Um dos nomes mais marcantes da última Copa do Mundo está novamente confirmado para a edição de 2026, porém com uma reviravolta inesperada. O treinador Hervé Renard, que havia sido desligado da seleção da Arábia Saudita a apenas 55 dias do início do Mundial de 2022, foi oficialmente anunciado pela Tunísia durante a própria competição, após a federação africana dispensar Sabri Lamouchi devido a uma derrota na estreia.
Hervé Renard assumiu o comando da seleção saudita em 2019, interrompendo sua passagem apenas para liderar a equipe feminina da França durante a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Em seu retorno, ele esteve à frente da Arábia Saudita no Mundial de 2022, alcançando uma vitória surpreendente sobre a Argentina logo na primeira rodada, mas acabou eliminado ainda na fase de grupos.
Histórico de Hervé Renard no comando da Arábia Saudita
Em sua trajetória pela Arábia Saudita, Renard participou de 77 confrontos, registrando um total de 34 vitórias, 17 empates e 26 derrotas. Esse desempenho resultou em um aproveitamento de 51,5% durante o período em que esteve à frente da seleção árabe, consolidando uma fase marcada por momentos de destaque e oscilações.
Para ocupar a vaga deixada por Renard, a federação da Arábia Saudita optou pelo técnico grego Georgios Donis. A equipe saudita está posicionada no Grupo H da próxima Copa do Mundo, onde enfrentará as seleções da Espanha, Uruguai e Cabo Verde.
A carreira multifacetada de Hervé Renard
Hervé, cuja figura é pouco reconhecida no cenário futebolístico francês, teve uma origem humilde em Aix-les-Bains, uma cidade com cerca de 30 mil habitantes. Como ex-zagueiro, ele não obteve grande projeção nos três clubes por onde passou, sendo o Cannes o mais notável deles.
Nas categorias de base do Cannes, Renard teve a oportunidade de colaborar com Arsène Wenger, que se tornaria um técnico icônico do Arsenal por 22 anos. Foi nesse período que ele também testemunhou o surgimento de um dos maiores futebolistas franceses de todos os tempos, o ex-meia Zinedine Zidane.
Sem êxito como jogador, Renard passou alguns anos distante dos gramados após pendurar as chuteiras. Ele chegou a ser proprietário de uma empresa de coleta de lixo na França antes de receber um convite para atuar como auxiliar técnico em Gana, marcando seu retorno ao esporte.
Como treinador, os primeiros passos de sua carreira foram marcados por passagens em diversos clubes da França, Inglaterra, Vietnã e Argélia, construindo uma experiência internacional variada.
Sucesso na Copa Africana e o apelido de “Mago Branco”
O primeiro grande sucesso do técnico francês ocorreu à frente da seleção de Zâmbia, onde conquistou o inédito título da Copa Africana das Nações. Essa vitória representou a primeira taça da história do país na competição mais tradicional do continente, superando na final a tradicional Costa do Marfim, que contava com o craque Didier Drogba. Este triunfo, um divisor de águas, estabeleceu sua reputação no futebol africano, contrastando com sua trajetória anterior.
Após o título na África, o treinador recebeu uma nova oportunidade na França, desta vez no comando do Sochaux. Contudo, o trabalho não foi bem-sucedido, e Renard sofreu o rebaixamento com o clube para a segunda divisão francesa, culminando em sua demissão.
A reviravolta positiva veio novamente no continente africano. Comandando a seleção da Costa do Marfim, Renard foi bicampeão da Copa Africana das Nações em 2015. Esse feito lhe rendeu o apelido de “Mago Branco”, uma referência à sua característica de vestir camisas brancas e calças azuis durante os jogos.
A atenção dedicada ao seu estilo pessoal também levou Hervé Renard a ser visto como um “galã”. Durante a última Copa do Mundo, o técnico atraiu olhares pela sua notável semelhança com o ator Nikolaj Coster Waldau, amplamente conhecido por interpretar o personagem Jaime Lannister na aclamada série Game of Thrones.
Desafios em clubes europeus e retorno à África
O bicampeonato da Copa Africana proporcionou a Renard um convite para treinar o Lille por um período de três temporadas. No entanto, sua passagem durou apenas cinco meses e 13 partidas. Com apenas duas vitórias, sete gols marcados e a modesta 16ª posição entre 20 participantes no Campeonato Francês, o técnico foi demitido em pouco tempo.
A demissão de Renard pelo Lille marcou a primeira vez em quase duas décadas que o clube dispensava um treinador com um campeonato em andamento. O desempenho insatisfatório praticamente fechou as portas do futebol francês para o técnico, reforçando um padrão de sucesso contrastante entre clubes europeus e seleções africanas.
De volta ao continente africano, Renard não conseguiu repetir a conquista da Copa Africana, mas foi o responsável por comandar Marrocos na Copa do Mundo da Rússia. Eliminados na primeira fase, os marroquinos foram superados por Irã e Portugal, conseguindo apenas um empate com a Espanha na despedida do Mundial.

