Ferrari impõe ritmo forte no Bahrein enquanto Red Bull e Mercedes sofrem com falhas técnicas
O segundo dia de testes da pré-temporada da Fórmula 1 no Circuito Internacional do Bahrein começou com um cenário de contrastes marcantes entre as principais equipes do grid. Enquanto a Ferrari demonstrou solidez e velocidade imediata, rivais diretos enfrentaram dificuldades significativas que limitaram drasticamente o tempo de pista. Charles Leclerc, pilotando o monoposto da escuderia italiana, assumiu o protagonismo da sessão matinal, cravando a melhor volta com 1m34s273 e completando um total de 62 voltas, um número expressivo que indica a confiabilidade do novo pacote técnico para a temporada de 2026.
A performance de Leclerc não foi apenas sobre velocidade pura, mas também sobre consistência. A Ferrari focou em simulações de corrida e validação de dados aerodinâmicos, aproveitando as condições ideais da pista em Sakhir. O piloto monegasco conseguiu executar o programa planejado sem interrupções, algo crucial nesta fase de desenvolvimento onde cada quilômetro conta para a correlação entre o túnel de vento e a realidade do asfalto. A estabilidade do carro nas curvas de média e alta velocidade foi um ponto de destaque observado por analistas presentes no autódromo.
2日目午前のセッションではルクレールがノリスをリード
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— フォーミュラ 1 (@F1)2026 年 2 月 12 日
Logo atrás da Ferrari, a McLaren mostrou poder de reação. Lando Norris, que havia enfrentado contratempos no dia anterior, registrou o segundo melhor tempo e foi o piloto que mais acumulou quilometragem na manhã, com 64 voltas. A equipe britânica parece ter superado as falhas iniciais, focando agora em refinar o acerto do carro e garantir que a unidade de potência suporte as exigências do longo calendário. A presença de Norris no topo da tabela de voltas completadas traz um alívio para os engenheiros de Woking, que buscam consolidar a equipe como desafiante ao título desde a primeira etapa.
Outra surpresa positiva da manhã foi o desempenho da Alpine. Pierre Gasly colocou o carro francês na terceira posição, mostrando um ritmo competitivo que pode indicar um avanço no desenvolvimento do chassi. A Williams também teve uma manhã produtiva com Alex Albon, que empatou com Leclerc em número de voltas (62), sugerindo que a equipe de Grove priorizou a durabilidade e a coleta de dados em longos stints, uma estratégia fundamental para o pelotão intermediário que busca capitalizar sobre qualquer erro das equipes de ponta.
Pesadelo na garagem da Red Bull e Mercedes
Se a manhã foi de sorrisos na Ferrari e McLaren, o clima foi tenso nas garagens da Red Bull e da Mercedes. A equipe austríaca, acostumada a dominar as sessões de testes nos últimos anos, viveu um drama com Liam Lawson ao volante. O piloto neozelandês passou a maior parte das quatro horas de sessão preso nos boxes, enquanto os mecânicos trabalhavam freneticamente na parte traseira do carro. Problemas no sistema de refrigeração e ajustes complexos na unidade de potência forçaram a remoção da carenagem do motor, expondo as entranhas do veículo e impedindo qualquer programa de rodagem significativo.
Para a Red Bull, perder quase toda a manhã de um dia de testes é um golpe duro. Com a redução dos dias de pré-temporada, cada hora perdida representa um atraso no entendimento dos novos pneus e na otimização da aerodinâmica. A falta de dados concretos sobre o comportamento do carro em temperaturas mais altas pode comprometer a preparação para a corrida de abertura, que acontece no mesmo circuito. A linguagem corporal dentro do box da equipe energética denotava preocupação, contrastando com a tranquilidade vista na garagem vizinha da Ferrari.
A situação na Mercedes foi igualmente frustrante, especialmente para o jovem Andrea Kimi Antonelli. O estreante, sobre quem recaem enormes expectativas, conseguiu completar apenas três voltas antes de ser chamado de volta aos boxes. A equipe alemã detectou uma falha nos sistemas de software do carro, um problema eletrônico que paralisou as atividades. Em uma era onde os carros de Fórmula 1 são computadores sobre rodas, uma falha de sistema pode ser tão terminal para uma sessão quanto um motor quebrado.
A interrupção foi particularmente prejudicial para Antonelli, que precisa de cada minuto de pista para se adaptar às exigências físicas e mentais da categoria máxima. A Mercedes confirmou que a falha exigiu uma reinicialização completa de certos módulos e uma verificação de segurança detalhada, consumindo o tempo precioso que seria dedicado a voltas de instalação e verificação de sistemas básicos. A pressão agora recai sobre a sessão da tarde para recuperar o tempo perdido.
Testes aerodinâmicos e condições da pista
Além dos tempos de volta, a manhã foi marcada pelo uso extensivo de aparatos de medição aerodinâmica. Diversas equipes, incluindo a Ferrari e a Williams, iniciaram o dia com grandes grades de sensores (aero rakes) montadas nas laterais e na traseira dos carros. Esses dispositivos medem o fluxo de ar e a pressão, permitindo que os engenheiros visualizem se o ar está se comportando conforme projetado nos computadores da fábrica.
O uso de tinta de fluxo (flow-vis) também foi notável. A substância fluorescente, aplicada em asas e sidepods, revela os caminhos que o vento percorre sobre a carroceria em alta velocidade. No Bahrein, onde o vento costuma ser um fator complicador, entender a sensibilidade aerodinâmica do carro a rajadas laterais é vital. A pista apresentou condições representativas, com temperaturas subindo gradualmente, oferecendo um cenário realista para o desgaste de pneus.
A superfície abrasiva do circuito de Sakhir é um teste definitivo para a gestão de borracha. As equipes que conseguiram realizar stints longos, como McLaren e Williams, já possuem dados valiosos sobre a degradação térmica dos compostos da Pirelli para 2026. Essa informação é ouro para as estratégias de pit stop da primeira corrida. Quem não rodou, como a Red Bull, entra no escuro nesse aspecto.
Expectativa para a estreia da Audi e recuperação à tarde
Com o fim da sessão matinal, as atenções se voltam para a tarde, onde se espera que as equipes com problemas tentem compensar a quilometragem perdida. A Sauber/Audi prepara o carro para o brasileiro Gabriel Bortoleto, que terá a responsabilidade de continuar o programa de desenvolvimento. A entrada da Audi como equipe de fábrica (ou em transição final para tal, dependendo do estágio exato em 2026) atrai olhares curiosos sobre a potência e confiabilidade de seu conjunto.
Para a Red Bull e Mercedes, a tarde será uma corrida contra o tempo. Os mecânicos terão o intervalo de almoço para finalizar os reparos e garantir que seus pilotos possam ir à pista assim que a luz verde acender. A confiabilidade, muitas vezes negligenciada em prol da performance pura, provou ser o fiel da balança neste segundo dia. Em um campeonato que promete ser disputado nos detalhes, começar o ano com o carro na garagem é um luxo que nenhuma equipe de ponta pode se dar.
Os tempos registrados pela manhã, embora não definitivos, desenham uma hierarquia inicial onde a Ferrari parece ter nascido bem, a McLaren mostra resiliência e as potências dominantes do passado recente enfrentam dores de crescimento com seus novos projetos. O restante da pré-temporada será decisivo para ver se esses problemas são apenas soluços iniciais ou falhas crônicas de projeto.















