Meloni desmente afirmação de Trump sobre foto e critica postura do ex-presidente americano com aliados

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Trump - Rawpixel.com/ Shutterstock.com

A líder italiana, Giorgia Meloni, contestou veementemente nesta sexta-feira (19) as alegações de Donald Trump, que afirmou em uma entrevista à televisão italiana que ela teria “implorado” para posar para uma fotografia com ele durante a cúpula do G7.

Em sua participação na TV La7, após questionar o repórter sobre a primeira-ministra do país, Trump declarou: “Ela me suplicou por uma foto. Ela realmente desejava uma foto comigo. Eu não faria isso, mas senti pena dela”.

Meloni expressou “surpresa” diante dos comentários, assegurando que as afirmações são “inteiramente fabricadas”. A premiê ainda criticou o ex-presidente americano por demonstrar mais respeito a adversários do Ocidente do que a nações aliadas.

“As declarações de Donald Trump são totalmente inverídicas. Sinto-me, francamente, surpresa. Desconheço a razão pela qual o ex-presidente dos Estados Unidos adota tal comportamento com seus parceiros: ademais, esta não é a primeira ocorrência. Posso apenas afirmar que é frustrante ele não exibir a mesma firmeza com os adversários do Ocidente e dos Estados Unidos, cujos líderes são tratados com muito mais complacência. Existe algo que ele precisa recordar: nem eu, nem a Itália, jamais pedimos esmolas”, declarou.

Imagens da cúpula do G7, realizada na França, registraram Meloni e Trump em um diálogo intenso, sentados lado a lado em um pequeno assento. O antigo mandatário americano insinuou ter feito um favor ao interagir com ela.

Impacto das declarações de Trump na diplomacia italiana

Em resposta aos comentários, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, cancelou uma viagem aos Estados Unidos que estava prevista para a semana seguinte.

“As expressões sérias e desrespeitosas do ex-presidente Trump dirigidas à primeira-ministra Giorgia Meloni insultam toda a nação italiana”, publicou o ministro na plataforma X.

Giovanbattista Fazzolari, subsecretário do gabinete da premiê e um dos seus colaboradores políticos mais próximos, também emitiu um comunicado. Ele criticou o comportamento de Trump, afirmando que, “com suas explosões inoportunas”, o ex-presidente “tornou os Estados Unidos impopulares por toda a Europa, prejudicando não só o continente, mas principalmente os próprios Estados Unidos”.

Os atritos anteriores entre Giorgia Meloni e Donald Trump

No mês de abril, Donald Trump e Giorgia Meloni, anteriormente considerados aliados próximos, começaram a trocar farpas publicamente.

Meloni repreendeu Trump depois que o ex-presidente americano qualificou o papa Leão XIV de “fraco” por sua posição contra o conflito no Irã. “Considero inaceitáveis as palavras do ex-presidente Trump em relação ao Santo Padre. O papa é a principal figura da Igreja Católica, e é justo e esperado que ele promova a paz e condene todas as manifestações de guerra”, declarou.

A reação de Trump surgiu no dia seguinte. Em conversa com o jornal italiano Corriere della Sera, ele se declarou “chocado” com a atitude da governante italiana e expressou a crença de que ela carecia de coragem.

“Ela já não é a mesma pessoa, e a Itália jamais voltará a ser o mesmo país.”

Contudo, apesar do incidente envolvendo o Papa Leão XIV, a divergência entre Trump e Meloni já havia se iniciado meses antes.

Especialistas consultados pelo The New York Times sugerem que a premiê capitalizou a ocasião para demonstrar ao eleitorado italiano um distanciamento do ex-presidente norte-americano. Este movimento é estratégico em um contexto onde líderes nacionalistas europeus, como Meloni, buscam moderar sua imagem e consolidar apoio em um cenário político pós-Trump, onde a aliança com figuras polarizadoras pode ter custos eleitorais. Esse afastamento ocorre em meio a pesquisas que apontam um crescimento da impopularidade de ambos os políticos entre os votantes na Itália.

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