Adolescentes suspeitos de matar cão Orelha retornam ao Brasil após viagem aos EUA em SCPor Carolina Costa
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Dois adolescentes investigados por maus-tratos que levaram à morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis, retornaram ao Brasil nesta quinta-feira (29) após uma viagem aos Estados Unidos. A Polícia Civil informou que os jovens anteciparam o retorno de uma viagem pré-programada e foram monitorados com apoio da Polícia Federal. Eles tiveram celulares apreendidos durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, e agora foram intimados a prestar depoimento na Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei.
A agressão ao animal ocorreu no dia 4 de janeiro, quando Orelha foi encontrado ferido gravemente por moradores da região. Levado a uma clínica veterinária, o cão passou por eutanásia no dia seguinte devido à gravidade dos ferimentos, confirmados por exames periciais que apontaram golpes na cabeça com objeto contundente.
Retorno monitorado e medidas policiais
A Polícia Civil acompanhou o deslocamento dos adolescentes por meio de monitoramento conjunto com a Polícia Federal. Os jovens optaram por antecipar o voo de volta, o que permitiu a identificação imediata da chegada ao país.
Dois mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas residências dos investigados. Os aparelhos celulares foram recolhidos para análise, pois podem conter elementos relevantes para esclarecer os fatos.
Os adolescentes agora aguardam intimação formal para serem ouvidos pela autoridade policial. Não há data marcada para os depoimentos até o momento.
Quatro adolescentes apontados como envolvidos
Ao todo, quatro adolescentes são suspeitos de participação nas agressões que resultaram na morte de Orelha. Os outros dois já haviam sido alvo de operação policial realizada na segunda-feira (26), quando ocorreram buscas em endereços relacionados.
A identificação dos suspeitos ocorreu por meio de análise de imagens de câmeras de segurança da região e depoimentos de testemunhas. Mais de mil horas de gravações estão sendo examinadas pela equipe investigativa.
Nomes, idades e outras informações pessoais permanecem sob sigilo, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente, que garante proteção integral a menores de 18 anos.
Familiares indiciados por coação de testemunha
Três adultos, sendo dois pais e um tio dos adolescentes, foram indiciados por suspeita de coagir uma testemunha durante as investigações. A vítima seria um vigilante de condomínio que possuía uma foto potencialmente útil para o caso.
A coação configurou crime específico no curso do processo, e o indiciamento ocorreu após análise de elementos coletados pela Polícia Civil. As buscas também envolveram endereços ligados a esses adultos.
A investigação prossegue para apurar todas as circunstâncias relacionadas às ações dos familiares e possíveis interferências no andamento do inquérito.
Detalhes da agressão e contexto do animal
O cão Orelha, de cerca de 10 anos, vivia como animal comunitário na Praia Brava e era cuidado por moradores e comerciantes locais. Ele ocupava uma das casinhas mantidas para cães da região e era reconhecido por seu temperamento dócil e brincalhão.
Testemunhas relataram que o grupo de adolescentes usou um objeto contundente para atingir a cabeça do animal. O objeto utilizado na agressão ainda não foi localizado pela polícia.
A mesma investigação apura uma tentativa de afogamento contra outro cão comunitário chamado Caramelo, na mesma praia. Imagens mostram os jovens carregando o animal, e relatos indicam que ele foi jogado no mar, mas sobreviveu ao episódio.
Investigação em andamento e sigilo judicial
A Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei conduz o auto de apuração de ato infracional. Medidas socioeducativas podem ser aplicadas conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente, uma vez que os envolvidos são menores.
A Justiça determinou a exclusão de conteúdos que identifiquem os adolescentes nas redes sociais e plataformas digitais, visando preservar o sigilo e evitar exposição indevida.
A análise de imagens e depoimentos continua para consolidar o conjunto probatório. A Polícia Civil reforça que o caso envolve maus-tratos a animal, com agravantes previstos na legislação ambiental.
A comunidade da Praia Brava acompanhou o caso com comoção, já que Orelha era considerado um mascote local há uma década.







