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A Acadêmicos de Niterói, agremiação que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu desfile de carnaval, foi rebaixada para a Série Ouro do carnaval carioca. A escola obteve apenas 264,6 pontos na apuração, ficando na última colocação do Grupo Especial.

O resultado, divulgado em 18 de fevereiro de 2026, marca o retorno da Acadêmicos de Niterói à liga de acesso um ano após sua ascensão, frustrando as expectativas de permanência na elite. O enredo que narrava a trajetória de Lula gerou intensos debates e controvérsias ao longo do período pré-carnavalesco e durante o espetáculo.

A queda se deu em meio a discussões sobre a politização do samba e falhas apontadas por analistas em diversos quesitos de avaliação, contribuindo para o desempenho insuficiente na Marquês de Sapucaí.

Desempenho na apuração oficial

Acadêmicos de Niterói — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A contagem final dos pontos revelou o frágil posicionamento da Acadêmicos de Niterói, que acumulou apenas 264,6 pontos. Este placar a colocou atrás da Mocidade Independente de Padre Miguel, que também lutava para permanecer no Grupo Especial, garantindo a sua permanência por uma pequena margem.

Durante a apuração, a escola de Niterói recebeu somente duas notas 10, o que sublinhou as dificuldades em diversos quesitos. A falta de unanimidade e as pontuações mais baixas em setores cruciais do desfile foram determinantes para o desfecho negativo na classificação geral.

O enredo controverso e as discussões

O enredo escolhido pela Acadêmicos de Niterói, intitulado “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, foi o epicentro de uma série de polêmicas. A temática, que celebrava a trajetória do atual presidente, suscitou reações variadas e intensos debates no ambiente carnavalesco e político.

Diversos opositores de Lula expressaram críticas contundentes, alegando que o desfile poderia configurar propaganda eleitoral antecipada. Essas contestações chegaram a motivar tentativas de intervenção judicial, buscando impedir ou modificar a apresentação da escola na Marquês de Sapucaí, gerando um cenário de incerteza legal.

A situação atraiu a atenção da imprensa internacional, que noticiou os possíveis riscos legais e a interpretação do desfile como uma violação das regras de campanha. No âmbito nacional, o presidente do PT se manifestou, qualificando as ações da oposição como “ridículas” diante da liberdade de expressão artística.

A presença de autoridades na Sapucaí

Apesar das controvérsias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se envolveu diretamente no desenvolvimento do desfile e tampouco participou da apresentação na avenida. Contudo, antes do carnaval, ele se reuniu com representantes da Acadêmicos de Niterói, demonstrando proximidade com a agremiação.

Na noite de domingo, 15 de fevereiro, para a madrugada de segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026, Lula marcou presença na Marquês de Sapucaí. O presidente acompanhou de perto as escolas de samba, recebendo a atenção da mídia e dos foliões presentes no sambódromo.

Ele assistiu aos desfiles de um camarote exclusivo, gentilmente cedido pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Ao seu lado, estavam figuras importantes como o prefeito Eduardo Paes, aliado político, a primeira-dama Janja da Silva, além de ministros e outros membros do seu círculo de apoio.

A presença de altas autoridades em um desfile com um enredo tão politizado intensificou o debate público. A visibilidade conferida ao tema e à escola por essas figuras adicionou uma camada extra de discussão sobre os limites entre a arte, a cultura popular e a política institucional.

Falhas técnicas e expectativas de permanência

Para além das questões políticas e jurídicas que cercaram a Acadêmicos de Niterói, o desfile da escola foi marcado por notáveis falhas técnicas. Diversos analistas e especialistas em carnaval apontaram problemas na execução de quesitos cruciais, como alegorias, fantasias e harmonia, impactando diretamente a avaliação dos jurados.

Estes problemas técnicos se somaram ao clima de controvérsia gerado pelo enredo, criando um cenário desafiador para a agremiação. Embora a escola tivesse conquistado a Série Ouro em 2025, garantindo seu lugar no Grupo Especial, o histórico do carnaval carioca frequentemente mostra que escolas recém-promovidas enfrentam grandes dificuldades para se manterem na elite no ano subsequente, o que foi o caso.

Representações políticas e religiosas que marcaram o desfile

Um dos pontos de maior polarização durante a apresentação da Acadêmicos de Niterói foi a forma como a escola abordou figuras políticas proeminentes, transformando o desfile em uma arena para críticas incisivas. O ex-presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, foi retratado de maneira caricata, surgindo como um palhaço em uma das alegorias, uma representação que gerou forte reação entre seus apoiadores e parte da opinião pública.

Adicionalmente, outra cena que suscitou grande repercussão foi a representação de Michel Temer. Ele apareceu em um carro alegórico encenando o momento de retirada da faixa presidencial de uma figura que simbolizava a ex-presidente Dilma Rousseff, um claro aceno ao processo de impeachment. Essa dramatização provocou debates sobre a interpretação histórica dos fatos e a liberdade artística na abordagem de temas delicados.

Contudo, a polêmica mais acalorada talvez tenha sido a representação de evangélicos em latas de conserva, o que foi amplamente interpretado como uma afronta e discriminação religiosa por setores da sociedade. Este segmento do desfile motivou uma ação formal da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), que se posicionou contra o que considerou um ato de intolerância, adicionando uma séria dimensão jurídica e social à avaliação geral da escola.

O futuro da agremiação no carnaval

Com o rebaixamento consumado, a Acadêmicos de Niterói agora se prepara para retornar à Série Ouro no próximo ciclo do carnaval carioca. A agremiação terá o desafio de reestruturar sua equipe, rever seu planejamento artístico e buscar um enredo que possa resgatar a confiança da comunidade e dos jurados, visando uma nova ascensão ao Grupo Especial nos anos seguintes.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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