Gabriel Bortoleto tenta corrigir erros em largadas para manter evolução na Audi pela F1Por Thiago Lemos
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Gabriel Bortoleto vive um momento de ajuste fino em seu segundo ano como piloto titular na Fórmula 1. Após um início promissor com pontos conquistados na Austrália, o brasileiro enfrentou dificuldades nas etapas seguintes. O procedimento de largada surgiu como o principal obstáculo para o piloto da Audi nas provas da China e do Japão. Embora o ritmo de corrida apresente evolução, a perda de posições logo após o apagar das luzes tem comprometido os resultados finais.
A equipe alemã reconhece que o problema não é exclusivo do piloto brasileiro. O modelo R26, embora veloz em voltas lançadas, apresenta limitações técnicas que dificultam a tração inicial e a gestão de energia nas primeiras voltas. Mattia Binotto, chefe da escuderia, indicou que a falta de velocidade final e o mapeamento do motor elétrico deixam os carros vulneráveis. Nico Hülkenberg, companheiro de Bortoleto, também participou de testes específicos em Monza para mitigar essas falhas de arrancada.
Desempenho na Austrália mascarou falhas crônicas do sistema
A abertura da temporada em Melbourne trouxe um resultado positivo que gerou otimismo imediato. Bortoleto conseguiu levar o carro ao Q3 da classificação, mesmo enfrentando uma quebra mecânica que o impediu de registrar tempo na fase final. Partindo da décima posição, ele cruzou a linha de chegada em nono lugar. Os dois pontos somados indicaram um amadurecimento em relação ao ano de estreia pela Sauber em 2025.
Entretanto, uma análise detalhada daquela prova já mostrava sinais de alerta. O brasileiro perdeu uma posição para Fernando Alonso logo na largada, caindo para o 11º posto temporariamente. Naquela ocasião, a estratégia de boxes e o ritmo sólido permitiram a recuperação. O cenário mudou drasticamente em Suzuka, onde o circuito japonês castigou a falta de ímpeto inicial do carro número 5.
Queda de rendimento no Japão expõe dificuldades de ultrapassagem
No GP do Japão, Gabriel Bortoleto alinhou o carro na nona posição do grid, com expectativas reais de pontuar novamente. O processo se repetiu de forma negativa. Uma reação lenta na embreagem fez o brasileiro despencar para a 13ª colocação antes mesmo da primeira curva. Em uma pista onde as manobras de ultrapassagem são historicamente complicadas, a corrida do piloto tornou-se uma disputa de paciência no meio do pelotão.
O piloto não conseguiu furar o bloqueio dos adversários diretos e terminou fora da zona de pontuação. Essa oscilação preocupa os analistas, pois interrompe a sequência de crescimento esperada para um campeão de categorias de base. A Audi identificou que o tempo de resposta do turbo no novo regulamento tem sido um complicador adicional para seus pilotos.
Abaixo, os principais pontos de atenção no início da temporada de Bortoleto:
- Dificuldade crônica de adaptação à sensibilidade da embreagem.
- Déficit de velocidade nas retas quando as baterias estão descarregadas.
- Perda média de duas posições nas primeiras voltas dos últimos GPs.
- Necessidade de maior consistência em circuitos de baixa taxa de ultrapassagem.
- Dependência do gerenciamento de energia para evitar ataques dos rivais.
Histórico de adaptação lenta remete aos tempos da Fórmula 2
O problema com o procedimento de largada não é uma novidade na carreira do brasileiro. Durante sua passagem vitoriosa pela Fórmula 2, ele também precisou de diversas etapas para dominar o acionamento do sistema. Em 2025, seu primeiro ano na categoria máxima, a dificuldade persistiu nos momentos iniciais da temporada. O padrão sugere que Bortoleto possui uma curva de aprendizado específica para os componentes eletrônicos de partida.
A engenharia da Audi trabalha em soluções de software para tornar a entrega de torque mais linear. O foco atual é garantir que o piloto tenha confiança para atacar desde os metros iniciais, evitando que o esforço da classificação seja desperdiçado. Binotto ressaltou que a equipe está em um processo de “dor do crescimento”, natural para uma fábrica que produz sua própria unidade de potência.
Equipe busca equilíbrio técnico entre motor e aerodinâmica
A análise de dados coletados na China e no Japão aponta para uma falha sistêmica na recuperação de energia cinética. Quando os pilotos utilizam toda a carga para defender posição na largada, o sistema entra em um modo de proteção que reduz a potência disponível nas retas longas. Isso cria um efeito cascata que deixa os pilotos da Audi expostos ao sistema de DRS dos competidores.
O teste realizado em Monza serviu para simular diferentes condições de aderência no asfalto. A meta é minimizar as variáveis que dependem apenas do reflexo do piloto, automatizando parte do ganho de velocidade. Bortoleto e Hülkenberg estão trabalhando próximos aos engenheiros de pista para ajustar o curso do pedal do acelerador. A expectativa é que as melhorias sejam implementadas gradualmente nas próximas etapas europeias.
Para a sequência de 2026, a consistência será a palavra de ordem dentro da garagem alemã. Gabriel Bortoleto possui o talento necessário para brigar no pelotão da frente, mas precisa sanar as arestas operacionais que o impedem de converter boas classificações em resultados sólidos. O projeto da Audi é de longo prazo, porém a competitividade do grid atual não permite erros repetitivos no início das provas.







