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Monique Medeiros começou a ser ouvida nesta terça-feira no 9º dia do julgamento pela morte do filho Henry Borel. A mãe da criança depôs no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Ela e o ex-namorado, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, respondem por homicídio qualificado.

O Ministério Público acusa Jairinho de ter causado as lesões que mataram o menino de 4 anos em fevereiro de 2021. Monique responde por omissão ao não proteger o filho. A ré admitiu que Henry relatou agressões enquanto morava com o então namorado.

Henry relatou rasteira e soco ao padrasto

O menino reclamou de ter levado uma “banda”, que significa rasteira, e uma “moca”, soco na cabeça. Ele ainda disse que Jairinho o chamava de mimado e bobalhão. Monique contou que questionou o ex-companheiro sobre o relato.

Jairinho negou a agressão mais grave. Ele afirmou ter apenas segurado a criança e dado uma moca. O ex-vereador pediu ainda que a mãe parasse de mimar o filho. Monique relatou o diálogo ao júri com detalhes.

  • Henry disse que Jairinho o chamou de mimado
  • A mãe questionou o namorado sobre as queixas
  • Jairinho negou parte das agressões e criticou a criação do menino
  • Monique manteve a convivência apesar do relato

A ré negou ter recebido qualquer aviso da babá Thayná Oliveira sobre violência contra Henry. Ela garantiu que, se soubesse de algo, não deixaria o filho perto de Jairinho.

Mensagens e vídeo com menino mancando

Monique chorou ao ler mensagens trocadas com a babá enquanto estava no salão de beleza. A funcionária enviou um vídeo em que Henry aparecia mancando e reclamando de dor de cabeça depois de ficar sozinho com Jairinho no quarto.

A mãe disse não ter percebido dificuldade para andar na criança. Ela pensou que o filho tinha caído e batido a cabeça. Monique afirmou que nunca imaginou que o namorado pudesse agredir Henry.

Jairinho negou novamente qualquer agressão quando ela chegou em casa. O menino contou à mãe que caiu da cama após ser empurrado. Monique acreditou na versão do companheiro.

Ela levou o filho ao hospital junto com Jairinho após queixa de dor no joelho. A médica que atendeu Henry disse que não havia nada de grave.

Ré afirma que Jairinho estava acima de suspeita

Monique declarou ao conselho de sentença que Henry vomitava quando contrariado. Ela procurou ajuda psicológica para o filho e perguntou à professora se algo acontecia na escola.

A ré buscou apoio dos pais e de pessoas próximas. Na época, ela não via nada contra Jairinho. “Para mim, ele era médico e vereador. Eu confiava no Jairo”, disse.

Ninguém notava sinais de problema. Tudo acontecia de forma escondida, segundo o depoimento. Monique reforçou que o ex-namorado não despertava suspeitas.

Momento da morte e ida ao hospital

No dia da morte, Jairinho acordou Monique dizendo que achava que Henry não respirava. Ela encontrou o menino descoberto, gelado e com olhar fixo.

Os dois colocaram a criança no carro e seguiram para o hospital. Monique fez respiração boca a boca durante o trajeto, mesmo sem treino. Aos médicos, repetiu a versão ouvida de Jairinho sobre um barulho.

Henry não apresentava marcas visíveis no corpo, apenas um arranhão no nariz por causa de sonda. A mãe precisou sair da sala durante o atendimento quando colocaram um tubo na criança.

Ela ligou para o pai de Henry, Leniel, e para outros familiares. As manobras de ressuscitação duraram mais de duas horas sem sucesso. Monique rezou junto com Leniel enquanto esperava notícias.

Investigação e primeiros momentos após a morte

Após a morte, Leniel cuidou dos procedimentos na delegacia. Monique disse não haver indícios de morte violenta no início. Um advogado orientou o ex-casal sobre o que falar.

O profissional recomendou não mencionar remédios e álcool. A ré relatou ter pensado em tirar a própria vida durante a espera pela liberação do corpo. Ela teve crise de choro.

Monique chorou ao lembrar da cerimônia de despedida. Ela não teve coragem de entrar no velório de imediato. “Esse foi o pior dia”, afirmou. A ficha da morte demorou a cair.

O depoimento de Monique continuou ao longo do dia. O júri ainda deve ouvir Jairinho. O julgamento prossegue no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro.

Contexto do caso que chega à fase dos réus

Henry Borel morreu em 8 de março de 2021. O corpo apresentava múltiplas lesões. Peritos apontaram que as agressões foram a causa da morte.

O processo tramita desde então. Monique e Jairinho estão presos preventivamente. O júri se tornou um dos mais longos da história do Tribunal do Júri fluminense.

Testemunhas já detalharam rotinas da casa, mensagens e laudos médicos. O interrogatório dos réus marca o momento em que as defesas apresentam suas versões diretamente aos jurados.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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