PRF investigado por importunação sexual mata comandante da Guarda de Vitória e se suicidaPor Janderson Luiz
5 min de leitura
![]() |
Um policial rodoviário federal invadiu a residência da comandante da Guarda Municipal de Vitória na madrugada de segunda-feira 23 de março de 2026 e a matou com vários tiros. Diego Oliveira de Souza depois tirou a própria vida no local. A vítima Dayse Barbosa ocupava o cargo de comandante e coordenava ações de segurança pública na capital capixaba.
A Polícia Civil trata o caso como feminicídio. As investigações apontam que o agente não aceitava o fim do relacionamento. Ele planejou a ação ao levar escada e ferramentas para arrombar a porta de acesso pela varanda da casa no bairro Caratoíra.
- A vítima foi atingida com cinco tiros na cabeça enquanto dormia.
- O agressor utilizou a arma de trabalho no crime.
- A Polícia encontrou na mochila dele canivete faca álcool carregadores alicate e isqueiro.
- Dayse Barbosa havia trocado as fechaduras da residência após ameaças recentes.
Histórico de violência na relação
O pai de Dayse Barbosa relatou que o relacionamento era marcado por discussões e episódios de controle. Ele aconselhava a filha a terminar a união. Cerca de cinco meses antes do crime o agente teria quebrado o trinco do portão e tentado usar a arma dela para ameaçá-la.
A comandante trocou as fechaduras depois de novas ameaças feitas cerca de dois dias antes do ocorrido. Ela não registrou formalmente ocorrências policiais contra o companheiro apesar dos relatos posteriores de comportamento possessivo e ciumento.
Dayse Barbosa atuava na Guarda Municipal de Vitória como pedagoga com pós-graduação em Segurança Pública Municipal. Colegas e superiores destacavam sua dedicação ética e compromisso com o enfrentamento à violência contra a mulher na cidade.
Investigação anterior contra o agente PRF
Diego Oliveira de Souza respondia a um processo administrativo disciplinar na Polícia Rodoviária Federal. A apuração envolvia denúncia de importunação sexual contra uma colega de trabalho em uma unidade operacional no município de Campos dos Goytacazes no Rio de Janeiro.
No ano passado o agente tentou agarrar e agredir sexualmente a colega durante o serviço. Ele a chamou para entrar na unidade tentou beijá-la à força e arrastá-la para o banheiro. A vítima resistiu e o episódio só terminou quando ela o ameaçou com uma chave de viatura e chamou a ação de tentativa de estupro.
A Corregedoria da PRF abriu procedimento investigativo e adotou medidas administrativas para afastar os dois agentes no ambiente de trabalho. A apuração estava em fase final e poderia resultar em demissão do policial.
Detalhes da invasão e da cena do crime
O agente lotado na Delegacia da PRF em Campos dos Goytacazes desde 2020 usou escada para acessar a varanda da casa da vítima. Ele rompeu a porta com ferramentas e surpreendeu Dayse Barbosa no quarto. Os disparos ocorreram na cabeça e causaram a morte imediata.
A delegada titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher Raffaella Aguiar coordenou a perícia inicial. Equipes recolheram vestígios que indicam planejamento prévio do ato. A investigação continua para esclarecer todos os aspectos do caso.
A Prefeitura de Vitória decretou luto oficial de três dias pela morte da comandante. Notas oficiais destacaram o legado de Dayse Barbosa no serviço público e sua atuação constante em prol da segurança da população.
Reações e contexto do caso
A Polícia Rodoviária Federal emitiu nota de pesar pelo falecimento de Dayse Barbosa e também pela morte do próprio agente. A instituição reforçou que acompanha as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Espírito Santo.
O secretário de Segurança Urbana de Vitória lembrou o perfil profissional da comandante sempre disposta a ajudar e comprometida com as políticas de enfrentamento à violência doméstica. A morte ocorreu em um momento em que a capital capixaba registrava período sem feminicídios na cidade.
Dayse Barbosa deixa uma filha. O corpo dela foi velado no Cemitério de Santo Antônio em Vitória. Familiares e colegas da Guarda Municipal acompanharam o sepultamento.
Aspectos da investigação em andamento
A delegada Raffaella Aguiar destacou que a violência contra a mulher muitas vezes inicia com comportamentos de controle como restrições a roupas ou conversas. Ela reforçou a importância de buscar apoio em redes próximas quando sinais de abuso surgem na relação.
A Polícia Civil coleta depoimentos de testemunhas e analisa mensagens e relatos sobre o relacionamento. A arma utilizada no crime pertencia ao agente da PRF e será periciada para confirmar sua origem.
O inquérito deve apurar se houve omissão ou falhas nos procedimentos anteriores relacionados ao histórico do agente. A Corregedoria da PRF mantém o processo disciplinar ativo mesmo após a morte de Diego Oliveira de Souza.
Dayse Barbosa compartilhara nas redes sociais horas antes do crime um vídeo sobre independência financeira de mulheres. O conteúdo foi interpretado por familiares como sinal de sua busca por autonomia na relação.
A investigação segue com análise de todas as evidências coletadas na residência. Autoridades trabalham para entregar o relatório final em prazo adequado e oferecer respostas às famílias envolvidas.







