O governo libanês anunciou na segunda-feira, 2 de março de 2026, a proibição imediata das atividades militares e de segurança do Hezbollah, classificando-as como ilegais e exigindo a entrega de armas ao Estado. Essa medida, tomada após o lançamento de foguetes pelo grupo contra Israel, representa uma mudança significativa na dinâmica política do país, onde o Hezbollah atua como força militar há décadas.
O presidente Joseph Aoun enfatizou que a decisão é soberana e definitiva, destacando que os foguetes partiram de áreas fora da zona sul do rio Litani, onde o Exército libanês mantém posições. Autoridades afirmaram que o Estado detém exclusividade sobre decisões de guerra e paz, rejeitando qualquer ação unilateral que exponha o território nacional a riscos externos.
O primeiro-ministro Nawaf Salam, após reunião do gabinete, ordenou que forças de segurança implementem imediatamente a proibição, limitando o Hezbollah a atividades políticas. Essa postura surge em contexto de retaliações israelenses, que incluíram ataques aéreos em Beirute e regiões sulistas, resultando em dezenas de vítimas.
Medidas governamentais contra o grupo
O gabinete libanês, reunido emergencialmente em Beirute às 8h locais, debateu as repercussões dos lançamentos de mísseis do Hezbollah e as respostas israelenses. A proibição visa restaurar a autoridade estatal sobre o uso de força, evitando que o Líbano seja arrastado para confrontos regionais mais amplos.
Autoridades ordenaram ao Exército que impeça operações não autorizadas ao norte do rio Litani, reforçando o plano de desarmamento. Essa ação inclui monitoramento rigoroso de áreas fronteiriças, onde incidentes recentes elevaram a tensão.
Reações internacionais à decisão
A União Europeia, por meio de declarações de representantes como António Costa, expressou apoio à medida libanesa de encerrar atividades militares do Hezbollah. Essa posição reforça esforços para estabilizar a região, alinhando-se a resoluções da ONU sobre desarmamento de milícias.
Países ocidentais destacaram a importância de limitar o papel do grupo a funções políticas, enquanto o Irã, principal apoiador, manteve silêncio inicial. Observadores internacionais monitoram o cumprimento, prevendo impactos em negociações de cessar-fogo.
Israel, por sua vez, continuou operações contra alvos associados ao Hezbollah, eliminando figuras chave em ataques precisos. Esses eventos aumentam a pressão sobre o governo libanês para implementar efetivamente a proibição.
Ataques e contra-ataques recentes
No domingo, 1º de março de 2026, o Hezbollah lançou mísseis e drones contra posições israelenses, alegando defesa contra agressões prévias. Israel respondeu com mais de 70 ataques aéreos no Líbano, visando armazéns de armas e lançadores.
As forças israelenses relataram a destruição de infraestrutura militar em Beirute e sul do país, resultando em pelo menos 52 mortes, incluindo líderes de grupos aliados como a Jihad Islâmica. O Exército libanês permaneceu neutro, focando em proteção de civis.
Relatos indicam que os bombardeios israelenses danificaram edifícios civis em Baabda, nos arredores da capital, com explosões sequenciais registradas por moradores. O governo libanês condenou as incursões, mas reiterou a necessidade de desarmamento interno.
Essas trocas intensificaram o conflito, com alertas emitidos para evacuação de áreas próximas a redutos do Hezbollah. Autoridades de saúde relataram sobrecarga em hospitais locais devido ao influxo de feridos.
Posicionamento do presidente Aoun
Joseph Aoun, em comunicado divulgado na rede social oficial da presidência, descreveu a proibição como essencial para preservar a soberania libanesa. Ele alertou que ações unilaterais expõem o país a perigos desnecessários, minando esforços para manter neutralidade em disputas regionais.
O presidente enfatizou que o lançamento de foguetes ocorreu fora das zonas controladas pelo Exército, reforçando a urgência de centralizar o controle armamentista. Essa declaração alinhou-se a apelos internacionais por implementação da Resolução 1701 da ONU, que exige desmilitarização ao sul do Litani.
Impacto no cenário regional
O banimento das atividades militares do Hezbollah altera o equilíbrio de poder no Oriente Médio, especialmente em meio ao conflito entre Israel, Estados Unidos e Irã. O grupo, fundado nos anos 1980, resistiu a invasões israelenses em 2006, mas agora enfrenta pressão interna inédita.
Analistas apontam que a decisão pode enfraquecer a influência iraniana no Líbano, promovendo maior integração do Hezbollah na política formal. No entanto, o grupo rejeitou publicamente a medida, defendendo sua autonomia em face de ameaças externas.
A proibição coincide com conferências internacionais para apoiar as forças armadas libanesas, programadas para Paris em março de 2026. Países como Arábia Saudita discutem cooperação militar expandida, visando fortalecer a capacidade estatal contra milícias.
- A Resolução 1701 da ONU, de 2006, estabelece zona desmilitarizada ao sul do rio Litani.
- O Exército libanês deve implementar o desarmamento, com apoio internacional previsto.
- Ataques israelenses visaram mais de 70 alvos, incluindo centros de inteligência.
- O Hezbollah lançou cerca de 20 foguetes, interceptados em parte pelo sistema de defesa israelense.
Essa dinâmica eleva riscos de escalada, com monitoramento constante por organizações globais.
Desafios para implementação da proibição
A aplicação da decisão enfrenta obstáculos logísticos, dado o arsenal estimado do Hezbollah em milhares de mísseis. O governo planeja operações coordenadas com o Exército para coleta de armas, priorizando áreas urbanas.
Comunidades xiitas, base de apoio do grupo, expressaram preocupações com segurança, temendo vácuo de proteção contra incursões israelenses. Autoridades prometem reforço de tropas estatais para mitigar esses riscos.
O primeiro-ministro Salam instruiu agências de segurança a agir imediatamente, com possibilidade de prisões por violações. Essa abordagem busca restaurar confiança pública no Estado, abalada por anos de instabilidade política.
Contexto histórico das tensões
O Hezbollah emergiu durante a guerra civil libanesa, evoluindo para ator chave na resistência contra ocupações israelenses. Em 2000, contribuiu para a retirada israelense do sul do Líbano, ganhando legitimidade popular.
Conflitos subsequentes, como em 2006, resultaram em destruição significativa, com mais de mil mortes civis. A atual proibição reflete pressões acumuladas por desarmamento, intensificadas por alianças regionais.
Israel mantém operações contra o grupo, alegando ameaças à segurança fronteiriça. Recentemente, eliminou chefes de inteligência em Beirute, escalando retaliações.
O Irã fornece suporte logístico ao Hezbollah, complicando esforços de desarmamento. Negociações internacionais visam reduzir essa influência, promovendo estabilidade libanesa.
Esforços para cessar-fogo
Diplomatas europeus e americanos pressionam por diálogos que implementem a Resolução 1701 integralmente. Reuniões em Paris buscam financiamento para o Exército libanês, estimado em milhões de dólares.
O governo libanês apela por fim mútuo de hostilidades, condenando ataques israelenses enquanto reforça controle interno. Observadores da ONU monitoram a fronteira, relatando violações diárias.
Perspectivas de estabilidade
A proibição pode pavimentar caminho para reformas políticas, integrando facções armadas ao sistema democrático. No entanto, resistência do Hezbollah sugere tensões prolongadas.
Comunidades afetadas demandam assistência humanitária, com agências relatando deslocamentos internos. O Estado prioriza reconstrução de áreas bombardeadas.

