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O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña Palacios foi preso nesta sexta-feira (6) por suspeita de lesão de confiança e outros crimes no escândalo financeiro do Ueno Bank. A ordem foi decretada pelo Ministério Público e cumprida na residência dele, em Assunção, no mesmo momento em que Pedro Alliana, do Partido Colorado, tomava posse como novo presidente do país.

A prisão veio depois da destituição de Peña pelo Senado, mas são processos diferentes. Segundo uma fonte consultada, a votação do impeachment teve 44 senadores presentes e foi unânime. A destituição se deu por mau desempenho de funções ligado às irregularidades do banco e não representa condenação criminal, já que a investigação criminal tramita em separado.

Santiago Peña - X/Twitter
Foto: Santiago Peña – X/Twitter

Causa 92/2026 contra Santiago Peña

A medida foi expedida na Causa N° 92/2026, registrada como “Santiago Peña s/ lesão de confiança e outros”. A ordem foi assinada por promotores de Delitos Econômicos e Anticorrupção, entre eles Elena Fiore, Christian Benítez e Silvia González Véster, e pela agente da Unidade Especializada em Delitos Informáticos e Lavagem de Ativos, Ruth Karina Benítez. O documento foi enviado diretamente ao Comando da Polícia Nacional.

Veja também: Santiago Peña, ex-presidente do Paraguai, tem ordem de prisão expedida em Assunção no caso Ueno Bank

Por ora, a custódia é domiciliar. A Polícia cumpriu a ordem na residência do ex-presidente, e ele deve permanecer no imóvel até ser apresentado à unidade especializada. Ainda não se sabe quando isso ocorrerá.

Denúncia de parlamentares amplia investigação sobre o Ueno Bank

A denúncia de parlamentares, apresentada em 5 de novembro de 2026, acrescentou fatos à representação inicial de 22 de outubro de 2025. Na mesma data, a Fiscalía, como é chamado o Ministério Público paraguaio, informou que incluiria Peña nas investigações de três causas penais sobre o Ueno Bank, junto com outros ex-funcionários do governo. Segundo um documento citado pela imprensa paraguaia, autoridades do Banco Central do Paraguai (BCP) sabiam das falhas financeiras do Ueno Bank desde abril de 2026 e não acionaram no prazo legal os mecanismos para evitar o colapso.

Confira também: Peña anuncia renúncia à Presidência do Paraguai em meio à crise do Ueno Bank

Órgãos públicos aplicaram recursos no banco, entre eles o Instituto de Previsión Social (IPS), Itaipu Binacional, a Entidade Binacional Yacyretá e o Ministério da Economia. Segundo parlamentares, o IPS manteve no banco US$ 355 milhões em operações apontadas como acima dos limites legais. Os depósitos de entidades públicas, incluindo recursos previdenciários, chegam a US$ 800 milhões. O banco sofreu intervenção na terça-feira (3), e o colapso afetou cerca de 2,9 milhões de clientes, número aproximado.

Com a intervenção do BCP, os valores estatais que superam a garantia do Fondo de Garantía de Depósitos (FGD), de G. 228,3 milhões por depositante, dependem agora do balanço de exclusão. G. é a sigla do guarani, moeda paraguaia. Os denunciantes pedem a análise individual de cada aplicação para definir se o Estado atuou como vítima ou se houve conivência entre gestores públicos e a instituição.

Patrimônio declarado por Peña em 2023 ligado ao banco

Na declaração patrimonial de 2023, Peña informou os seguintes investimentos vinculados ao conglomerado financeiro:

  • Ações na Ueno Holding, no valor de G. 6.144 milhões, vendidas em abril de 2025
  • Certificado de Depósito a Prazo de G. 2.400 milhões no Ueno Bank
  • Um título de renda fixa da empresa Itti

O irmão do ex-presidente figura como sócio da U Holding SARL, empresa apontada como controladora do Ueno Bank. A participação dele, porém, não está confirmada como parte das suspeitas criminais.

Carlos Carvallo também é alcançado pela ordem de prisão

A ordem de prisão também alcança Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central do Paraguai. Antes disso, o empresário Miguel Vázquez, fundador do Ueno, foi detido no início da semana, e ex-diretores do banco foram submetidos à prisão preventiva.

O que ainda não se sabe sobre a prisão de Peña

Não se sabe se Peña será transferido da custódia domiciliar para prisão formal nem quando será apresentado à Justiça. O valor exato dos recursos públicos acima da garantia do FGD ainda depende do balanço de exclusão. Os promotores apuram a extensão dos prejuízos aos cofres públicos e a responsabilidade criminal na aplicação das verbas estatais.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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