Uma lista preliminar que circula em fontes especializadas da indústria de tecnologia aponta que um número significativo de smartphones das marcas Xiaomi, Redmi e POCO não será contemplado com a futura atualização para o HyperOS 3.1. A nova versão do sistema operacional, que será construída sobre o Android 16, tem como principal foco a integração de recursos avançados de inteligência artificial, que demandam um poder de processamento presente apenas em hardware mais recente.
A estratégia da gigante chinesa indica uma mudança de paradigma, priorizando a execução de funções de IA diretamente no dispositivo, o que impõe limitações técnicas a modelos lançados em anos anteriores. Embora a Xiaomi ainda não tenha divulgado um cronograma oficial ou a lista definitiva de aparelhos compatíveis, a informação vem ganhando força desde o início de 2026, gerando discussões entre os usuários da marca.
Para muitos consumidores, a notícia representa um ponto de inflexão, já que a ausência de grandes atualizações de sistema pode influenciar a decisão de manter o aparelho atual ou investir em um modelo mais novo. Os dispositivos afetados devem receber o HyperOS 3.0 como sua última grande atualização, enquanto outros modelos, especialmente de entrada, podem ter seu ciclo de vida de software encerrado ainda antes.
Os critérios técnicos por trás da decisão
A principal razão para a exclusão de dezenas de modelos da atualização para o HyperOS 3.1 está diretamente ligada aos requisitos de hardware para o processamento de inteligência artificial. A nova versão do sistema fará uso intensivo da Unidade de Processamento Neural (NPU), um componente do chipset dedicado a acelerar tarefas de machine learning. Funções como edição de imagem generativa, assistentes contextuais e otimizações de desempenho em tempo real dependerão fortemente dessa capacidade.
Chipsets mais antigos, como os da série Snapdragon 8 Gen 1 ou equivalentes de outras fabricantes, embora ainda potentes para tarefas cotidianas, não possuem a arquitetura otimizada para lidar com a carga de trabalho exigida pela nova geração de IA sem comprometer a performance geral do aparelho, o que poderia resultar em lentidão e consumo excessivo de bateria. Dessa forma, a Xiaomi opta por limitar a atualização para garantir uma experiência de usuário fluida e estável nos dispositivos que receberão o novo software, concentrando seus esforços nos flagships e intermediários premium mais recentes.
Lista de aparelhos que devem parar no HyperOS 3.0
Um grupo considerável de dispositivos, incluindo antigos topos de linha que ainda apresentam excelente desempenho, receberá a atualização para o HyperOS 3.0, baseada no Android 15, como o último grande update de sistema. Esses usuários continuarão a receber pacotes de segurança por um período adicional, garantindo a proteção contra vulnerabilidades, mas não terão acesso às inovações de inteligência artificial e interface do HyperOS 3.1.
Na linha principal da Xiaomi, a lista inclui: Xiaomi 12, Xiaomi 12 Pro, Xiaomi 12S, Xiaomi 12S Pro, Xiaomi 12S Ultra, Xiaomi 12T Pro, Xiaomi MIX Fold 2, Xiaomi Pad 6 Max 14, Xiaomi Civi 2, Xiaomi Civi 3 e Xiaomi 13 Lite.
Para a marca POCO, os modelos afetados são: POCO F5, POCO F5 Pro, POCO M6 Pro, POCO X6 Neo e POCO C65. Já na linha Redmi, a atualização final será para os modelos: Redmi K60, Redmi K60 Pro, Redmi Note 12 Turbo, Redmi Note 12T Pro e Redmi Note 13R Pro.
Dispositivos com suporte encerrado antes do Android 15
Outra categoria de aparelhos enfrenta uma restrição ainda mais severa, não devendo receber nem mesmo a atualização completa para o HyperOS 3.0 com a base do Android 15. Este grupo é composto majoritariamente por smartphones de entrada e intermediários básicos, refletindo a política de suporte de software que prioriza modelos com maior volume de vendas e hardware mais robusto.
Para os proprietários desses dispositivos, a principal consequência é a estagnação em uma versão mais antiga do Android, o que, a longo prazo, pode gerar incompatibilidade com novos aplicativos e o fim do recebimento de patches de segurança, tornando o aparelho mais vulnerável.
A lista de modelos que não devem ser atualizados para a base do Android 15 inclui o Xiaomi 12T e diversos aparelhos populares das linhas Redmi.
Entre os afetados estão: Redmi Note 13 4G (incluindo a versão com NFC), Redmi Note 12 4G (e suas variantes), Redmi Note 12S, Redmi Note 12R, Redmi 12 (versões 4G e 5G), Redmi 13C (versões 4G e 5G) e o Redmi 13R.
A evolução do HyperOS e a aposta em inteligência artificial
Lançado em 2023 para substituir a antiga interface MIUI, o HyperOS representa um passo fundamental na estratégia da Xiaomi de criar um ecossistema integrado e inteligente, conectando não apenas smartphones, mas também relógios, tablets, dispositivos de casa conectada e até mesmo seus veículos elétricos. A versão 3.1 aprofunda essa visão ao colocar a inteligência artificial no centro da experiência do usuário. As novas funcionalidades vão além de simples melhorias estéticas, incorporando ferramentas de IA generativa para edição de fotos e vídeos, criação de resumos inteligentes de textos e páginas da web, e um assistente virtual mais proativo e contextual. A ênfase no processamento local, ou seja, diretamente no hardware do aparelho, visa garantir maior privacidade e velocidade, pois minimiza a dependência de servidores na nuvem para executar essas tarefas complexas. Essa abordagem, no entanto, é o que cria a barreira tecnológica para dispositivos mais antigos, que não foram projetados com esse tipo de processamento em mente, solidificando a IA como o principal motor para a evolução do software e, consequentemente, para a renovação do hardware no mercado de smartphones.
O que isso significa para os usuários no Brasil
No mercado brasileiro, onde muitos dos modelos listados alcançaram grande popularidade devido à sua excelente relação custo-benefício, a notícia sobre o fim das atualizações gera um impacto direto. Proprietários desses aparelhos, que ainda são perfeitamente capazes de executar as tarefas do dia a dia, como redes sociais, aplicativos de mensagens e jogos, se veem diante da decisão de continuar com um dispositivo funcional, porém defasado em software, ou planejar uma futura troca.
A falta de novas versões do sistema operacional não inutiliza o smartphone imediatamente, mas limita o acesso a novas funcionalidades e, mais criticamente, ao ciclo de atualizações de segurança. Com o tempo, a ausência desses patches pode expor o usuário a falhas de segurança que são corrigidas apenas nas versões mais recentes do Android. Além disso, a desvalorização desses modelos no mercado de usados tende a se acentuar.
Alternativas no ecossistema e próximos passos
Para os consumidores que desejam permanecer no ecossistema da marca e ter acesso às últimas tecnologias, a Xiaomi, junto com as submarcas Redmi e POCO, mantém um cronograma de lançamentos constantes. Modelos intermediários e topos de linha lançados entre 2025 e 2026 já são desenvolvidos com os novos requisitos de hardware em mente, garantindo a elegibilidade para o HyperOS 3.1 e futuras versões. A recomendação para os usuários é aguardar a comunicação oficial da empresa, que geralmente detalha o plano de distribuição das atualizações por modelo e região meses antes do início do processo. A verificação da compatibilidade poderá ser feita diretamente nas configurações do aparelho.
