Aston Martin e Cadillac enfrentam sérios problemas mecânicos em testes da F1 no BahreinPor Thiago Lemos
7 min de leitura
![]() |
A primeira rodada de testes da pré-temporada da Fórmula 1 em 2026 encerrou-se com um cenário de preocupação genuína para duas equipes específicas do grid. Aston Martin e Cadillac deixaram o Circuito de Sakhir, no Bahrein, sob um forte sinal de alerta devido a recorrentes falhas mecânicas e um desempenho em pista que ficou aquém das expectativas iniciais. Enquanto os novos regulamentos técnicos de motores e aerodinâmica prometiam uma revolução na categoria, a realidade prática mostrou que a confiabilidade ainda é um obstáculo severo para os projetos recém-saídos da prancheta.
As atividades realizadas entre quarta e sexta-feira revelaram padrões de quebras que impediram o cumprimento total dos cronogramas planejados pelos engenheiros. A Cadillac, que faz sua estreia oficial como a 11ª equipe do campeonato, enfrentou dificuldades para manter seus carros em operação constante durante as sessões matinais e vespertinas. Por outro lado, a Aston Martin, agora impulsionada pelos motores Honda, registrou a menor quilometragem entre todos os competidores, evidenciando um atraso significativo em relação aos adversários diretos no desenvolvimento do modelo AMR26.
Os dados coletados ao longo dos três dias de testes apontam para uma disparidade técnica considerável no início desta nova era da competição. Durante os trabalhos de pista, observou-se que:
- A quilometragem total da Aston Martin foi de apenas 206 voltas, o pior índice do grid.
- A Cadillac somou 320 giros, ficando à frente apenas de Alpine, Mercedes e Aston Martin.
- O tempo de volta da Cadillac chegou a ficar 3 segundos atrás dos líderes em sessões específicas.
- Falhas de motor e superaquecimento foram os principais motivos de interrupções nas garagens.

Dificuldades técnicas marcam estreia da Cadillac na categoria
A equipe norte-americana Cadillac viveu dias intensos e problemáticos em sua primeira experiência oficial de pista na Fórmula 1 moderna. Na quinta-feira, o piloto Sergio Pérez causou a interrupção da sessão ao parar o carro no traçado, forçando o acionamento da bandeira vermelha e o uso de guincho para a retirada do bólido. O incidente limitou o tempo de pista do mexicano, embora seu companheiro de equipe, Valtteri Bottas, tenha conseguido registrar o oitavo melhor tempo naquele mesmo dia, mostrando lampejos de potencial.
A sexta-feira, porém, trouxe novos revezes para a operação liderada por Graeme Lowdon, com Bottas ficando estacionado logo no início da manhã por problemas mecânicos. O finlandês só conseguiu retornar ao asfalto na hora final da sessão, totalizando apenas 37 voltas em seu turno de pilotagem. Apesar do esforço de Pérez na parte da tarde para recuperar o tempo perdido, a equipe encerrou a semana com a quarta menor quilometragem total, evidenciando a falta de resistência do conjunto.
Desempenho da unidade de potência Ferrari em contraste
Embora a Cadillac utilize motores fornecidos pela Ferrari, o desempenho da equipe americana contrastou fortemente com os resultados obtidos pela Haas, outra cliente da fabricante italiana. A Haas demonstrou uma solidez impressionante, acumulando 390 voltas sem registrar qualquer tipo de falha grave com os pilotos Oliver Bearman e Esteban Ocon. Essa diferença de confiabilidade sugere que os problemas da Cadillac podem estar mais ligados à integração do chassi e sistemas periféricos do que propriamente à unidade de potência.
O chefe da equipe, Graeme Lowdon, buscou manter a calma em suas declarações públicas, afirmando que o carro serve como uma plataforma básica para o desenvolvimento futuro. Ele destacou que, apesar dos contratempos que reduziram os planos de corrida, o feedback dos pilotos sobre a dirigibilidade tem sido positivo e preciso. Lowdon enfatizou que problemas sérios de dirigibilidade seriam mais preocupantes do que falhas de confiabilidade nesta fase embrionária, tratando os incidentes como parte do processo de aprendizado de uma equipe estreante.
Crise de performance e frustração interna na Aston Martin
A situação na Aston Martin parece ainda mais delicada, com declarações fortes vindas de seus principais protagonistas após o encerramento dos testes. Lance Stroll não escondeu o pessimismo ao afirmar que a equipe parece estar cerca de quatro segundos atrás dos times de ponta no momento. O piloto canadense chegou a ironizar a situação técnica, comentando que a pintura do novo carro era o único ponto positivo visível do projeto até agora, o que gerou repercussão imediata nos bastidores.
Fernando Alonso também demonstrou sinais claros de irritação, sendo visto nos boxes em momentos de frustração visível durante as sessões de quinta-feira. O bicampeão mundial já havia alertado anteriormente sobre as dificuldades esperadas para o início da temporada, focando suas esperanças em uma evolução para o segundo semestre de 2026. A chegada de Adrian Newey ao time técnico ainda não surtiu o efeito imediato esperado, com o próprio projetista admitindo que o cronograma de desenvolvimento está meses atrasado.
Rumores sobre o motor Honda e o desafio do resfriamento
Especulações no paddock indicam que o principal gargalo da Aston Martin reside na nova unidade de potência desenvolvida pela Honda, que substitui a Mercedes como fornecedora. Relatos apontam que o motor estaria sofrendo com problemas constantes de superaquecimento, o que obriga a equipe a operar o equipamento abaixo da rotação ideal para evitar quebras definitivas. Embora Alonso tenha negado publicamente que o motor seja o único culpado, o histórico recente de declarações da cúpula da Honda confirma que o desenvolvimento não seguiu o plano original.
A integração entre o chassi AMR26 e o motor japonês tem se mostrado um desafio complexo, exigindo mudanças drásticas na aerodinâmica interna para melhorar o fluxo de ar. Mike Krack, diretor de pista, reconheceu que o nível de trabalho necessário para alcançar os concorrentes é imenso e que a equipe ainda não atingiu o patamar de competitividade desejado. Ele reiterou que o pacote possui potencial latente, mas que a exploração desse desempenho exigirá um esforço redobrado nas semanas que antecedem a primeira corrida oficial.
Perspectivas para a sequência dos trabalhos pré-temporada
O cronograma da Fórmula 1 prevê a continuidade das atividades no Bahrein na próxima semana, com transmissões ao vivo programadas para acompanhar a evolução das equipes. Para Cadillac e Aston Martin, os próximos dias serão cruciais para realizar ajustes emergenciais nos sistemas que apresentaram falhas críticas de confiabilidade. O foco sairá temporariamente da busca por tempos de volta rápidos para priorizar a permanência dos carros na pista pelo maior tempo possível, visando coletar os dados necessários para o refinamento dos projetos.
As equipes de engenharia em Silverstone e na base da Cadillac devem trabalhar em turnos ininterruptos para processar as informações de telemetria obtidas nesta primeira rodada. A pressão por resultados é alta, especialmente considerando o investimento massivo feito pela Aston Martin em infraestrutura e na contratação de talentos técnicos de renome. O cenário atual mostra que, em um regulamento tão complexo quanto o de 2026, a experiência prévia e a integração eficiente de sistemas valem tanto quanto o arrojo no design aerodinâmico.
Expectativa de evolução constante
A natureza da pré-temporada permite que evoluções rápidas aconteçam entre uma semana de testes e outra, mas o déficit de quilometragem acumulado por Aston Martin e Cadillac representa uma perda de tempo preciosa. Cada volta não completada significa menos dados sobre o desgaste de pneus, consumo de combustível e comportamento térmico dos componentes sob condições de corrida. A corrida contra o tempo agora é o principal adversário desses dois times, que precisam provar que seus conceitos são viáveis antes da abertura oficial do campeonato.







