Mário Marta morre aos 53 anos em Lisboa após participação no Festival da CançãoPor Carolina Costa
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O cantor cabo-verdiano Mário Marta morreu na quinta-feira, 16 de abril, aos 53 anos, em Lisboa. A informação foi confirmada pela família e pela produtora Broda Music. Ele havia participado este ano no Festival da Canção com o tema Pertencer, de Djodje, que não avançou para a final.
Mário Marta nasceu a 30 de agosto de 1972, na Guiné-Bissau, filho de pai guineense e mãe cabo-verdiana. Criado em São Vicente, ele desenvolveu forte ligação aos géneros tradicionais como mornas e coladeiras. Cresceu rodeado de música e recebeu influência direta de familiares e de figuras como Cesária Évora, com quem conviveu na infância na casa dos tios em Mindelo.
A família descreveu o artista como alguém de grande sensibilidade e dedicação à música cabo-verdiana. A morte representa uma perda irreparável para a cultura nacional, segundo a mensagem enviada à agência Lusa.
Infância e raízes musicais em Cabo Verde
Mário Marta passou parte da infância na Guiné-Bissau e em Angola antes de se fixar em Portugal. Em São Vicente, o ambiente familiar favoreceu o contacto precoce com a morna. A tia Eunice Marta e o tio Tonecas Marta marcaram os primeiros anos, assim como outros nomes da cena tradicional como Bana, Zéze di Nha Reinalda, Tito Paris, Ildo Lobo, Titina e Paulino Vieira.
A convivência com Cesária Évora na casa dos tios em Mindelo deixou marca profunda. Ele cantava com a lendária artista ainda criança. Essa proximidade ajudou a moldar a sua interpretação emocional dos ritmos cabo-verdianos.
O cantor manteve sempre a essência da tradição mesmo ao explorar fusões. A voz carregada de sentimento e a presença em palco intensa definiram o seu estilo ao longo da carreira.
Parcerias e carreira em Portugal
Mário Marta integrou o grupo gospel SHOUT!, fundado por Sara Tavares, um dos primeiros projetos do género em Portugal. Mais tarde, atuou como backing vocal de Djodje, tanto em estúdio como em digressões internacionais.
A carreira a solo ganhou forma em 2019 com os singles Kriol e Aguenta, este último em parceria com Lura. Os vídeos acumularam milhões de visualizações. Em 2021, lançou o álbum Ser de Luz pela Broda Music, com temas inéditos e composições de autores cabo-verdianos.
O disco recebeu três prémios nos Cabo Verde Music Awards. A obra reforçou o seu papel na divulgação da morna e da coladeira para novos públicos sem perder a raiz cultural.
Ele participou em eventos como o Morna Fest e o Atlantic Music Expo em Cabo Verde. Subiu ainda a palcos com artistas como Rui Veloso, Mariza, Carminho e Nancy Vieira, entre outros.
- Cresceu influenciado por Cesária Évora e familiares como Eunice Marta e Tonecas Marta
- Integração no grupo SHOUT! e trabalho com Djodje como backing vocal
- Lançamento de singles Kriol e Aguenta em 2019
- Álbum Ser de Luz com prémios nos Cabo Verde Music Awards
- Participação no Festival da Canção 2026 com Pertencher, sem passagem à final
Participação recente no Festival da Canção
Este ano, Mário Marta apresentou a canção Pertencer na primeira semifinal do Festival da Canção 2026. A música, composta por Djodje, não seguiu para a final. A atuação marcou o regresso do cantor ao certame depois de participações anteriores nos coros em edições de 2006 e 2008.
Em 2006, integrou os coros de Alma Nova, que terminou em quinto lugar, e de Durmo Com Pedras Na Cama, em quarto. Dois anos depois, voltou aos coros no tema Cavaleiro da Manhã.
A presença em 2026 destacou a sua ligação à música portuguesa e cabo-verdiana. O tema falava de pertença e identidade, alinhado com a trajetória do artista.
Reconhecimento e legado na cultura cabo-verdiana
O Ministério da Cultura de Cabo Verde manifestou pesar pela morte. Destacou Mário Marta como uma voz que uniu raízes culturais com sensibilidade e autenticidade. A Sociedade Cabo-verdiana de Música também lamentou a perda, lembrando o talento, a humildade e o contributo para levar mornas e coladeiras a novos ouvintes na diáspora.
A carreira combinou tradição e contemporaneidade. Mário Marta interpretava os géneros clássicos com emoção própria e explorava fusões que respeitavam a essência. Amigos e colegas recordam a generosidade e a dedicação ao palco.
A morte ocorreu no Dia Mundial da Voz, 16 de abril. A família e a produtora Broda Music confirmaram o falecimento. Até ao momento, não foram divulgados detalhes adicionais sobre a causa.
O artista deixa um percurso de mais de duas décadas, com atuações em Portugal e em Cabo Verde. A sua voz continua presente em gravações e na memória do público que acompanhou as mornas e coladeiras interpretadas com autenticidade.







