Exumação da policial Gisele Santana em SP revela lesões no rosto e pescoço, indicando agressão do marido PMPor Luís Henrique Costa
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Um novo laudo necroscópico, resultado da exumação do corpo da policial militar Gisele Santana, apontou a existência de lesões no rosto e pescoço da vítima. A descoberta adiciona uma camada de complexidade à investigação sobre a morte da PM, inicialmente registrada como suicídio, ocorrida em seu apartamento na região central de São Paulo.
O documento, obtido com exclusividade, detalha que as lesões eram de natureza “contundente”, sugerindo terem sido provocadas “por meio de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal”, que são marcas de unha. Estas novas evidências reabrem questionamentos fundamentais sobre as circunstâncias que levaram à morte da policial, de 32 anos.
Peritos que analisaram o caso indicam que Gisele Santana pode ter desmaiado antes de ser atingida por um tiro na cabeça, não apresentando qualquer tipo de defesa. A trágica ocorrência foi registrada no apartamento que Gisele compartilhava com seu marido, o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, localizado no Brás.
Novas evidências da exumação
A exumação do corpo de Gisele Santana, realizada por médicos legistas do Instituto Médico-Legal (IML) Central, incluiu exames de imagem avançados, como uma tomografia. Os resultados desses procedimentos foram cruciais para identificar as lesões antes não percebidas, que agora se tornam pontos centrais na apuração.
As marcas de pressão e unhas na região cervical e facial da vítima são indicativos fortes de um possível confronto físico anterior ao disparo fatal. Especialistas em medicina legal afirmam que tais sinais são frequentemente associados a lutas ou contenções, o que pode alterar significativamente a narrativa inicial de suicídio e direcionar a investigação para a hipótese de homicídio.
Inconsistências no relato inicial
A investigação do caso da PM Gisele Santana tem sido marcada por uma série de inconsistências desde os momentos iniciais, levantando sérias dúvidas sobre a versão apresentada pelo marido da vítima, o tenente-coronel Geraldo Neto. Depoimentos colhidos pela Polícia Civil destacam pontos que divergem da declaração do oficial, que alegou estar tomando banho no momento do disparo.
Uma vizinha do casal relatou ter ouvido um estampido único e forte por volta das 7h28 da manhã, vindo do apartamento. Este horário contrasta com a primeira ligação feita por Geraldo Neto aos serviços de emergência, registrada às 7h57, quase meia hora depois. Nessa chamada, o tenente-coronel informou que sua esposa havia se matado, solicitando resgate e uma viatura.
Minutos após a primeira ligação, precisamente às 8h05, Geraldo Neto contatou o Corpo de Bombeiros, afirmando que Gisele ainda estava respirando. As equipes de socorro chegaram ao local às 8h13. O intervalo entre o disparo relatado pela vizinha e o acionamento das autoridades é um dos primeiros pontos de discórdia investigados, sugerindo uma possível demora injustificada.
Um dos socorristas que atendeu à ocorrência observou uma área arroxeada na altura da mandíbula de Gisele, além da marca no pescoço. Embora ele tenha inicialmente associado a lesão ao disparo, a confirmação dependeria dos laudos periciais. A forma como a arma estava posicionada na mão da vítima também levantou suspeitas, sendo considerada incomum para casos de suicídio por este profissional, que decidiu fotografar a cena por precaução.
A cena não preservada e suas consequências
A integridade de uma cena de crime é fundamental para o sucesso de qualquer investigação forense, e no caso da morte da PM Gisele Santana, a falta de preservação adequada do local se tornou um obstáculo significativo. Policiais que atenderam a ocorrência relataram que a área onde o corpo foi encontrado não foi isolada ou protegida de maneira apropriada, o que pode ter comprometido a coleta de evidências cruciais e atrasado a elucidação dos fatos.
A não preservação da cena dificultou a atuação da Polícia Científica. Laudos indicaram que, devido a essa falha, não foi possível concluir inicialmente quem efetuou o disparo. A ausência de um cartucho de bala no local, um detalhe crucial para entender a dinâmica do evento, também foi notada por um dos socorristas, adicionando mais uma peça ao quebra-cabeça das irregularidades. A ausência de água no chão do apartamento, contradizendo a afirmação do tenente-coronel de que estaria tomando banho, reforça a série de inconsistências.
O papel do desembargador no caso
Outro elemento que adicionou complexidade à investigação foi a presença do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, no prédio na manhã da morte de Gisele. Registros de segurança indicam que o magistrado chegou ao local por volta das 9h07 e subiu ao apartamento junto com o tenente-coronel Geraldo Neto.
A família da policial questiona a presença do desembargador no local tão cedo após o ocorrido. O advogado da família, José Miguel da Silva Junior, expressou a necessidade de explicações claras sobre o motivo da visita de Cogan, especialmente considerando que ele teria sido uma das primeiras pessoas acionadas após o disparo.
Às 9h18, o desembargador foi visto novamente no corredor. Cerca de 11 minutos depois, às 9h29, Geraldo Neto também saiu do imóvel, já com outra roupa e alegando ter tomado banho. A presença de uma figura de alto escalão da justiça em uma cena de crime não preservada, antes da total estabilização da perícia, levanta preocupações sobre a transparência e a imparcialidade do processo investigativo.
Investigação em andamento e próximos passos
A Polícia Civil e a Corregedoria da Polícia Militar continuam aprofundando a investigação sobre a morte da PM Gisele Santana, buscando esclarecer todas as circunstâncias do ocorrido. Com as novas evidências trazidas pela exumação, o foco se intensifica na coleta de depoimentos adicionais, análise de imagens de segurança e confrontação de dados para formar um panorama completo e irrefutável dos fatos. A complexidade do caso exige uma abordagem multidisciplinar, envolvendo médicos legistas, peritos criminais e investigadores dedicados a desvendar a verdade. A expectativa é que os resultados dos exames complementares, somados às informações já apuradas, permitam determinar a causa da morte e identificar os responsáveis, caso haja indícios de crime, garantindo a justiça para a policial e sua família.
Depoimentos que levantam dúvidas
Os depoimentos dos socorristas que atenderam a ocorrência da morte da soldado Gisele Alves Santana em fevereiro se tornaram peças-chave para a investigação, trazendo questionamentos incisivos sobre a versão inicial do tenente-coronel Geraldo Neto. Um sargento do Corpo de Bombeiros, com 15 anos de experiência, relatou ter encontrado Geraldo de bermuda, sem camisa e completamente seco ao chegar ao apartamento.
Esta observação contrasta diretamente com a afirmação do oficial de que estaria no banho no momento do disparo. A ausência de pegadas molhadas ou qualquer indício de que ele teria saído apressadamente de um banho reforça as dúvidas. Além disso, o sargento afirmou que, apesar de o chuveiro do banheiro do corredor estar ligado, não havia poças de água no chão ou no corredor, fato também corroborado por um tenente da PM que foi um dos primeiros a chegar ao local, observando que nem Geraldo nem Gisele pareciam ter tomado banho antes do incidente.
Detalhes forenses e a busca por respostas
A análise forense, com as novas revelações da exumação, direciona a investigação para a busca por correlações entre as lesões encontradas no corpo da policial e a dinâmica do disparo. Compreender como e por que as marcas de pressão e unhas apareceram é crucial para reconstruir os momentos finais da vida de Gisele e determinar se houve agressão.
A defesa dos envolvidos
Em relação às acusações e questionamentos, a defesa do tenente-coronel Geraldo Neto emitiu uma nota reafirmando que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo até o presente momento. Os advogados enfatizam a colaboração contínua do oficial com as autoridades, assegurando que ele permanece à disposição para qualquer esclarecimento que possa auxiliar na elucidação dos fatos.
Já a equipe jurídica do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan informou que sua presença no apartamento foi motivada por um chamado de amizade do tenente-coronel. A defesa do magistrado reiterou que todos os esclarecimentos pertinentes serão prestados diretamente à polícia judiciária, caso sejam solicitados, mantendo a postura de cooperação com a investigação em curso.







