Política

Diretores são afastados após abertura de auditoria no Banco Central pelo caso Master

Sede do Banco Central do Brasil
Foto: Sede do Banco Central do Brasil - Alison Nunes Calazans/shutterstock.com

O Banco Central decretou a abertura de uma sindicância interna para apurar possíveis falhas no processo de fiscalização e na liquidação extrajudicial do Banco Master. A medida, determinada pelo presidente Gabriel Galípolo, busca identificar por que a área técnica não detectou com antecedência o aumento de operações de risco na instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A investigação começou logo após a decretação da liquidação, em novembro de 2025, e é conduzida de forma independente pela corregedoria do órgão.

Dois diretores do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) foram afastados em meio ao processo. Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza deixaram seus cargos sem acusações formais até o momento. A sindicância permanece sigilosa, mas informações reveladas pela imprensa indicam foco na demora em identificar irregularidades que levaram à intervenção.

A liquidação extrajudicial encerrou as atividades do Banco Master e nomeou um liquidante para gerir o encerramento das operações. Essa medida representa um dos instrumentos mais graves aplicados pelo Banco Central a instituições financeiras em situação crítica.

  • A instituição deixa de integrar o Sistema Financeiro Nacional.
  • Credores e investidores passam a depender do Fundo Garantidor de Créditos para ressarcimento até o limite estabelecido.
  • O processo visa preservar a estabilidade do sistema como um todo.

Origem da crise no Banco Master

O Banco Master enfrentou suspeitas de irregularidades em operações de crédito que comprometeram sua situação financeira. A instituição oferecia taxas elevadas em CDBs para atrair recursos, mas parte dessas operações envolvia carteiras sem avaliação técnica adequada. O crescimento acelerado do banco nos anos anteriores não recebeu medidas corretivas tempestivas da supervisão.

A decretação da liquidação ocorreu em novembro de 2025, com base em infringências às normas bancárias e prejuízos à estabilidade econômico-financeira. Autoridades identificaram transações que levantaram alertas sobre a qualidade dos ativos. O caso ganhou repercussão ao envolver fundos de previdência e instituições públicas em diferentes estados.

Banco Master
Banco Master – Divulgação Banco Master

Afastamentos no Departamento de Supervisão

Paulo Sérgio Neves de Souza ocupava posição de destaque na estrutura de fiscalização do Banco Central até novembro de 2025. Ele havia comandado a diretoria responsável pela área entre 2019 e 2023, período em que o Banco Master expandiu operações. O afastamento ocorreu logo após o início da sindicância interna.

Belline Santana chefiava o Desup e encaminhou ofício ao Ministério Público Federal sobre operação suspeita envolvendo compra de carteiras de crédito. A transação foi desfeita após identificação de irregularidades. Ambos os servidores pediram exoneração dos cargos em datas distintas, sem acusações formais registradas.

O presidente Gabriel Galípolo tem afirmado internamente que a apuração não busca responsabilizações individuais precipitadas. O foco permanece na identificação de fragilidades processuais para evitar repetição de casos semelhantes.

Detalhes da sindicância interna

A investigação conduzida pela corregedoria do Banco Central analisa documentos e procedimentos adotados durante a supervisão do Master. Técnicos examinam o histórico de fiscalizações realizadas na instituição desde a aquisição pelo grupo de Daniel Vorcaro. Não há prazo definido para conclusão do processo.

A sindicância ocorre em paralelo a apurações externas, incluindo inquéritos da Polícia Federal sobre fraudes bilionárias. O Banco Central mantém a autonomia da corregedoria para garantir isenção na análise. Resultados podem levar a ajustes em normas de supervisão bancária.

Autoridades reforçam que a medida visa fortalecer controles internos sem comprometer a independência técnica do órgão. A apuração abrange o período de expansão rápida do banco e a resposta às sinalizações de risco.

Contexto da liquidação extrajudicial

A decretação da liquidação extrajudicial representa intervenção extrema reservada a instituições em grave comprometimento. O Banco Central nomeia liquidante responsável por vender ativos e quitar obrigações na ordem legal. Credores contam com garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.

O caso do Master mobilizou diferentes instâncias, incluindo Tribunal de Contas da União e Supremo Tribunal Federal. Questionamentos iniciais sobre a medida levaram a negociações que resultaram em diligências técnicas. O acordo preservou a autonomia do BC na decisão de intervenção.

Envolvimento de outras instituições

O Tribunal de Contas da União realizou diligências para analisar documentação relacionada à liquidação. Técnicos do TCU acessaram materiais sem questionar o mérito da intervenção. O processo concluiu sem identificação de inação grave por parte do Banco Central.

A Polícia Federal conduz inquérito sobre possíveis fraudes em carteiras de crédito vendidas pelo Master. Operações envolveram valores bilionários e instituições de diferentes regiões. Investigações avançam em coordenação com o Ministério Público Federal.

Medidas de fortalecimento institucional

O Banco Central busca aprimorar mecanismos de detecção precoce de riscos em instituições financeiras. Experiências anteriores com intervenções servem de referência para ajustes regulatórios. A sindicância interna contribui para mapear vulnerabilidades no processo de supervisão.

Autoridades enfatizam a importância de controles robustos para manutenção da confiança no sistema financeiro. Casos como o do Master destacam a necessidade de vigilância constante sobre operações de alto risco. O órgão mantém diálogo com entidades do setor para compartilhar aprendizados.

O processo de apuração interna reforça compromissos com transparência e responsabilidade na gestão pública. A conclusão da sindicância poderá trazer recomendações para aprimoramento de procedimentos. O Banco Central continua monitorando o sistema para prevenir instabilidades semelhantes.

Principais operações questionadas

  • Compra de carteiras de crédito sem avaliação adequada de risco.
  • Oferta de CDBs com remunerações acima da média de mercado.
  • Transações que retornavam recursos ao próprio banco por circuitos complexos.
  • Investimentos de fundos de previdência em títulos da instituição.

Essas práticas contribuíram para o quadro que levou à intervenção regulatória.

A investigação interna representa passo importante para esclarecimento completo dos fatos. O Banco Central atua para garantir que lições do caso sejam incorporadas à rotina de supervisão. A estabilidade do sistema financeiro permanece como prioridade absoluta do órgão.