Neymar fecha com o Barcelona em 2013, dispensa proposta do Real Madrid e conquista oito títulos na Espanha

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Neymar Foto: Neymar - Foto: Instagram

O atacante brasileiro Neymar oficializou a sua ida para o Barcelona em 24 de maio de 2013, aos 21 anos, depois de recusar uma oferta do Real Madrid que pagava € 100 milhões a mais do que o valor proposto pela equipe da Catalunha. Na época em que defendia o Santos, o atleta recebeu contatos formais das duas maiores agremiações do futebol espanhol, mas baseou a sua definição no projeto esportivo e na vontade pessoal de dividir o gramado com o argentino Lionel Messi. A mudança de país alterou diretamente a disputa de forças entre os rivais da Espanha e redefiniu o mercado internacional de transferências daquele período.

Antes de bater o martelo com os dirigentes catalães, o camisa 11 chegou a passar por baterias de exames médicos organizadas pelo Real Madrid, mas desistiu do acordo nos instantes finais da conversa. O recuo repentino surpreendeu os executivos do mercado europeu e abriu caminho para o anúncio oficial da saída do futebol brasileiro rumo ao Camp Nou. Ao priorizar o modelo de jogo do Barcelona em vez do montante financeiro superior oferecido pelo clube da capital espanhola, o jovem atacante iniciou um ciclo que acumularia troféus continentais nos anos seguintes.

As tratativas financeiras que viabilizaram o desembarque do atleta na Espanha rapidamente se tornaram alvo de disputas fora das quatro linhas. Na apresentação oficial do negócio, a diretoria do Barcelona informou publicamente que a operação havia custado € 57,1 milhões aos cofres da instituição. Apurações conduzidas posteriormente pelas autoridades espanholas demonstraram, no entanto, que a quantia real desembolsada na transação passava da marca de € 86 milhões. Dentro desse total revisto, constava o pagamento de € 40 milhões direcionado às empresas administradas pelos pais do atacante, detalhe contratual que desencadeou questionamentos na Justiça sobre a contabilidade da transferência.

Admiração pelo estilo catalão e destaque na Copa das Confederações

A preferência do jogador revelado pelo Santos pelo uniforme do Barcelona tinha raízes antigas e ligadas à maneira como a equipe atuava em campo. Desde as categorias de base no futebol brasileiro, o atacante acompanhava o sistema tático de posse de bola e vocação ofensiva executado por atletas como Lionel Messi, Andrés Iniesta e Xavi Hernández. Esse padrão técnico serviu como fator de convencimento para que o atleta descartasse os números mais altos apresentados pelo Real Madrid durante o período de negociações.

Além do desejo de atuar ao lado de Messi, o calendário esportivo de seleções ajudou a elevar a cotação do brasileiro antes da estreia no continente europeu. A disputa da Copa das Confederações de 2013, torneio realizado logo no período anterior à mudança definitiva para a Espanha, serviu de vitrine internacional para o jogador de 21 anos. O desempenho na competição confirmou o status de promessa mundial do atacante e tratou a assinatura com o clube catalão como um movimento planejado para alcançar o topo do esporte profissional.

Parceria com Lionel Messi e Luis Suárez rendeu 364 gols

O início da trajetória de Neymar na Catalunha abriu espaço para a montagem de uma das linhas de frente mais produtivas do continente europeu. Ao lado do argentino Lionel Messi e do uruguaio Luis Suárez, o brasileiro compôs o ataque que ficou registrado pela sigla MSN, reconhecido pelo entrosamento técnico e pela alta média de bolas na rede. No intervalo compreendido entre 2014 e 2017, os três jogadores somaram 364 gols em partidas válidas por torneios oficiais, garantindo para a galeria do clube uma Liga dos Campeões da UEFA em 2015, duas edições do Campeonato Espanhol e três taças da Copa do Rei.

O ponto mais alto dessa formação ofensiva ocorreu ao longo do calendário de 2014-2015, quando a equipe comandada dentro de campo pelo trio de sul-americanos assegurou a conquista da tríplice coroa, resultado que reúne os três principais campeonatos da temporada europeia. Na partida decisiva da Liga dos Campeões da UEFA daquele ano, disputada diante da Juventus, o atacante brasileiro balançou a rede uma vez e confirmou o placar que deu o título continental ao Barcelona. O desempenho acumulado naquela campanha colocou o setor ofensivo catalão entre os mais eficientes da história da modalidade.

Números acumulados e troféus levantados pelo camisa 11 na Espanha

O balanço estatístico das quatro temporadas em que o atacante vestiu a camisa do Barcelona comprova a participação direta do brasileiro nos resultados obtidos pela instituição entre os anos de 2013 e 2017. Durante esse período na Espanha, Neymar entrou em campo em 186 compromissos oficiais, nos quais anotou 105 gols e distribuiu 76 passes diretos para gols de seus companheiros de equipe. O primeiro gol marcado pelo brasileiro com a camisa catalã saiu logo na partida de estreia pelo clube, em duelo disputado contra o Atlético de Madrid.

A passagem pelo futebol espanhol rendeu ao jogador uma lista de oito conquistas coletivas divididas entre torneios nacionais, continentais e intercontinentais:

  • 1 Liga dos Campeões da UEFA
  • 2 títulos do Campeonato Espanhol
  • 3 taças da Copa do Rei
  • 1 Supercopa da Espanha
  • 1 Mundial de Clubes da FIFA

Resposta do Real Madrid no mercado e contratação de Gareth Bale

A negativa recebida pelo Real Madrid na tentativa de tirar o brasileiro do Santos obrigou a cúpula do clube da capital a alterar o planejamento esportivo para a temporada seguinte. Poucos meses depois de ver o alvo assinar com o rival da Catalunha, a diretoria madridista desembolsou € 101 milhões para fechar a chegada do atacante galês Gareth Bale, operação que bateu o recorde de transferência mais cara da história do futebol mundial até então. Embora Bale tenha participado ativamente da campanha de quatro títulos da Liga dos Campeões conquistados pelo Real Madrid nos anos seguintes, a recusa de Neymar impediu que a equipe montasse uma linha ofensiva formada por Cristiano Ronaldo, Karim Benzema e o próprio atacante brasileiro.

Nos escritórios comandados pelo presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, o desfecho favorável ao Barcelona foi tratado como um revés estratégico na disputa direta por atletas de ponta. O episódio acirrou a histórica concorrência administrativa e esportiva entre as duas principais potências do campeonato nacional, consolidando a capacidade do clube catalão de vencer a concorrência financeira pelo principal nome da nova geração brasileira naquela janela de transferências.

Investigações do Ministério Público e saída de Sandro Rosell

Os desdobramentos jurídicos do contrato assinado em maio de 2013 chegaram aos tribunais espanhóis já no ano seguinte à chegada do atleta. Em 2014, o Ministério Público de Madrid abriu um procedimento formal de investigação com o objetivo de auditar o custo verdadeiro da operação financeira, movimento que provocou a renúncia de Sandro Rosell ao cargo de presidente do Barcelona. A análise da documentação apreendida mostrou que o negócio havia sido estruturado por meio de múltiplos contratos paralelos e repasses não declarados na versão inicial, fazendo o gasto total superar os € 86 milhões.

O rastreamento do dinheiro confirmou que uma fatia relevante desse montante havia sido transferida diretamente para empresas vinculadas aos familiares de Neymar, gerando questionamentos formais sobre a legalidade tributária das assinaturas. As denúncias apresentadas por fraude fiscal e falhas na administração financeira do clube levaram tanto o jogador quanto os dirigentes responsáveis pelo acordo ao banco dos réus em processos na Justiça espanhola. Mesmo diante do desgaste provocado pelas audiências judiciais, o atacante manteve a titularidade em campo durante toda a sua permanência no Camp Nou.

Rescisão recorde de € 222 milhões com o Paris Saint-Germain

O ciclo de quatro anos do brasileiro no futebol espanhol chegou ao fim em 2017, quando o atacante voltou a protagonizar uma movimentação sem precedentes financeiros no esporte. Naquela janela de mercado, o Paris Saint-Germain (PSG), da França, depositou o valor integral da cláusula de rescisão contratual fixada em € 222 milhões, estabelecendo a transferência mais cara de todos os tempos no futebol mundial. A mudança para a capital francesa tinha como meta colocar o jogador na condição de protagonista isolado de um projeto europeu, embora a trajetória no novo clube tenha convivido com uma sequência de lesões físicas e rumores recorrentes sobre uma possível volta ao campeonato espanhol.

A escolha feita pelo atleta aos 21 anos, quando abriu mão da oferta superior do Real Madrid após ter realizado exames médicos pela equipe da capital para priorizar a parceria com Lionel Messi na Catalunha, permanece registrada como um dos movimentos de mercado mais determinantes da década de 2010. O período iniciado em 24 de maio de 2013 reconfigurou o patamar de valores pagos por clubes europeus e deixou marcas tanto nas estatísticas da Liga dos Campeões da UEFA quanto na legislação fiscal aplicada às transferências internacionais de atletas.

Manuela é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2015

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