ONS aciona pela primeira vez plano emergencial para reduzir geração de usinas solares

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Painel solar, energia solar

Painel solar, energia solar - gyn9038/ Istockphoto.com

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vai acionar neste domingo (7) o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição. A medida ocorre pela primeira vez desde a aprovação do instrumento pela Aneel em novembro de 2025. O corte na geração está previsto para o período entre 10h e 14h e atinge principalmente pequenas usinas solares conectadas às redes de distribuição.

A decisão busca evitar desequilíbrios no sistema elétrico brasileiro. Com baixa demanda típica de domingo e forte produção fotovoltaica, o excesso de oferta poderia ativar proteções automáticas e comprometer a estabilidade da rede.

Plano emergencial entra em vigor após esgotadas outras medidas

O ONS monitorou o sistema com antecedência e concluiu que os cortes habituais em usinas sob sua coordenação direta não bastariam. Por isso, acionou as distribuidoras para atuarem nas usinas Tipo III. Essas unidades não contam com gestão centralizada pelo operador nacional.

  • Usinas solares de pequeno e médio porte lideram o corte programado
  • Pequenas centrais hidrelétricas, biomassa e eólicas menores também podem ser afetadas
  • Critérios priorizam empreendimentos com maior previsão de injeção de energia
  • Sistema de rodízio distribui o impacto para evitar prejuízos repetidos aos mesmos geradores
  • Medida vale para 12 estados, incluindo Mato Grosso do Sul

A combinação de fatores climáticos favoráveis à solar e atividade econômica reduzida no fim de semana ampliou o risco operacional. Equipamentos de proteção poderiam desligar trechos da rede de forma automática caso o excedente persistisse.

Distribuidoras de 12 estados participam da restrição

Além de Mato Grosso do Sul, a ação envolve distribuidoras em outros 11 estados. Entre elas estão CPFL Paulista, Cemig, Copel, Celesc, EDP Espírito Santo, Energisa MT/MS, Equatorial GO, Neoenergia Coelba, Neoenergia Elektro, Neoenergia Pernambuco e RGE. Juntas, concentram cerca de 80% da potência instalada das usinas Tipo III.

As concessionárias receberam orientações do ONS e definem os empreendimentos específicos que terão a geração reduzida. O objetivo é equilibrar a oferta sem interrupções no fornecimento para os consumidores.

O plano permite intervenções temporárias exatamente nesses momentos de descompasso entre produção e consumo. Técnicos das distribuidoras monitoram em tempo real os impactos da restrição.

Crescimento da energia solar expõe novo desafio ao sistema

A expansão acelerada da geração distribuída, especialmente solar, mudou o perfil do sistema elétrico brasileiro nos últimos anos. Muitas usinas menores injetam energia diretamente nas redes locais, sem controle direto do ONS. Em dias de alta irradiação e baixo consumo, o volume pode superar a capacidade de absorção.

Essa dinâmica já havia gerado alertas operacionais em ocasiões anteriores. Cortes em grandes usinas centralizadas ocorrem com frequência. Agora, o mecanismo emergencial estende a ação às unidades distribuídas.

Especialistas acompanham o teste desta primeira aplicação. Resultados devem subsidiar ajustes futuros no planejamento do setor. O ONS mantém monitoramento contínuo e pode ampliar ou reduzir a restrição conforme a evolução da demanda ao longo do dia.

Medida preserva estabilidade e evita desligamentos automáticos

O acionamento preventivo reduz o risco de que proteções da rede atuem de forma descontrolada. Interrupções não programadas poderiam afetar o suprimento em diferentes regiões. A estratégia coordenada mantém o equilíbrio entre oferta e demanda.

Distribuidoras já preparam relatórios sobre o volume efetivamente cortado. Esses dados vão alimentar análises posteriores sobre o funcionamento do plano. O instrumento aprovado pela Aneel prevê procedimentos claros para situações como esta.

Técnicos destacam que a medida tem caráter excepcional. Ela não altera contratos de longo prazo nem representa redução permanente na capacidade instalada. O foco permanece na confiabilidade do sistema como um todo.

Histórico do plano e próximos passos do ONS

A Aneel aprovou o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes em novembro de 2025 após proposta do ONS. O documento estabelece regras para atuação das distribuidoras quando todas as alternativas na rede básica se esgotarem.

Desde então, as concessionárias trabalharam na definição de critérios internos e cronogramas de resposta. Este domingo marca a estreia prática do mecanismo. O setor elétrico considera o evento um teste importante para refinar protocolos.

O ONS deve divulgar, nos próximos dias, um balanço preliminar da operação. Informações sobre volume de energia reduzida e impacto nas usinas envolvidas vão orientar futuras decisões. O monitoramento prossegue para garantir que o sistema opere dentro dos parâmetros de segurança.

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