Keeta demite cerca de 200 no Rio após adiar lançamento e foca em São Paulo no deliveryPor Bruna
4 min de leitura
![]() |
A plataforma de delivery Keeta, controlada pela chinesa Meituan, realizou desligamentos de aproximadamente 200 funcionários em sua equipe no Rio de Janeiro nesta quarta-feira (4). A medida ocorre dias após a empresa anunciar o adiamento indefinido do início das operações na capital fluminense, previsto inicialmente para março. A companhia atribui a decisão à necessidade de aprimorar padrões de serviço e resolver barreiras que afetam a concorrência no setor brasileiro de entregas.
Os cortes concentraram-se principalmente nas áreas comercial e de logística, com relatos de que restaram cerca de 36 colaboradores, majoritariamente em posições de liderança com domínio do inglês. A Keeta confirmou os ajustes na equipe do Rio, mas destacou que mantém 1.200 postos de trabalho no país, com redirecionamento de esforços para o fortalecimento da operação em São Paulo, onde atua desde o final de 2025.
Adiamento da operação no Rio de Janeiro
A suspensão do lançamento no Rio foi motivada por desafios operacionais e estruturais identificados pela empresa. Barreiras como contratos de exclusividade firmados por concorrentes com redes de restaurantes limitaram a adesão de estabelecimentos à plataforma.
A Keeta planejava investir cerca de R$ 400 milhões na operação carioca e já contava com interesse de aproximadamente 17 mil restaurantes. No entanto, mais da metade das grandes redes com classificação elevada mantinha acordos exclusivos, o que reduziu a viabilidade imediata do serviço na região.

Relatos de ex-funcionários sobre o processo de demissão
Ex-colaboradores descreveram os desligamentos como conduzidos em reuniões realizadas em dois hotéis na cidade, com grupos de cerca de 60 pessoas distribuídos em salas. Alguns afirmaram que a forma de comunicação e a ausência de suporte adicional geraram insatisfação entre os afetados.
Casos específicos incluíram a demissão de uma funcionária grávida em estágio avançado. Profissionais relataram ainda pressões elevadas por resultados e jornadas extensas durante a preparação da operação, sem canais claros de denúncia interna disponíveis.
Dificuldades logísticas apontadas como fator chave
Problemas na estrutura de entregas contribuíram para a revisão da estratégia no Rio. O modelo adotado pela Keeta, baseado exclusivamente em operadores logísticos terceirizados, enfrentou resistência entre entregadores locais, que preferem maior flexibilidade em contratos.
Restrições contratuais que impediam restaurantes de manterem entregas próprias complicaram a cobertura em áreas como comunidades. Esses entraves dificultaram a garantia de entregas rápidas, diferencial prometido pela plataforma desde sua chegada ao Brasil.
Foco atual da empresa em São Paulo
A Keeta decidiu concentrar recursos na região metropolitana de São Paulo, onde registra bons índices de downloads e parcerias com restaurantes. A companhia avalia que o aperfeiçoamento do serviço nessa base consolidada permitirá avanços mais sustentáveis antes de novas expansões geográficas.
A estratégia inclui diálogo com parceiros locais e autoridades para promover um mercado mais aberto e competitivo. A empresa reafirma o compromisso de longo prazo com o Brasil, mantendo o plano de investir R$ 5,6 bilhões ao longo de cinco anos no país.
Posição oficial da Keeta sobre o mercado brasileiro
A companhia destaca que questões estruturais no segmento de delivery restringem a concorrência saudável e afetam consumidores, restaurantes e entregadores. A Keeta planeja atuar para mitigar essas barreiras e fomentar inovação no setor.
A decisão de adiar a expansão visa elevar padrões de qualidade em todas as frentes da operação. A empresa segue trabalhando com parceiros para construir um ambiente que beneficie todos os envolvidos na cadeia de entregas.
A Keeta chegou ao Brasil no final de 2025, iniciando atividades em cidades do litoral paulista e expandindo para a Grande São Paulo. Os resultados iniciais na região foram positivos, mas a tentativa de replicar o modelo no Rio encontrou obstáculos significativos que demandaram ajustes estratégicos.







