Cientistas de Stanford anunciam “Ozempic natural” que pode revolucionar o emagrecimento

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Emagrecimento, perda de peso Foto: Emagrecimento, perda de peso - Natali Ximich/ Shutterstock.com

Cientistas da Stanford Medicine identificaram uma molécula natural que reduz o apetite e o peso corporal em testes com animais. O peptídeo, chamado BRP, age de forma mais direcionada que a semaglutida, princípio ativo do Ozempic, e evitou vários efeitos colaterais comuns nos experimentos realizados.

A descoberta abre caminho para tratamentos de obesidade com mecanismo distinto. Pesquisadores testaram o BRP em camundongos e miniporcos. Os resultados indicam redução significativa na ingestão de alimentos sem causar náuseas, constipação ou perda de massa muscular.

Uso de inteligência artificial na identificação do peptídeo

A equipe desenvolveu uma ferramenta computacional chamada Peptide Predictor. O algoritmo analisou genes humanos codificadores de proteínas para localizar pró-hormônios que poderiam gerar peptídeos ativos.

Os pesquisadores concentraram a busca em proteínas secretadas e com pontos de clivagem específicos associados a uma enzima ligada à obesidade. Isso reduziu milhares de possibilidades para 373 pró-hormônios candidatos.

A partir daí, o sistema previu mais de 2.600 peptídeos potenciais. A equipe selecionou 100 deles para testes em células cerebrais cultivadas em laboratório. Um peptídeo pequeno, composto por 12 aminoácidos, destacou-se ao aumentar fortemente a atividade neuronal.

  • O BRP deriva do pró-hormônio BRINP2
  • Ele tem 12 aminoácidos na sequência
  • Atua principalmente no hipotálamo
  • Ativa grupos distintos de neurônios

O peptídeo foi nomeado BRP em referência à sua molécula precursora. Testes confirmaram que ele opera por vias biológicas diferentes das do GLP-1, que a semaglutida imita.

A professora assistente de patologia Katrin Svensson liderou o estudo como autora sênior. A pesquisadora sênior Laetitia Coassolo atuou como autora principal. Svensson também é cofundadora de uma empresa que planeja testes clínicos em humanos.

Ozempic
Ozempic – mikeledray/shutterstock.com

Resultados em testes com animais magros e obesos

Uma injeção única de BRP antes da alimentação reduziu o consumo de comida em até 50% na hora seguinte em camundongos magros e miniporcos. Os miniporcos servem de modelo mais próximo do metabolismo humano que os camundongos.

Em camundongos obesos, injeções diárias durante 14 dias resultaram em perda média de 3 gramas de peso, quase toda de gordura. Animais do grupo controle ganharam cerca de 3 gramas no mesmo período.

Os pesquisadores observaram ainda melhoras na tolerância à glicose e à insulina nos animais tratados. Não houve alterações nos movimentos, na ingestão de água ou em comportamentos indicativos de ansiedade. A digestão também permaneceu normal.

Parágrafos longos permitiram detalhar esses achados porque envolvem múltiplos desdobramentos dos experimentos. A ação específica no hipotálamo explica por que o BRP evita impactos em outros tecidos, ao contrário de medicamentos que atingem receptores no intestino, pâncreas e demais áreas.

Os testes mostraram que o BRP não induz aversão alimentar nem afeta a massa muscular de forma significativa. Esses pontos representam vantagens potenciais em relação aos tratamentos atuais disponíveis para controle de peso.

Mecanismo de ação diferente da semaglutida

A semaglutida ativa receptores presentes no cérebro, mas também no intestino e no pâncreas. Isso gera efeitos amplos, como a desaceleração do esvaziamento gástrico e a redução dos níveis de açúcar no sangue.

Em contraste, o BRP parece atuar de modo mais preciso no hipotálamo, região que regula apetite e metabolismo. Ele ativa neurônios diferentes e segue uma via biológica relacionada, porém distinta.

Essa seletividade pode reduzir efeitos colaterais indesejados. Os pesquisadores continuam a investigar os receptores exatos que interagem com o BRP para compreender melhor seu funcionamento no organismo.

Colaboração entre instituições e próximos passos

O trabalho contou com participação de cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley, da Universidade de Minnesota e da Universidade da Colúmbia Britânica. O financiamento envolveu os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos e outros programas de Stanford, além de entidades como a Associação Americana do Coração.

Svensson e Coassolo aparecem como inventoras em patentes relacionadas ao uso de peptídeos BRP para distúrbios metabólicos. A equipe agora busca ampliar os efeitos da molécula para torná-la mais prática em aplicações futuras, caso se confirme eficaz em humanos.

Os autores destacam que a falta de opções eficazes para tratar obesidade persiste há décadas. Eles expressam interesse em avaliar a segurança e a eficácia do BRP em testes clínicos com pessoas.

Detalhes técnicos do peptídeo e da descoberta

O BRP consiste em uma sequência específica de 12 aminoácidos. Ele surge da clivagem de uma proteína maior por enzimas chamadas prohormônio convertases.

A ferramenta Peptide Predictor focou em locais de clivagem típicos dessa enzima para mapear candidatos promissores. O processo permitiu identificar peptídeos que métodos laboratoriais tradicionais teriam dificuldade em detectar entre fragmentos inativos.

  • Análise inicial cobriu 20 mil genes humanos
  • Foco em proteínas secretadas com múltiplos pontos de clivagem
  • Testes em células cerebrais confirmaram alta atividade do BRP
  • Comparação direta com GLP-1 mostrou resposta superior em neurônios

O estudo foi publicado na revista Nature. Ele introduz um método computacional para descobrir novos peptídeos bioativos com potencial terapêutico.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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