A Renault e a Geely avançam com uma solução para motores a combustão. A joint venture Horse Powertrain desenvolveu o conceito H12 que registra consumo inferior a 3,3 litros por 100 quilômetros em ciclo WLTP. O projeto usa combustível 100% renovável da Repsol.
O motor alcança eficiência térmica de 44,2%. Isso supera os 35% a 40% típicos de motores a gasolina convencionais. A tecnologia parte de um bloco 1.2 já usado em modelos como Clio, Austral e Duster. Equipes na Espanha lideraram o trabalho.
Motor H12 Concept evolui base conhecida da Renault
O H12 nasce como evolução do HR12, um três cilindros turbo fabricado em Valladolid. Engenheiros aplicaram taxa de compressão de 17 para 1. Eles também revisaram o sistema de recirculação de gases de escape.
Um turbocompressor otimizado e sistema de ignição de alta energia entraram no pacote. A transmissão híbrida integrada reduz perdas mecânicas. Lubrificantes desenvolvidos pela Repsol ajudam a diminuir atrito interno.
Essas mudanças juntas entregam o gancho principal. O conjunto pode cortar o consumo em cerca de 40% na comparação com a média de carros a gasolina novos na Europa em 2023.
- Taxa de compressão elevada a 17:1
- Recirculação de gases EGR redesenhada
- Turbocompressor com calibração específica
- Ignição de alta energia
- Transmissão híbrida com gerenciamento otimizado
- Lubrificantes de baixa fricção da Repsol
Testes em estrada confirmam números do protótipo
O conceito não ficou restrito a laboratório. Protótipos rodaram o trajeto entre Valladolid e Móstoles, na Espanha. O percurso serviu para validar o desempenho em condições reais.
Em ciclo WLTP padronizado o consumo ficou abaixo de 3,3 litros por 100 km. As emissões de CO₂ atingiram cerca de 76 gramas por quilômetro. Um carro médio equipado com o sistema emitiria 1,77 tonelada a menos de CO₂ por ano ao rodar 12.500 quilômetros.
A gasolina usada chama-se Nexa 95. A Repsol produz esse combustível a partir de resíduos orgânicos, óleos usados e gorduras animais. Ele não depende de petróleo bruto e pode ser abastecido em motores a gasolina atuais sem modificações.
O projeto envolveu equipes da Horse Technologies em Valladolid e do laboratório da Repsol em Madri. A Horse Powertrain tem sede em Londres e conta com plantas em vários países.
Joint venture reúne Renault, Geely e apoio da Aramco
A Horse Powertrain opera como sociedade entre Renault Group e Geely, cada uma com 45% das ações. A Aramco detém os 10% restantes desde o fim de 2024. A empresa fornece powertrains para marcas como Volvo, Nissan e Mitsubishi além das controladoras.
Capacidade anual da Horse chega perto de 5 milhões de motores. Essa escala pode acelerar a adoção caso o conceito avance para produção em série. Hoje cerca de 97% da frota europeia ainda usa motores a combustão.
Melhorias em eficiência trazem efeito imediato sem exigir troca completa da frota por veículos elétricos. O foco está em híbridos plug-in, onde o motor a combustão atua depois que a bateria acaba.
Combustível renovável amplia alcance da tecnologia
A Nexa 95 da Repsol já está disponível em postos na Espanha. O combustível mantém octanagem 95 e atende especificações atuais.
Uso combinado com o motor H12 multiplica o ganho ambiental. Menos volume de combustível queimado e matéria-prima de origem renovável reduzem a dependência de fontes fósseis.
Distribuidoras brasileiras como Ipiranga e Petrobras acompanham movimentos globais de eficiência e renováveis. Carros que consomem menos tendem a reduzir volume vendido nos postos ao longo do tempo.
O conceito surge em momento de transição energética. Ele mostra que motores a combustão ainda recebem investimentos em eficiência extrema.
Próximos passos dependem de validação em veículos
A Horse planeja demonstradores em veículos reais para o início de 2026. Modelos de Renault, Dacia ou Geely podem receber versões derivadas no futuro.
Nenhum cronograma oficial de produção em massa foi divulgado. Especialistas do setor observam se a tecnologia chega a mercados além da Europa.
O projeto reforça a estratégia da Renault e da Geely de manter motores a combustão competitivos enquanto a eletrificação avança.

