GP do Canadá testa atualizações da Ferrari contra domínio da Mercedes e evolução da McLaren na F1Por Thiago Lemos
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A Ferrari busca recuperação no GP do Canadá para conter avanço da McLaren após frustração em Miami. A equipe italiana tenta reverter o cenário negativo da última corrida no campeonato de Fórmula 1 de 2026. O desempenho nos Estados Unidos ficou abaixo do esperado pelos engenheiros de Maranello. O circuito de Montreal surge como o cenário ideal para comprovar se os novos componentes aerodinâmicos funcionam fora das simulações de fábrica.
A Mercedes venceu as últimas quatro etapas da temporada e mantém a liderança isolada. A McLaren também evoluiu e cortou a diferença na tabela para apenas 16 pontos de desvantagem em relação aos italianos. O time britânico planeja levar para a pista a segunda parte das novidades apresentadas na rodada anterior.

Ajustes aerodinâmicos e problemas na unidade de potência do SF-26
A análise minuciosa dos dados coletados na corrida anterior apontou que nenhuma peça nova do modelo SF-26 apresentou defeito de fabricação. O problema central esteve no aproveitamento do potencial dos componentes. Os engenheiros Diego Tondi e Franck Sanchez desenharam soluções aerodinâmicas sob a supervisão de Loic Serra para compensar as deficiências do motor atual.
A unidade de potência de seis cilindros, batizada de 067/6, opera em temperaturas elevadas e apresenta desvantagem direta em relação aos concorrentes. O propulsor italiano rende entre 22 e 25 cavalos a menos de potência máxima quando comparado ao equipamento da Mercedes. O carro também enfrenta dificuldades crônicas no sistema de recuperação de energia elétrica ao longo das voltas rápidas.
Os técnicos decidiram utilizar um sistema de escape soprado combinado com uma asa reversa. O objetivo é diminuir o arrasto e garantir maior velocidade final nas retas longas do circuito canadense. O tamanho das massas radiantes ligadas à dissipação de calor foi reduzido para otimizar o fluxo de ar na carroceria. Os profissionais tentam evitar a repetição dos erros cometidos no projeto do modelo F14-T da temporada de 2014. Aquele campeonato terminou com desentendimentos internos sérios entre os construtores do chassi e os pilotos.
Características do traçado de Montreal alteram comportamento dos pneus
O circuito Gilles Villeneuve possui características de frenagem forte e aceleração rápida em trechos curtos. A preparação da escuderia nos simuladores indicou um comportamento excelente do carro nas curvas mais lentas. A tração do chassi nas saídas de curva continua como o ponto mais forte do projeto atual. O rendimento nas retas longas ainda depende diretamente do gerenciamento do sistema híbrido de potência.
Os pilotos sofreram para manter os pneus na temperatura ideal de funcionamento durante todo o fim de semana em Miami. O desgaste excessivo comprometeu o ritmo de corrida com os compostos de borracha dura. A configuração de suspensão e cambagem foi totalmente revista para a etapa de Montreal. O traçado canadense exige alta eficiência dos freios dianteiros e estabilidade nas zebras.
Formato sprint adiciona pressão extra sobre o trabalho das equipes
A organização do campeonato confirmou que o fim de semana em Montreal contará com a primeira corrida curta da temporada neste país. A novidade reduz o tempo disponível para os pilotos encontrarem o acerto ideal dos carros antes das sessões oficiais. Os competidores terão apenas um treino livre de 60 minutos para testar as configurações mecânicas e os novos pacotes aerodinâmicos.
A introdução das regras da ADUO permite pequenas modificações nos carros durante o fim de semana. A McLaren vai instalar os 40% restantes do pacote de atualizações iniciado na prova passada. A Mercedes promete levar componentes novos capazes de render até três décimos de segundo por volta.
As prioridades da escuderia italiana na América do Norte são claras:
- Validar os dados de fluxo de ar obtidos nos computadores da fábrica.
- Encontrar o equilíbrio térmico ideal para o motor térmico.
- Corrigir o mapeamento de descarga das baterias do sistema híbrido.
- Superar a McLaren na disputa direta pelo segundo lugar do mundial de construtores.
- Ajustar a calibragem dos freios para evitar o travamento de rodas nas chicanes.
O chefe da equipe, Fred Vasseur, defende que o desenvolvimento contínuo define o campeão, e não o desempenho na etapa de abertura. O dirigente confia no trabalho feito nos sistemas de simulação virtual para garantir uma boa base de partida na única sessão livre de sexta-feira.







