Acordo EUA-Irã enfrenta resistência em Israel, que reafirma permanência militar em Líbano e SíriaPor Jeronimo Santos
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O recente acordo divulgado entre os Estados Unidos e o Irã, que visa encerrar os conflitos em diversas frentes no Oriente Médio e retomar a navegação no Estreito de Ormuz, gerou respostas contrastantes dos governos do Líbano e de Israel. Ambos os países foram mencionados nos termos, conforme declarado por autoridades iranianas e pelo ex-presidente americano Donald Trump. Enquanto o líder libanês, Joseph Aoun, expressou esperança de que o processo diplomático freie a agressão militar em sua nação, o governo israelense criticou abertamente os detalhes finais negociados, indicando que suas Forças Armadas não recuarão do Líbano ou de outros territórios ocupados desde o ataque terrorista do Hamas, ocorrido em 7 de outubro de 2023.
Pacto entre americanos e iranianos busca pacificar o oriente médio
Detalhes finais do acordo incluem taxas de trânsito em Ormuz
Nesta segunda-feira, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que as tropas militares de seu país continuarão por tempo indeterminado em uma “faixa de segurança” no Líbano, na Síria e também em Gaza. Em um pronunciamento emitido pela manhã, o ministro enfatizou que toda a “estrutura terrorista” será erradicada para “salvaguardar as fronteiras de Israel”, e ainda proferiu ameaças de novas ações ofensivas contra os iranianos.
Questão libanesa permanece central nos debates
“Caso o Irã ataque Israel em decorrência dos eventos no Líbano, responderemos com força total, demonstrando claramente a enorme diferença de poder”, adicionou Katz em seu comunicado oficial.
A postura adotada pela liderança israelense contrasta diretamente com a dos líderes libaneses, que não estiveram envolvidos nos confrontos diretos entre Israel e o Hezbollah — grupo apoiado pelo Irã e classificado como terrorista pelo Estado judeu. Em um comunicado, Aoun elogiou a menção no memorando de que “a segurança do Líbano é peça fundamental em qualquer tentativa de consolidar a estabilidade na região”.
“O povo libanês espera com grande expectativa que esses entendimentos se materializem em ações concretas que ponham fim definitivo ao ciclo de violência e abram caminho para uma fase de estabilidade, segurança, recuperação e reconstrução”, pontuou o presidente em sua nota.
As posturas revelam, mais uma vez, a profunda diferença de visão entre os aliados em Washington e Tel Aviv sobre a estabilidade na área. Relatos de fontes americanas e israelenses reiteram que, para os Estados Unidos, incluindo o então presidente Donald Trump, o foco principal era o fim dos confrontos e a reativação do Estreito de Ormuz, um ponto crucial para o transporte global de petróleo, após um conflito que, segundo observadores, teve origem em Israel. Já a liderança israelense enxerga os conflitos como uma questão de sobrevivência nacional, encarando as operações militares como ferramentas essenciais para neutralizar o que classifica como ameaças à segurança do país.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não se manifestou publicamente após a divulgação do acordo, contudo, há indícios de insatisfação. Uma fonte israelense, que falou à rede americana CNN sob condição de anonimato, revelou que o premier responsabiliza o genro de Trump, Jared Kushner, e o negociador Steve Witkoff – encarregados do diálogo indireto com o Irã – por terem gerado um impasse entre ele e Trump. Segundo o relato, Netanyahu crê que ambos teriam sido influenciados pelo Catar, cuja liderança mantém contato com Teerã e também deseja o fim das hostilidades militares na região.
A ala mais conservadora do governo Netanyahu reagiu com veemência ao anúncio do pacto entre americanos e iranianos. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, criticou o acordo de paz, classificando-o como prejudicial para Israel e “para todo o mundo livre”, e garantiu que as “conquistas” militares no enfraquecimento do Irã “não serão perdidas”.
“Será necessário prosseguir com a campanha para derrubar o regime de forma autônoma e com métodos inovadores, assegurando que o Irã nunca possua armas nucleares”, escreveu o ministro em uma publicação na plataforma X.
O ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir — figura que já foi alvo de sanções por parte do Reino Unido e de países da União Europeia devido a posicionamentos extremistas — afirmou que o acordo dos EUA “não impõe qualquer vínculo” a Israel, e que o governo israelense não é “parte” do que foi negociado. Ele também defendeu o “desmantelamento completo do Hezbollah”.
“Qualquer lançamento de drone, Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT) ou míssil em direção a Israel a partir do Líbano resultará em um ataque israelense em Dahiya”, declarou Ben Gvir nesta segunda-feira, referindo-se a um subúrbio no sul de Beirute.
A ofensiva israelense contra o Líbano, retomada por Israel em 2 de março em resposta a ataques do Hezbollah, causou a morte de aproximadamente 3,7 mil pessoas, conforme dados do Ministério da Saúde libanês. Além disso, a ação militar provocou um êxodo em massa de civis do sul do país para regiões mais seguras. Os bombardeios também devastaram a infraestrutura civil e despertaram preocupações sobre a destruição do patrimônio histórico libanês em cidades como Tiro.
Em um alerta divulgado nesta segunda-feira, o Exército do Líbano recomendou que os residentes de áreas onde Israel havia emitido ordens de retirada ajam com extrema cautela ao retornar às suas residências, em meio a receios de novos ataques israelenses.







