Roubo de cards Pokémon dispara globalmente; lojas perdem US$ 500 mil em 2024
Dois ladrões invadiram a loja “Next Level The Gamers Den” em Graham, Washington, nas primeiras horas de 7 de julho. Quebraram uma janela coberta com película de segurança, acionaram o alarme e encheram recipientes grandes com mercadorias em menos de dois minutos. O prêmio: aproximadamente US$ 10 mil em cartas Pokémon.
O roubo em Washington não é um caso isolado. Desde o início da pandemia de COVID-19, ataques contra lojas de cards colecionáveis explodiram em frequência e volume em todo o mundo.
Amplitude global do fenômeno
Estabelecimentos em Las Vegas, Nova Iorque, Vancouver (Canadá) e Nottingham (Inglaterra) registraram roubos similares apenas em 2024. O total de mercadoria roubada ultrapassou US$ 500 mil neste ano, evidenciando a escala do problema. A loja atingida em Graham já havia sofrido outros roubos anteriormente, embora nenhum dos autores tenha sido capturado.
Andrew Engelbeck, proprietário da loja desde 2018, relatou que os primeiros três anos funcionaram bem. A mudança coincidiu com a explosão do mercado de colecionadores. Ele descreveu o cenário atual: “As coisas claramente pioraram desde que o mercado de colecionadores começou a superaquecer”.
Valor e portabilidade atraem criminosos
O mercado de cartas Pokémon experimentou transformação econômica drástica. O valor das cartas mais que dobrou no período de um ano. Essa apreciação, combinada com características físicas, criou oportunidade criminal única.
Nick German, CEO do Conselho de Certificados de Cartas Colecionáveis (Board of Certified Trading Cards), explicou a lógica criminal: “Um criminoso pode roubar apenas algumas cartas e obter um valor de milhares ou até dezenas de milhares de dólares. Elas também são revendidas muito rapidamente e têm alta liquidez”.
O tamanho reduzido dos cards os torna particularmente vulneráveis. Um perpetrador consegue remover múltiplas unidades de alto valor em operações rápidas, minimizando tempo de exposição.
Alvos expandem além do varejo
Os ataques não se concentram apenas em lojas comerciais. Em fevereiro, um produtor de conteúdo de Pokémon identificado como “Pokedeen” publicou vídeos documentando invasão em sua residência. Quando retornou após alguns dias fora, encontrou prateleiras vazias. Caixas e gavetas foram reviradas em toda a propriedade.
Objetos de maior valor comercial permaneceram intactos: laptop e console de jogos não foram tocados. Os únicos itens levados foram seus cards Pokémon de coleção premium.
Cronologia da expansão do mercado
O fenômeno começou muito antes da crise sanitária. Pokémon foi desenvolvido pelo criador de jogos japonês Satoshi Tajiri, inspirado por suas experiências infantis colecionando insetos. O primeiro jogo foi lançado em 1996, e o jogo de cartas colecionáveis também estreou naquele mesmo ano. As cartas chegaram ao mercado americano cerca de três anos depois, em meados de 1999.
Porém, a pandemia funcionou como catalisador para expansão exponencial. Confinamentos prolongados aumentaram o interesse por hobbies de colecionismo. Famílias investiram em produtos que antes eram nichos. Preços subiram. Demanda superou oferta. Criminosos identificaram oportunidade clara.
Motivadores do aumento recente
O recente aumento de roubos pode ter relação com eventos que antecederam o 30º aniversário de Pokémon, em fevereiro deste ano. Ativações de marca, lançamentos edição limitada e cobertura mediática reacenderam interesse público. Colecionadores se movimentaram para adquirir itens raros. Valor de mercado escalou. A visibilidade elevada atraiu também elementos criminosos.
Padrão de reincidência e falta de prisões
Uma característica preocupante emerge do relato do proprietário Andrew Engelbeck: a loja em Washington foi alvo de múltiplos roubos, mas nenhum perpetrador foi capturado ou condenado. Esse padrão sugere capacidade limitada de investigação, capacidade de identificação de suspeitos deficiente, ou ambos. Sem consequências percebidas, incentivos para futuros ataques permanecem elevados.
O mercado de cartas Pokémon continua atraindo investimento e especulação. Enquanto demanda superar oferta e valores continuarem em ascensão, a vulnerabilidade comercial persistirá. Lojas e colecionadores individuais enfrentam risco crescente de perda.
Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing
