Pular para o conteúdo
Menu
Mix Vale

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu nesta terça-feira, 24 de março de 2026, tornar inelegível o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A condenação, motivada por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, representa um desdobramento significativo no cenário político fluminense e nacional.

Apesar da renúncia ao mandato, anunciada um dia antes da decisão final, o processo seguiu seu curso na Corte Eleitoral. Os ministros avaliaram as evidências apresentadas sobre as condutas irregulares durante o período eleitoral que levou à reeleição do então governador.

A maioria dos votos na sessão do TSE foi a favor da inelegibilidade de Castro. As ministras Estela Aranha, Isabel Gallotti e Cármen Lúcia, juntamente com os ministros Floriano de Azevedo Marques e Antônio Carlos Ferreira, posicionaram-se pela condenação.

Detalhes da votação na corte

O ministro Nunes Marques foi o único a votar contra a condenação de Cláudio Castro, manifestando uma visão divergente sobre a aplicação das penalidades. Sua argumentação focou em aspectos processuais e na interpretação das provas apresentadas durante o julgamento.

Em uma divergência parcial, o ministro André Mendonça optou por rejeitar a aplicação da inelegibilidade ao ex-governador. Ele entendeu que a renúncia de Castro ao mandato havia prejudicado a cassação do cargo, embora não se opusesse à análise das irregularidades em si.

Histórico do processo e as acusações

O caso que culminou na decisão do TSE teve início na Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro, ainda em 2022. Naquela ocasião, o Ministério Público Eleitoral (MPE) e a coligação que apoiava Marcelo Freixo, adversário de Castro na disputa pelo governo estadual, ingressaram com ações de investigação eleitoral.

As acusações eram graves e abrangiam uma série de infrações, incluindo abuso de poder político e econômico, irregularidades nos gastos de recursos eleitorais e condutas proibidas a agentes públicos durante o período de campanha. Esse tipo de processo, conforme a legislação eleitoral brasileira, pode resultar na cassação de mandatos e na declaração de inelegibilidade por oito anos.

O MPE e a campanha de Freixo apontaram irregularidades específicas envolvendo a Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Os processos também mencionaram Rodrigo Bacellar, deputado estadual que estava afastado do comando da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, e Gabriel Rodrigues Lopes, ex-presidente da Ceperj, como envolvidos nas práticas.

O papel da Ceperj e Uerj no suposto esquema

As acusações detalhavam um suposto desvirtuamento da atuação da Ceperj, que teria sido utilizada com finalidade eleitoreira durante a campanha de 2022. O Ministério Público Eleitoral alegou um aumento exponencial do orçamento e dos valores empenhados pela fundação para a execução de projetos que não estavam previstos em lei, desviando-se de sua missão institucional. Além disso, foram citadas a criação de programas sociais que não constavam no orçamento público e a manutenção de uma “folha de pagamento secreta”, com a contratação de aproximadamente 18 mil pessoas sem a realização de concurso público, o que configuraria um claro uso da máquina pública em benefício da campanha.

Julgamento inicial no TRE-RJ e recurso

No Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), em 2024, o então governador Cláudio Castro e seu vice, Thiago Pampolha, foram absolvidos das acusações. Naquela instância, os julgadores entenderam que as provas não eram suficientes para configurar o abuso de poder eleitoral, e os mandatos foram mantidos, permitindo que Castro continuasse no cargo.

Insatisfeitos com a decisão do TRE-RJ, o Ministério Público Eleitoral e a coligação de Marcelo Freixo recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral. Eles reiteraram as acusações iniciais e voltaram a pedir a condenação de Cláudio Castro e seu vice, solicitando a perda dos cargos e a aplicação da pena de inelegibilidade. O recurso ao TSE é uma etapa natural do processo eleitoral, garantindo a revisão de decisões e a uniformidade da jurisprudência em todo o país.

Argumentos das defesas dos acusados

Ao longo do processo, a defesa de Cláudio Castro argumentou que os fatos administrativos questionados eram alheios ao cenário eleitoral e não teriam o poder de interferir nos resultados das eleições. Os advogados negaram veementemente qualquer abuso de poder ou uso eleitoreiro da Ceperj e da Uerj, defendendo que as ações do governo eram legítimas e dentro das prerrogativas administrativas.

Os advogados de Thiago Pampolha, por sua vez, pediram a rejeição dos recursos apresentados. Eles sustentaram que as provas contra o vice-governador eram frágeis e que a decisão do TRE-RJ, que os absolveu, estava devidamente fundamentada, não cabendo reforma. A defesa buscou demonstrar a inexistência de elementos concretos que ligassem Pampolha às supostas irregularidades.

As defesas de Rodrigo Bacellar e Gabriel Lopes também se manifestaram nos autos, reforçando a necessidade de rejeição dos pedidos de condenação. Cada um dos envolvidos apresentou sua própria linha de argumentação, buscando desqualificar as provas e as alegações da acusação, enfatizando a legalidade de suas ações e a falta de intenção eleitoreira nas condutas administrativas.

Andamento do julgamento na corte superior

O julgamento no TSE começou em novembro do ano passado, com a apresentação do relatório e do voto da ministra Isabel Gallotti, relatora do caso. Em seu voto inicial, a ministra se posicionou pela cassação e inelegibilidade do governador, além de propor a realização de novas eleições para o cargo. A análise foi interrompida por um pedido de vista do ministro Antônio Carlos Ferreira, que solicitou mais tempo para aprofundar a análise dos autos.

A ministra Gallotti também concluiu que o deputado estadual Rodrigo Bacellar deveria perder o mandato e ser declarado inelegível, assim como Gabriel Lopes. Ela ainda votou pela aplicação de multas a todos os envolvidos, incluindo Thiago Pampolha, indicando uma visão abrangente das responsabilidades. No último dia 10, o processo retornou à pauta com o voto do ministro Antônio Carlos Ferreira, que acompanhou integralmente o entendimento da relatora, fortalecendo a tese da cassação e inelegibilidade.

O segundo voto favorável à aplicação das penalidades foi novamente seguido por um pedido de vista, desta vez do ministro Nunes Marques, que adiou a deliberação final. O caso, portanto, voltou à pauta para os votos dos demais ministros, que culminaram na decisão desta terça-feira, ratificando a inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro e de outros envolvidos, o que encerra uma importante fase deste conturbado processo eleitoral.

Repercussão e considerações legais

A decisão do Tribunal Superior Eleitoral tem implicações diretas na carreira política de Cláudio Castro e serve como um forte lembrete sobre a fiscalização das condutas de agentes públicos. A inelegibilidade por oito anos impede o ex-governador de disputar eleições nesse período, alterando significativamente o cenário político no Rio de Janeiro e em âmbito nacional.

As deliberações do TSE reforçam a importância da transparência e da legalidade nos processos eleitorais. A Corte, ao analisar casos de abuso de poder, envia uma mensagem clara sobre a intolerância a práticas que possam desequilibrar a disputa democrática. Esse tipo de veredito é fundamental para a manutenção da lisura do pleito e para a confiança da população nas instituições.

Apesar da renúncia de Castro ao cargo, a continuidade do processo e a aplicação da inelegibilidade demonstram que as ações eleitorais possuem um rito próprio e consequências independentes da situação atual do mandato. A Justiça Eleitoral, por meio de seus tribunais, reafirma seu papel na garantia da equidade e no combate a ilícitos que comprometem a integridade da representação popular.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

Notícias relacionadas

Mais lidas

  1. Destaques

    Polícia descarta investigar por homicídio namorado de jovem que caiu do 7º andar

  2. Destaques

    Júnior Bauru tem Porsche cercado na Lagoa e assaltante acaba baleado no Rio de Janeiro

  3. Destaques

    Detran-RJ emite Carteira de Identificação da Mãe Atípica sem custo

  4. Receita Federal

    Saiba como será o Split Payment: reforma tributária divide imposto na hora da compra e muda rotina de empresas no Brasil

  5. Economia

    Gasolina com 35% de etanol: testes do governo avaliam mistura e mecânicos alertam para riscos em carros no Brasil

  6. Brasil

    Fibras de pitanga e cambuci reduzem a viabilidade de células de câncer colorretal em laboratório, diz USP

  7. Destaques

    Bob Dylan se encontra com o Papa Leão XIV no Vaticano após mediação cultural

  8. Destaques

    Tornado no Aeroporto de Chapecó atinge 126 km/h, arranca teto de terminal e cancela voos em Santa Catarina

  9. Destaques

    Janaína Barbosa, ex-apresentadora do TV Fama, morre aos 48 anos em São Paulo

  10. Serasa

    Feirão Limpa Nome da Serasa oferece descontos de até 99% para quitar dívidas no Brasil até 6 de dezembro

Sua privacidade

O Mix Vale usa cookies para medir audiência e exibir anúncios que sustentam a redação. Você escolhe. Política de privacidade.