Um cargueiro russo afundou após uma série de explosões no fim de 2024 a cerca de 96 quilômetros da costa da Espanha. A embarcação transportava componentes suspeitos de serem de dois reatores nucleares semelhantes aos usados em submarinos. A informação veio de uma investigação da CNN Internacional divulgada nesta terça-feira.
Dois tripulantes morreram no incidente. Os outros 14 foram resgatados inicialmente por equipes espanholas. Horas depois, um navio militar russo escoltava a operação e exigiu a devolução imediata dos sobreviventes. O caso permaneceu sem explicação pública até agora.
Investigação aponta possível envio de tecnologia nuclear
A CNN detalhou que o navio Ursa Major saiu do porto de Ust-Luga, no Golfo da Finlândia, em dezembro de 2024. A rota declarada seguia para Vladivostok. Fontes da investigação espanhola indicam que o destino real poderia ser o porto norte-coreano de Rason.
O capitão russo Igor Anisimov relatou às autoridades espanholas que a carga incluía componentes para dois reatores nucleares. Ele não confirmou a presença de combustível nuclear. A embarcação pertencia à Oboronlogistics, empresa ligada ao Ministério da Defesa da Rússia.
- O navio atracou em Ust-Luga antes da viagem
- Imagens de satélite mostram carregamento de objetos cobertos na popa
- A rota desviou de forma brusca nas horas antes das explosões
- Aeronaves americanas sobrevoaram a área em 2025 e 2026
- Um navio espião russo visitou o local dos destroços uma semana depois
Explosões e resgate ocorreram em sequência rápida
As explosões atingiram o costado direito, próximo à casa de máquinas, por volta das 11h53 de 23 de dezembro de 2024. O navio adernou rapidamente. Tripulantes lançaram botes salva-vidas.
Equipes espanholas resgataram os 14 sobreviventes. Um helicóptero inspecionou a embarcação. Pouco depois, o navio militar russo Ivan Gren disparou flares vermelhos e ordenou que outras embarcações se afastassem. Quatro explosões adicionais foram registradas por sismógrafos espanhóis. O cargueiro afundou por volta das 23h10. Os destroços estão a cerca de 2.500 metros de profundidade.
O governo espanhol divulgou comunicado em fevereiro de 2025. A nota confirmou o relato do capitão sobre os componentes nucleares. Autoridades espanholas ainda investigam as causas do naufrágio.
Versões russa e ocidental divergem sobre a carga
A Rússia informou na época que o Ursa Major transportava guindastes e equipamentos para quebra de gelo. Não explicou a presença da embarcação em águas próximas à Espanha. A Oboronlogistics classificou o episódio como ataque terrorista direcionado.
Fontes da investigação espanhola citadas pela CNN mencionam a possibilidade de perfuração por torpedo de tipo raro. A hipótese sugere ação de forças ocidentais para impedir transferência de tecnologia nuclear à Coreia do Norte. Nenhuma autoridade envolvida confirmou publicamente a operação.
A Coreia do Norte enviou tropas para apoiar a Rússia na Ucrânia dois meses antes do incidente. A cooperação militar entre os dois países aumentou desde então.
Sobrevoos e missões posteriores marcaram a área
Aeronaves americanas sobrevoaram os destroços pelo menos duas vezes no último ano. Um navio espião russo permaneceu na região por cinco dias após o afundamento. Explosões submarinas adicionais foram detectadas durante essa permanência.
A profundidade elevada dificulta a recuperação da caixa-preta. Especialistas consultados pela CNN indicam que a operação exigiria recursos técnicos significativos. Até o momento, não há confirmação de material radioativo no local.
O Ursa Major, fabricado em 2009, integrava a frota usada em operações logísticas militares russas. O episódio ocorreu em águas internacionais.
Contexto geopolítico envolve transferência de tecnologia
A possível entrega de reatores nucleares se insere em laços mais estreitos entre Rússia e Coreia do Norte. O presidente Vladimir Putin e o líder Kim Jong-un se reuniram em setembro de 2025.
Especialistas acompanham o programa nuclear naval norte-coreano. A Coreia do Norte lançou recentemente seu primeiro submarino nuclear. Analistas apontam possível assistência técnica russa no projeto.
As autoridades dos países citados na investigação ainda não se manifestaram sobre os detalhes da reportagem da CNN. A Espanha mantém inquérito aberto sobre o caso.
