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O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) implementou alterações significativas no exame prático para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) a partir de 26 de janeiro de 2026. As principais novidades incluem a remoção definitiva da manobra de baliza e a autorização para realização do teste em veículos com câmbio automático em mais de 500 locais de prova no estado.

Essas medidas seguem a resolução 1.020 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), publicada em dezembro de 2025, e já adotadas em outros estados como Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Pará. O foco do exame agora recai sobre o percurso em vias públicas, com ênfase em habilidades de circulação.

Os candidatos ainda precisam demonstrar capacidade de estacionar o veículo próximo ao meio-fio durante o trajeto. O Detran-SP justifica as mudanças pela adaptação à realidade da frota veicular brasileira, que registra aumento constante de modelos automáticos.

Novas regras do exame prático

O exame prático passa a priorizar manobras realizadas em circulação real, como conversões à esquerda e à direita em vias movimentadas. A remoção da baliza elimina a necessidade de estacionamento entre estacas demarcadas, etapa tradicional desde a década de 1980.

Essa alteração reduz o tempo de prova em alguns casos e amplia opções para candidatos que treinam em veículos automáticos. O Detran-SP mantém a recomendação para que autoescolas continuem ensinando a baliza como parte da formação.

  • Principais elementos mantidos no teste:
  • Estacionamento paralelo à guia em via pública pelo menos uma vez.
  • Controle de velocidade e sinalização em trajetos urbanos.
  • Observância de normas de trânsito que geram pontuação por infrações.

Posição do Detran-SP sobre as alterações

O órgão estadual destaca que as mudanças seguem critérios técnicos estabelecidos pelo Contran para modernizar o processo. Lucas Papais, diretor de atendimento ao cidadão do Detran-SP, reforça que a baliza pode permanecer no treinamento prático das autoescolas.

A permissão de veículos automáticos abrange tanto a primeira habilitação quanto categorias adicionais. Essa flexibilidade atende à demanda crescente por modelos com transmissão automática no mercado brasileiro.

Opiniões favoráveis às mudanças

Paulo Guimarães, CEO do Observatório Nacional de Segurança Viária, avalia que as alterações não representam risco imediato à segurança no trânsito. Ele explica que a manobra de baliza ocorre em velocidade zero e possui baixo potencial ofensivo em comparação com erros em circulação.

O especialista aponta que o câmbio automático já domina grande parte da frota circulante no país. Guimarães defende que decisões sobre o exame devem basear-se em evidências científicas sobre acidentes.

Ele enfatiza a necessidade de fortalecimento na fiscalização e responsabilização pós-habilitação. Para o observatório, a formação rigorosa continua essencial independentemente das mudanças no teste final.

Críticas de especialistas à remoção da baliza

Juliana de Barros Guimarães, diretora científica da Associação Brasileira de Psicologia de Tráfego, considera a retirada da baliza uma perda na avaliação de habilidades emocionais. A prova prática, segundo ela, deve simular pressões reais do trânsito, incluindo tempo limitado e observação externa.

A especialista sugere que candidatos aprovados apenas em veículos automáticos recebam restrição na CNH para dirigir modelos manuais. Essa medida evitaria lacunas na formação técnica de condutores.

Juliana destaca que a baliza testa controle fino do veículo em baixa velocidade e noção espacial. A ausência dessa etapa pode reduzir a preparação para situações cotidianas de estacionamento.

Preocupações dos centros de formação

Mateus Martins, vice-presidente da Associação dos Centros de Formação de Condutores de São Paulo, classifica as mudanças como risco à segurança viária. Ele argumenta que a baliza representa elemento básico do controle veicular.

Instrutores relatam que a manobra desenvolve percepção de dimensões do veículo e coordenação motora. A flexibilização do exame pode gerar condutores com menos domínio em situações de baixa velocidade.

Martins defende manutenção de etapas que avaliem perícia completa antes da habilitação. Centros de formação temem redução na qualidade geral da preparação.

Contexto da frota veicular brasileira

A participação de veículos automáticos na frota nacional cresce ano a ano, influenciando as decisões do Contran. Fabricantes registram aumento nas vendas de modelos com transmissão automática em diversas faixas de preço.

Essa tendência reflete preferência por conforto e facilidade no trânsito urbano congestionado. Estados que adotaram as mudanças antes de São Paulo relatam maior aprovação sem elevação imediata de índices de acidentes.

Reações entre candidatos e instrutores

Candidatos em fase final de habilitação recebem a notícia com alívio pela redução de etapas estressantes. Muitos relatam dificuldade recorrente na execução perfeita da baliza durante os testes.

Instrutores, por outro lado, expressam preocupação com possível queda na exigência técnica. Grupos de profissionais discutem adaptações nos currículos de aulas práticas.

A divisão de opiniões aparece também entre motoristas já habilitados nas redes sociais. Parte celebra a modernização, enquanto outra teme condutores menos preparados.

Impacto esperado nas autoescolas

Autoescolas paulistas ajustam planejamento de aulas para manter ensino da baliza apesar da não obrigatoriedade. Profissionais acreditam que candidatos continuarão demandando prática dessa manobra para uso diário.

O número de reprovações na baliza representava parcela significativa dos índices anteriores. A mudança pode elevar taxas de aprovação no curto prazo.

Centros de formação planejam investir em veículos automáticos para atender nova demanda. A concorrência entre autoescolas deve intensificar-se com maior acessibilidade ao exame.

Comparação com outros estados

Amazonas, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Pará implementaram medidas semelhantes antes de São Paulo. Experiências iniciais nesses locais mostram adaptação rápida dos examinadores ao novo formato.

O foco exclusivo em circulação real aproxima o teste brasileiro de modelos adotados em outros países. A resolução do Contran permite que demais unidades da federação adotem as alterações gradualmente.

São Paulo concentra o maior número de candidatos à habilitação no país. A implementação no estado serve como referência para possíveis ajustes nacionais.

Perspectivas para a segurança viária

Especialistas concordam que a qualidade da formação depende mais do treinamento nas autoescolas do que do exame final. A fiscalização efetiva de infrações continua como principal desafio para redução de acidentes.

Dados do Ministério da Saúde indicam que erros humanos respondem pela maioria dos sinistros no trânsito brasileiro. Melhoria na preparação inicial permanece prioridade independentemente das regras de teste.

O Detran-SP monitora indicadores após as mudanças para eventuais correções. A evolução da frota automática deve influenciar futuras atualizações normativas.

Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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