Espessa camada de algas e matéria orgânica verde encobre o Ribeirão São Jerônimo, afluente do Rio Tietê em Zacarias (SP), há vários dias. O material denso, com aspecto de lodo em tons de verde e azul, cobre boa parte da superfície do ribeirão e, em alguns pontos, bloqueia completamente a água. Objetos que caem sobre a massa não afundam, e o odor insuportável afastou moradores e pescadores da região desde que o problema se intensificou nos últimos meses.
Situação que piora desde janeiro
O funcionário público Mauro Gava e sua família abandonaram o rancho da propriedade devido ao cheiro e à aparência das águas. Segundo moradores, a crosta verde começou a aparecer em janeiro e se agravou progressivamente. O autônomo Valdecir Giusti, que possui rancho nas margens do ribeirão, relata que o fenômeno iniciou com pequenos pontos verdes que aumentaram gradativamente ao longo dos anos.
“A gente saía para pescar de barco. No passar dos anos, ia aumentando os pontos verdes na água. Quando chegava a época da seca, ia aumentando. Até chegar a este ponto”, descreve Valdecir à TV TEM. A crosta verde se acumula nas margens do ribeirão e possui aspecto similar ao de algas. Para tentar amenizar a situação, o morador remove parte do material manualmente.
Impacto direto na pesca e no turismo
O pescador Silécio José Francisco constata redução significativa na quantidade de peixes capturados nos últimos 3 anos. A água verde prejudica a pesca e impossibilita o uso recreativo. “Há três anos, era uma loucura o que a gente pegava de peixe. Agora não dá. Com essa água verde, tá muito ruim de pegar peixe. É triste ver a água assim. É uma água com a qual a gente já fez até comida”, relata Silécio à TV TEM.
Os principais efeitos documentados incluem:
- Água imprópria para banho e consumo
- Diminuição acentuada de peixes na região
- Odor insuportável que afasta moradores e turistas
- Impossibilidade de lazer aquático
- Deterioração da qualidade de vida de comunidades ribeirinhas
Características físicas e composição do material
A camada de matéria orgânica apresenta densidade suficiente para suportar o peso de objetos lançados sobre ela. O material ocupa grande extensão do leito do ribeirão e, conforme observado pela TV TEM em verificação de campo, a massa verde estende-se por vários trechos do afluente do Tietê. A coloração mistura verde e azul, e o aspecto assemelha-se a um lodo viscoso. O mau cheiro associado à crosta verde impede o acesso de moradores e turistas às margens do ribeirão, transformando uma área que antes era utilizada para pesca e recreação em zona imprópria para permanência.

