas de saúde iniciam encaminhamentos para especialistas.
Casos extremos como este reforçam necessidade de políticas integradas. Elas combinam assistência médica, social e segurança pública para mitigar riscos.
O episódio no Guará serve como alerta para vigilância comunitária. Identificação precoce de vulnerabilidades pode prevenir desfechos irreversíveis.







