O consumo de duas a três xícaras de café por dia associa-se a menor risco de ansiedade e depressão. Pesquisadores da Universidade de Fudan, na China, chegaram a essa conclusão após analisar dados de mais de 461 mil pessoas. O estudo acompanhou os participantes por uma média de 13,4 anos. Todos começaram o período com boa saúde mental. Ao final, mais de 18 mil novos casos de transtornos de humor e estresse foram identificados.
Os resultados revelaram uma curva em forma de J. O risco foi menor no consumo moderado de cerca de duas a três xícaras de 250 ml por dia. Pessoas que bebiam muito pouco ou quantidades elevadas apresentaram risco maior. O padrão se repetiu tanto para ansiedade quanto para depressão. O efeito protetor apareceu mais forte em homens do que em mulheres.
Associação em forma de curva
A equipe examinou hábitos de consumo relatados pelos participantes no início do acompanhamento. Eles também monitoraram o surgimento de novos diagnósticos ao longo do tempo. O consumo moderado mostrou o ponto mais baixo na curva de risco. Quem ingeria cinco ou mais xícaras por dia teve associação com risco aumentado de transtornos de humor. Diferenças genéticas no metabolismo da cafeína não alteraram significativamente os achados.
- Duas a três xícaras por dia: menor risco observado
- Consumo zero ou muito baixo: risco mais elevado
- Cinco ou mais xícaras: associação com risco aumentado
- Efeito mais pronunciado em homens
- Resultados semelhantes para diferentes tipos de café como moído, com leite ou sem açúcar
Os pesquisadores usaram dados do UK Biobank, um dos maiores bancos de informações médicas do mundo. Eles ajustaram os cálculos por fatores como idade, educação e atividade física. A publicação ocorreu na revista Journal of Affective Disorders. A análise incluiu mais de 18 mil casos novos registrados durante o período.
Mecanismos possíveis por trás dos benefícios
A cafeína bloqueia a adenosina, substância que sinaliza fadiga no cérebro. Em doses moderadas, ela pode estimular a dopamina, ligada ao prazer e à motivação. Níveis baixos de dopamina relacionam-se frequentemente a fadiga e mau humor. O estudo não estabelece causa direta, mas aponta associação consistente. Outros compostos do café também podem influenciar o bem-estar.
Especialistas observam que o café faz parte de escolhas cotidianas acessíveis. Médicos podem discutir esses hábitos com pacientes como complemento a outros cuidados. A sensibilidade à cafeína varia entre as pessoas. Alguns relatam nervosismo ou palpitações mesmo com quantidades moderadas. O estudo reforça a importância do equilíbrio individual.
Diferenças por sexo e genética
O efeito protetor contra transtornos de humor apareceu mais forte entre os homens. Os pesquisadores testaram pontuações de risco poligênico para avaliar o metabolismo da cafeína. Participantes com metabolização rápida ou lenta mostraram resultados semelhantes. Isso sugere que o benefício não depende apenas de como o corpo processa a substância. Mulheres também tiveram associação positiva, embora em grau menor.
O acompanhamento longo permitiu observar desfechos reais ao longo de mais de uma década. Poucos estudos anteriores reuniram volume de dados tão grande com período extenso. A pesquisa focou em prevenção a longo prazo em adultos inicialmente saudáveis. Ela não substitui tratamentos médicos para quem já tem diagnóstico.
Limitações e recomendações
Os dados de consumo foram autorrelatados no início do estudo. Mudanças nos hábitos ao longo dos anos não foram captadas em todos os casos. O UK Biobank inclui participantes majoritariamente do Reino Unido, o que pode limitar a generalização para outras populações. Fatores de estilo de vida não medidos poderiam influenciar parte dos resultados.
Pesquisadores destacam que o café não é solução isolada para problemas de saúde mental. Ele pode integrar um conjunto de hábitos saudáveis. Indivíduos com sensibilidade devem observar reações pessoais. Consultas médicas continuam essenciais para avaliação individual. O achado abre caminho para mais investigações sobre alimentação e prevenção.
Implicações para a saúde pública
Transtornos mentais afetam milhões de pessoas em todo o mundo. Opções simples e acessíveis ganham relevância em discussões sobre prevenção. O estudo contribui para o debate ao apontar uma associação com um hábito comum. Ele incentiva olhares mais atentos para escolhas diárias além de medicamentos e terapias.
Médicos podem usar os resultados em conversas sobre rotina. O foco permanece na moderação. Duas a três xícaras surgem como ponto de equilíbrio na análise. Consumo excessivo não trouxe os mesmos benefícios. A pesquisa reforça a necessidade de mais estudos em grupos diversos.

