Sony estuda arquitetura mista da AMD no PlayStation 6 para frear custos e otimizar desempenho gráfico

Sony - Michael Vi/ Shutterstock.com

Sony - Michael Vi/ Shutterstock.com

Informações recentes que circulam nos bastidores da indústria de tecnologia indicam uma mudança estratégica significativa no desenvolvimento da próxima geração de consoles da Sony. O planejamento para o sucessor do atual hardware de videogames aponta para a utilização de uma estrutura de processamento gráfico híbrida, afastando-se da ideia de adotar integralmente a arquitetura mais recente disponível no momento do lançamento. O objetivo central dessa manobra técnica seria evitar que o preço final do produto ultrapasse barreiras proibitivas para o consumidor médio, garantindo ao mesmo tempo um salto geracional em fidelidade visual.

Estratégia de hardware e controle de preços

A engenharia por trás do futuro console, previsto para chegar ao mercado entre 2027 e 2028, parece focar na eficiência de custos sem sacrificar a potência bruta necessária para rodar jogos em resoluções nativas de 4K com taxas de quadros elevadas. A arquitetura RDNA 5 da AMD, que servirá de base para o sistema, não será implementada em sua totalidade. Em vez disso, a fabricante japonesa deve optar por selecionar apenas os recursos mais avançados dessa tecnologia, como núcleos dedicados à inteligência artificial e melhorias em Ray Tracing, combinando-os com blocos lógicos de gerações anteriores que já se provaram estáveis e mais baratos de fabricar.

Sony – Foto: abdullah serbest / Shutterstock.com

O cenário econômico global de semicondutores exerce uma pressão considerável sobre essa decisão. Com a explosão da demanda por componentes voltados para data centers de inteligência artificial, o custo de memórias de alta velocidade e processadores gráficos disparou. Relatórios de mercado sugerem que o preço de módulos GDDR7 e unidades de armazenamento SSD sofreu aumentos expressivos, o que poderia empurrar o valor de varejo do console para acima de US$ 600 caso uma arquitetura de ponta pura fosse utilizada. A solução híbrida surge como uma resposta pragmática para manter as margens de lucro saudáveis e o preço do hardware competitivo frente a outras opções de entretenimento.

Especialistas apontam que essa não é uma tática inédita para a empresa. O modelo atual já utilizou uma estratégia semelhante ao basear sua GPU na arquitetura RDNA 2, mas incorporando funcionalidades que só seriam padronizadas em gerações posteriores da AMD. A repetição desse modelo de negócios visa entregar um produto que se mantenha relevante por um ciclo de vida estimado em sete ou oito anos, suportando as inovações gráficas que os desenvolvedores exigirão na segunda metade da década.

Especificações técnicas e largura de banda

O coração do sistema deve ser fabricado em um processo de litografia de 3 nanômetros pela TSMC, garantindo uma eficiência energética superior. As especificações preliminares que estão sendo discutidas na cadeia de suprimentos detalham um sistema de memória robusto, projetado para eliminar gargalos no carregamento de texturas de alta resolução e na renderização de mundos abertos complexos. A configuração esperada inclui:

  • Implementação de 30 GB de memória GDDR7;
  • Barramento de 160 bits utilizando layout clamshell;
  • Largura de banda efetiva alcançando 640 GB/s;
  • Uso de 10 módulos de 3 GB para otimização de espaço físico.

Comparativamente, esse arranjo representa um salto massivo em relação aos padrões atuais, permitindo que os desenvolvedores criem ambientes muito mais densos e detalhados. A largura de banda expandida é fundamental para alimentar os núcleos gráficos híbridos, que deverão lidar com cálculos de iluminação global em tempo real e geometria complexa sem a necessidade de telas de carregamento visíveis.

Ainda no campo das especificações, especula-se que a CPU será baseada na arquitetura Zen 6, contando com 8 a 10 núcleos. Uma novidade interessante seria a inclusão de núcleos de baixa potência dedicados exclusivamente ao sistema operacional e tarefas de fundo, liberando todo o poder dos núcleos principais para a execução dos jogos. Essa separação de tarefas garante que o sistema permaneça ágil e responsivo, mesmo quando aplicações pesadas estiverem em execução.

Ecossistema expandido e portabilidade

Além do console de mesa principal, a estratégia da Sony para a próxima geração parece incluir uma aposta forte no mercado de dispositivos portáteis. Rumores consistentes apontam para o desenvolvimento de um hardware móvel que funcionaria de forma nativa, e não apenas via streaming. Este dispositivo, que poderia rivalizar com sucessores do Steam Deck e do Nintendo Switch, compartilharia a mesma arquitetura base do console de mesa, facilitando o desenvolvimento de jogos que rodem em ambas as plataformas com ajustes de escala.

As especificações ventiladas para este portátil incluem 24 GB de memória LPDDR5X e uma GPU com 16 unidades computacionais baseadas na mesma tecnologia híbrida RDNA 5. Com um consumo energético estimado entre 15W e 30W, o aparelho seria capaz de rodar os títulos da nova geração com ajustes gráficos, mantendo a integridade da experiência de jogo. A integração com o ecossistema seria total, permitindo que os jogadores iniciem uma sessão na TV e continuem no portátil sem interrupções, graças ao salvamento em nuvem e à paridade de arquitetura.

Impacto da inteligência artificial nos jogos

A colaboração técnica entre a Sony e a AMD, conhecida internamente como “Project Amethyst”, coloca a inteligência artificial no centro da experiência de jogo. A tecnologia de upscaling PSSR (PlayStation Spectral Super Resolution) deve receber uma atualização significativa, permitindo que jogos renderizados internamente em resoluções menores sejam exibidos em 4K ou até 8K com qualidade indistinguível da nativa. Isso alivia a carga sobre a GPU, permitindo que o poder de processamento seja redirecionado para física, iluminação e comportamento de NPCs.

A promessa é de que a renderização assistida por aprendizado de máquina se torne o padrão da indústria. Desenvolvedores já estariam trabalhando com kits de desenvolvimento preliminares que exploram essas capacidades para criar NPCs mais dinâmicos e reativos, além de ambientes que mudam organicamente. A tecnologia de geração de quadros (frame generation) também deve ser nativa, garantindo fluidez visual mesmo em cenários de alta complexidade gráfica.

Desafios de produção e cronograma

O cronograma de lançamento enfrenta obstáculos logísticos importantes. A crise de componentes, impulsionada pela competição com o setor de servidores de IA, mantém os preços de memórias e controladores em patamares elevados. Analistas de mercado preveem que essa tendência de alta se mantenha até 2028, o que exige cautela na definição da data final de lançamento do produto. A empresa monitora constantemente a flutuação de preços para definir o momento exato de iniciar a produção em massa, evitando prejuízos iniciais agressivos por unidade vendida.

Os testes iniciais com os novos chips estão programados para começar em janeiro de 2027. Se os resultados de rendimento e dissipação térmica forem satisfatórios, a produção em larga escala pode ser iniciada no final do mesmo ano. No entanto, qualquer atraso na maturação do processo de 3nm ou na disponibilidade de memórias GDDR7 pode empurrar a chegada do console para o ano seguinte. A prioridade é garantir um estoque robusto no lançamento para evitar a escassez que marcou o início da geração atual.

Apesar das incertezas econômicas, a direção tecnológica parece definida. A aposta em uma arquitetura híbrida reflete um amadurecimento da indústria, que passa a valorizar a eficiência e a integração de recursos específicos em detrimento da força bruta pura. Com a promessa de retrocompatibilidade total e melhorias substanciais em Ray Tracing e IA, o próximo ciclo de consoles promete redefinir mais uma vez os limites do entretenimento digital.

Maria: Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.