Anvisa libera tirzepatida para adolescentes com diabetes tipo 2 a partir dos dez anos
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou nesta quarta-feira, 22 de abril, o uso do Mounjaro em crianças e adolescentes de 10 a 17 anos com diabetes tipo 2. A decisão, formalizada pela Resolução-RE nº 1.592 de 17 de abril de 2026, amplia a indicação do medicamento que contém tirzepatida e estava restrito a adultos. A aprovação saiu publicada no Diário Oficial da União e marca um avanço no tratamento da doença metabólica em população jovem.
Primeiro medicamento duplo para jovens diabéticos
O Mounjaro torna-se o primeiro agonista duplo dos receptores GIP e GLP-1 liberado para uso pediátrico no Brasil. A tirzepatida funciona de forma diferente de medicamentos anteriores ao estimular dois hormônios intestinais simultaneamente. Esse mecanismo duplo regula a liberação de insulina, reduz a produção de glicose no fígado e retarda o esvaziamento gástrico, resultando em melhor controle dos níveis de açúcar no sangue.

Além do controle glicêmico, o medicamento influencia o apetite e o metabolismo. Estudos em adultos demonstraram redução de peso significativa. No grupo pediátrico, observou-se efeito semelhante sobre o índice de massa corporal. A aprovação baseou-se nos resultados do ensaio SURPASS-PEDS, um estudo internacional de fase 3 que envolveu jovens com controle inadequado da doença mesmo em uso de outros tratamentos.
Resultados clínicos impressionam em adolescentes
O ensaio randomizado, duplo-cego e controlado por placebo avaliou eficácia e segurança em 10 a 17 anos durante 30 semanas. O grupo que recebeu tirzepatida registrou redução média de 2,2 pontos percentuais na hemoglobina glicada, enquanto o placebo apresentou pequeno aumento de 0,05%. Com a dose de 10 miligramas, 86,1% dos participantes alcançaram hemoglobina glicada de 6,5% ou menos, marca considerada meta importante para controle da doença.
A redução no índice de massa corporal chegou a 11,2% com a dose mais alta no mesmo período. Os ganhos se mantiveram na extensão do estudo até 52 semanas. O perfil de segurança mostrou-se semelhante ao observado em adultos, com eventos adversos mais frequentes sendo náusea, vômito e diarreia, em sua maioria com intensidade leve ou moderada. Não surgiram sinais de problemas novos ou inesperados nessa faixa etária.
- Aplicação por injeção semanal.
- Prescrição restrita a médicos especialistas.
- Uso combinado com dieta equilibrada e atividade física.
- Indicação limitada a diabetes tipo 2 com resposta insuficiente a terapias anteriores.
Diabetes tipo 2 cresce entre jovens brasileiros
O Brasil enfrenta crescimento expressivo de casos de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes. Estima-se que 213 mil adolescentes convivam com a doença, enquanto 1,46 milhão apresentam pré-diabetes. Um em cada três casos de diabetes diagnosticado nessa idade é do tipo 2. Pesquisa com mais de 37 mil estudantes de 12 a 17 anos apontou prevalência de 3,3% para diabetes tipo 2 e 22% para pré-diabetes.
O mesmo levantamento identificou 8,4% com obesidade e 20% com síndrome metabólica, indicando que o problema pode estar ainda subnotificado no país. Fatores como excesso de peso, sedentarismo e alimentação inadequada impulsionam o quadro. O Brasil ocupa posição elevada no ranking global de casos de diabetes, e o estilo de vida moderno contribui para o aparecimento precoce da condição crônica.
Tratamento multidisciplinar continua essencial
Especialistas defendem abordagem que vai além do medicamento. Mudanças no estilo de vida permanecem como base do tratamento. Atividade física regular e dieta balanceada ajudam a controlar a glicemia e o peso. O acompanhamento inclui nutricionista, educador físico e, quando necessário, psicólogo para suporte emocional.
O Mounjaro não substitui hábitos saudáveis, mas entra como opção quando outras medidas não bastam para alcançar o controle desejado. O tratamento individualizado continua essencial, pois cada paciente apresenta histórico e resposta diferentes. O médico avalia outros remédios em uso, comorbidades e metas glicêmicas. O monitoramento regular inclui exames de sangue e verificação de efeitos colaterais.
Vigilância pós-aprovação e perspectivas futuras
A Anvisa mantém vigilância contínua após a aprovação. Qualquer evento adverso grave deve ser notificado por fabricantes e profissionais de saúde. O objetivo é detectar possíveis sinais de risco não observados nos ensaios clínicos. Pacientes e famílias recebem orientação clara sobre sinais de alerta, como náuseas persistentes ou vômitos intensos que exigem contato imediato com o médico.
A ampliação da indicação abre nova opção terapêutica para jovens com diabetes tipo 2 mal controlado. O país enfrenta desafio crescente com a condição metabólica, e maior arsenal medicamentoso pode contribuir para melhores resultados no longo prazo. A Sociedade Brasileira de Diabetes e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia acompanham o tema, incorporando novas evidências em diretrizes atualizadas. O objetivo permanece reduzir complicações como problemas cardiovasculares, renais e neurológicos que o diabetes pode causar ao longo dos anos.









