Venda de atestados médicos virtuais falsos cresce no Rio e polícia abre investigaçãoPor Janderson Luiz
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A venda de atestados médicos virtuais falsos cresceu no Rio de Janeiro. Sites e serviços por aplicativos oferecem os documentos sem realização de consulta. A Polícia Civil investiga os casos em diferentes delegacias do estado.
Empresas relatam mais casos de apresentação desses documentos para justificar faltas. Uma rede de varejo com cerca de 15 mil funcionários identificou dezenas de atestados suspeitos no primeiro trimestre de 2026. O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro reforça que o atestado exige consulta prévia.

Oferta de atestados sem consulta médica
Os serviços funcionam de forma simples. O interessado acessa sites ou conversa por WhatsApp e responde a um questionário básico. Ele seleciona a doença, a unidade de saúde como UPA ou SUS e o período de afastamento. O pagamento ocorre via PIX e o documento chega em minutos por via digital.
Os preços variam conforme a duração. Um dia sai por R$ 39,90. Quinze dias custam R$ 89,90. Há acréscimo de R$ 9,99 para inclusão de código CID ou QR Code. Pelos aplicativos, os valores partem de R$ 49,90 por um dia e chegam a R$ 119,90 por sete dias, com descontos para pacotes.
- Resposta a questionário simples sobre sintomas e dados pessoais
- Escolha de doença e período de afastamento
- Pagamento imediato por PIX
- Recebimento de arquivo digital com logo de unidade de saúde e QR Code
O processo não envolve atendimento online ou presencial. O documento apresenta carimbo e elementos visuais que simulam validade oficial, mas faltam verificações reais.
Denúncias de usuários e empresas
Um comerciante de Copacabana testou o serviço e obteve um atestado para dismenorreia, cólica menstrual intensa, apesar de ser homem. Ele verificou o QR Code e constatou que o documento não continha nome ou CRM da médica indicada. O caso foi denunciado à 13ª DP, em Ipanema.
Uma funcionária em período de experiência apresentou três atestados digitais em março de 2026. Ela alegou ter encontrado o serviço como um questionário online e considerou o documento legítimo. A empresa aplicou demissão por justa causa após a constatação da fraude.
Empresários também relataram casos. Um representante de sindicato na Região Serrana e Centro Norte do estado denunciou ao fim de novembro passado. Ele enviou atestados e comprovantes de PIX para a polícia, Ministério Público, Secretaria Municipal de Saúde de Friburgo e Cremerj.
Ações da polícia e conselhos de medicina
A Polícia Civil apura os fatos por meio da 13ª DP em Ipanema, da 151ª DP em Nova Friburgo e da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática. As investigações envolvem diferentes denúncias recebidas ao longo dos últimos meses.
Uma médica com registro no Cremesp, que reside na Itália há três anos, comunicou a fraude ao conselho paulista há dois meses. Os atestados falsos utilizam sua identificação visual, mas não apresentam assinatura digital válida. Outros profissionais também identificaram uso indevido de seus dados.
O Cremerj afirma que o atestado médico só pode ser emitido após consulta. A telemedicina permite atuação de médicos de outros estados, mas segue regras específicas. O Conselho Federal de Medicina teve uma plataforma suspensa por decisão judicial.
Impacto nas empresas e medidas de prevenção
Uma grande rede de varejo registrou 15.828 atestados no primeiro trimestre de 2026 entre seus 15 mil funcionários. Desse total, 39 foram identificados como falsos e outros 1.500 passaram por análise adicional. A companhia criou um sistema interno de checagem que contata unidades de saúde para validar assinaturas e vínculos.
Sindicato de bares e restaurantes do Rio notou aumento de fraudes a partir de 2024. Representantes do setor destacam prejuízos com ausências injustificadas. A Firjan planeja oficina para orientar empresas sobre detecção de documentos fraudulentos.
A falsificação de atestado configura crime com pena de dois a três anos de prisão mais multa. Para o trabalhador, a descoberta pode levar a demissão por justa causa. Os conselhos de medicina aplicam sanções administrativas a profissionais envolvidos.
Como os documentos falsos circulam
Os arquivos digitais incluem elementos como logo de UPA 24 horas e carimbo. Alguns trazem QR Code que, ao ser lido, não remete a registro válido ou apresenta inconsistências. Usuários recebem o documento por mensagem ou e-mail após o pagamento.
Casos mostram uso de dados fictícios ou chips novos para evitar rastreamento. Um empresário pagou R$ 70 por atestado de sete dias e repetiu a operação para outra pessoa. O serviço oferece tabelas claras de preços e opções de quantidade.
Empresas passaram a cruzar informações com unidades de saúde. A checagem inclui contato direto para confirmar se o médico atendeu o paciente e se o vínculo existe. Esse procedimento ajuda a reduzir a aceitação de documentos suspeitos.
A venda online facilita o acesso rápido. Qualquer pessoa com conexão à internet pode solicitar o serviço sem sair de casa. O crescimento ocorreu em paralelo à expansão de telemedicina regular, o que gerou confusão em alguns casos.
A Polícia Civil continua a receber novas denúncias. As apurações buscam identificar responsáveis pela criação dos sites e pela intermediação dos pagamentos. Até o momento, não há detalhes sobre prisões relacionadas a esses serviços específicos.
O tema expõe fragilidades no sistema de emissão e validação de documentos médicos digitais. Entidades de classe e empresas buscam soluções técnicas para diferenciar atestados legítimos de falsificações.







