TJRJ acusa Polícia Civil de falhas graves em inquérito de estupro coletivo em CopacabanaPor Bruna
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O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro divulgou nota oficial nesta quinta-feira (5) afirmando que identificou falhas procedimentais repetidas por parte da Polícia Civil durante a condução do inquérito sobre o estupro coletivo sofrido por uma adolescente de 17 anos em Copacabana. A Justiça destacou que tais condutas, se aceitas sem correção, poderiam gerar nulidade total do processo no futuro. A Polícia Civil respondeu por meio de comunicado oficial defendendo que a investigação seguiu critérios de rigor técnico e celeridade.
O confronto público entre as duas instituições ocorreu após o TJRJ rebater informações que sugeriam omissão do Judiciário no caso. A nota do tribunal reforçou que o Judiciário agiu para corrigir irregularidades detectadas nos procedimentos policiais enviados ao sistema.
Principais falhas apontadas pelo Tribunal de Justiça
O inquérito foi encaminhado ao juízo equivocado logo após o crime, ocorrido em 31 de janeiro.
Os pedidos de prisão e busca foram protocolados sem indicação de urgência imediata.
O uso do Plantão Judiciário Noturno foi considerado inadequado pelo TJRJ, já que os documentos foram enviados horas após o expediente normal.
A segunda tentativa de busca e apreensão do adolescente suspeito, feita 18 dias depois, também foi barrada por incompetência do plantão para casos de ato infracional.
Dinâmica relatada pela vítima e indicativos de planejamento
A adolescente contou à polícia que recebeu convite de ex-namorado e colega de escola para ir ao apartamento de um amigo. Ao chegar, percebeu que o encontro não era como esperado e recusou qualquer relação sexual. Os jovens a trancaram em um quarto, praticaram atos libidinosos à força, puxaram seus cabelos, deram chute na barriga e impediram sua saída.
A vítima relatou ainda que os agressores demonstraram preocupação com marcas visíveis no corpo dela e perguntaram se a mãe a veria sem roupa. Exames periciais confirmaram lesões compatíveis com violência física e sexual relatada.
O delegado que conduziu a apuração classificou o episódio como emboscada planejada, aproveitando relação de confiança prévia para atrair a jovem ao local.
Prisões dos quatro acusados maiores de idade
Os quatro jovens maiores de idade foram presos preventivamente entre 3 e 4 de março após mandados expedidos pela 1ª Vara Especializada em Crimes Contra Crianças e Adolescentes.
Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos, se apresentou na 54ª DP (Belford Roxo).
Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos, filho de ex-subsecretário de Direitos Humanos, entregou-se na 12ª DP (Copacabana).
João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos, foi preso na 10ª DP (Botafogo). Matheus Veríssimo Zoel Martins, 19 anos, também se entregou na 12ª DP (Copacabana).
Denúncias adicionais contra o mesmo grupo
Após a repercussão do caso, duas adolescentes procuraram a delegacia e registraram boletins de ocorrência relatando estupros coletivos praticados por integrantes do mesmo grupo em datas anteriores.
Uma das denúncias refere-se a outubro de 2025 e a outra a período anterior ainda em apuração.
A Polícia Civil abriu inquéritos paralelos para investigar as novas acusações e verificar possíveis conexões entre os fatos.
Tramitação atual do processo
O Ministério Público já ofereceu denúncia contra os quatro réus maiores de idade por estupro de vulnerável qualificado e cárcere privado.
O processo tramita na vara especializada, com audiências marcadas para os próximos meses.
O adolescente de 17 anos responde por ato infracional análogo na Vara da Infância e da Juventude, com audiência de instrução agendada para 31 de março.







