Customizadora cria Cross Cub 110 inspirada em moto off-road clássica Honda

Honda Cross Cub 110 - Divulgação

Honda Cross Cub 110 - Divulgação

Saffi, funcionária da oficina de customização TOKYO NEW VINTAGE, transformou uma Honda Cross Cub 110 em máquina que homenageia a XR600R dos anos 1980. O projeto levou cinco anos para chegar à forma atual, misturando nostalgia com modificações precisas em cada detalhe da moto.

Tudo começou simples: amor à primeira vista. Ao ver um Cross Cub 110 na rua, Saffi sentiu-se atraída pelo formato compacto e decidiu adquirir um na cor branca clássica. O que era apenas posse de moto evoluiu para obsessão criativa, alimentada pelo convívio diário com customizações na oficina onde trabalha.

O conceito que moldou a transformação

O objetivo era claro desde o princípio: incorporar a sensação off-road das motos Honda da década de 1980 em um veículo moderno. Saffi pesquisou a XR600R, modelo que a inspirava, e definiu seu estilo visual: reproduzir o esquema de cores vermelho, azul e amarelo icônico daquela época. A moto não apenas copia as cores, mas absorve toda a identidade visual e mecânica de um scrambler autêntico dos anos 1980.

O exterior foi completamente repintado. A própria Saffi executou a pintura manualmente, garantindo que cada traço refletisse sua visão pessoal. Pneus especiais (3.00-17 na dianteira e 4.60-17 na traseira) reforçam a proposta off-road, enquanto modificações estruturais, como o alongamento da balança traseira em 4 centímetros, alteram a proporção e o comportamento da moto.

Assentos azuis como marca registrada

O banco azul é talvez o elemento mais marcante da customização. Saffi insistiu: “Bancos azuis eram imprescindíveis”. O tom escolhido evoca precisamente a paleta dos anos 1980, criando contraste vibrante com a carroceria vermelha. O estofamento utiliza tecido da RDD, marca especializada em personalizações com foco em estética e textura. O resultado equilibra forma e conforto, tornando o assento não apenas visualmente atraente, mas também funcional para uso diário.

Detalhes que constroem a identidade visual

  • Pintura exterior (realizada manualmente pela proprietária)
  • Piscas e lanternas traseiras customizadas
  • Interruptores, guidão e painel de instrumentos personalizados
  • Escapamento simples voltado para cima, reforçando o estilo pop
  • Calotas e caixa de ferramentas integradas
  • Barra de torque CUSTOM CYCLE CHOPPERS
  • Capa de banco RDD em azul

Cada elemento não foi instalado simultaneamente. Saffi construiu a moto em etapas, ao longo dos cinco anos, permitindo que seu gosto evoluísse naturalmente. Nenhum detalhe foi ignorado: até mesmo um brinquedo de pelúcia da Vila Sésamo prende-se à chave, refletindo a personalidade leve e descontraída de sua proprietária.

Manutenção e relação com a máquina

A experiência de usar a Cross Cub 110 diariamente moldou os hábitos de manutenção de Saffi. Ela sofreu com um pneu furado no passado por negligência, e agora verifica a pressão dos pneus sempre que abastece. Como não há indicador de combustível no modelo, ela mantém rotina rigorosa de monitoramento do nível de gasolina antes de cada saída. Essas práticas refletem aprendizado prático e respeito pela máquina que a acompanha há cinco anos.

Evolução sem pressa

O que diferencia esta customização de outras é a paciência. Saffi não entregou uma moto acabada após meses. Ela entregou um projeto em progresso que evoluiu gradualmente desde fevereiro de 2021, quando recebeu o Cross Cub 110 original. O veículo passou por estados diferentes: branco clássico, depois preto sóbrio, até finalmente chegar ao vermelho, azul e amarelo que o definem hoje. Cada fase representa um estágio de seu relacionamento pessoal com a moto.

Significado além do metal e tinta

Ao ser questionada sobre seus sentimentos após cinco anos, Saffi respondeu com precisão: “Minha própria motocicleta é a melhor”. Essas palavras encerram não apenas satisfação com a obra final, mas reconhecimento do tempo investido, das decisões tomadas e da identidade pessoal que conferiu à máquina. O Cross Cub 110 é reflexo direto de quem a customizou. Nunca foi apenas um veículo que virou arte; foi sempre uma extensão das escolhas, dos sentimentos e da criatividade de Saffi, transformada gradualmente em realidade de duas rodas, cilindro único e um coração off-road dos anos 1980.