Abelardo de la Espriella, com propostas linha-dura, obtém vitória preliminar na corrida presidencial colombiana

Abelardo de la Espriella - X

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Abelardo de la Espriella, um advogado de 47 anos e empresário sem vivência política prévia, sagrou-se vencedor na apuração preliminar para a presidência da Colômbia neste domingo (21). O candidato, identificado com a extrema-direita, superou o senador Iván Cepeda, de orientação esquerdista, por uma margem inferior a 250 mil votos.

Em uma gravação divulgada, de la Espriella celebrou sua vitória vestido com a camisa da seleção colombiana, destacando a necessidade de acordos com os Estados Unidos para combater o crime organizado. “Hoje, a Colômbia venceu o seu jogo mais importante”, declarou o político.

A contagem oficial e definitiva dos sufrágios está prevista para ter início nesta segunda-feira (22). Se a vitória de Espriella for confirmada, sua posse como presidente está agendada para 7 de agosto.

Perfil do candidato vitorioso na Colômbia

Conhecido pelo apelido de “El Tigre”, Espriella nasceu em Bogotá no ano de 1978. Ele é casado com Ana Lucía Pineda Aruachan e pai de quatro filhos. Além de sua carreira profissional, Abelardo também é cantor do vallenato, um gênero musical folclórico tradicional da região.

O empresário cativou o eleitorado apresentando-se como um “salvador anti-establishment” e reiterou promessas de campanha alinhadas com figuras da extrema-direita na América Latina. Sua ascensão no primeiro turno foi impulsionada por propostas rigorosas de combate ao crime organizado, cortes em programas governamentais e impostos, além de uma revitalização na exploração de petróleo.

Espriella é o fundador da De La Espriella Lawyers Enterprise, um reconhecido escritório de advocacia empresarial no país. Sua atuação vai além do direito, com um vasto império empresarial que abrange setores como vinhos, rum, vestuário e imóveis.

O advogado já enfrentou críticas por sua representação legal de Alex Saab, que é acusado nos EUA de lavagem de dinheiro para Nicolás Maduro, ex-presidente venezuelano. Ele também defendeu indivíduos envolvidos em escândalos de corrupção, desvio de recursos e paramilitares de direita, mas assegura que suas relações profissionais como advogado não implicam qualquer cumplicidade ou delito.

A vitória do direitista de la Espriella sinaliza uma mudança significativa no cenário político colombiano, após o governo de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda na história do país. Abelardo é membro do Movimento de Salvação Nacional (MSN), um partido político colombiano de extrema-direita fundado em 1990 por Álvaro Gómez Hurtado, que foi assassinado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) em 1995.

Espriella também possui cidadania naturalizada da Itália e dos Estados Unidos, tendo morado em Miami e sendo filiado ao Partido Republicano, o mesmo de Donald Trump.

Manifestando admiração pelas políticas de Trump e do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o candidato ultradireitista prometeu uma forte ofensiva militar e a construção de dez megaprisões no país.

“No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, declarou Espriella durante sua campanha eleitoral.

O discurso do candidato da direita encontrou grande ressonância entre os eleitores no primeiro turno. Pesquisas de opinião têm indicado que a violência é o principal motivo de preocupação entre os colombianos, superando a economia – que foi fragilizada pela pandemia e pelo aumento do déficit fiscal, mesmo com o governo atual elevando o salário mínimo nominal em 75% e reduzindo o desemprego.

Espriella atribui a Gustavo Petro, o atual presidente da Colômbia, os problemas econômicos e de segurança do país. Ele prometeu reduzir o tamanho do Estado em 40%, expandir a base tributária e cortar impostos corporativos para estimular o emprego no setor privado.

Um dos símbolos adotados pelo empresário durante a campanha foi a camisa da seleção colombiana, que se consolidou também como um emblema da direita no país. Muitos de seus apoiadores compareceram às urnas no primeiro turno vestindo camisas com os nomes de jogadores como James Rodríguez e Luis Díaz.

Mesmo não tendo formação militar, Espriella, ao finalizar suas intervenções, frequentemente leva a mão direita à testa, abaixa-a rapidamente e exclama: “Firme pela pátria!”. Esse gesto e slogan inspiraram seus apoiadores a prestar continência como forma de saudação.

Em relação ao seu apelido, “El Tigre”, o site oficial do político informa que a alcunha surgiu de uma declaração do ex-presidente Álvaro Uribe, que governou entre 2002 e 2010. O líder da direita colombiana, que apoia o ultradireitista após a derrota de seu próprio partido no primeiro turno, afirmou em 2024 que a Colômbia necessitava de “um tigre” ou “uma tigresa” na Presidência.

Espriella incorporou a imagem do felino, à semelhança do que fizeram presidentes como o argentino Javier Milei, com o leão, e o americano Donald Trump, com a águia-careca.

Uribe utilizou as redes sociais para comemorar o resultado preliminar. “Estamos seguros de que o doutor De la Espriella fará um governo de recuperação democrática, útil para todos os colombianos”, publicou em sua conta.

Javier Milei também celebrou mais uma vitória da direita na América Latina. “A liberdade avança em toda a América Latina e já não há volta atrás”, postou o presidente argentino em uma de suas redes sociais.

O presidente do Equador e aliado de Trump, Daniel Noboa, também felicitou o empresário. Espriella ainda declarou ter recebido cumprimentos do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Próximos passos para a confirmação eleitoral

Nas plataformas digitais, o presidente Gustavo Petro declarou na noite de domingo que nenhum resultado deve ser considerado oficial antes da conclusão do escrutínio.

Na Colômbia, o processo de apuração eleitoral é dividido em duas etapas. A fase inicial, conhecida como “preconteo”, é uma contagem preliminar feita a partir das atas dos locais de votação, utilizada para projetar o resultado. Contudo, conforme a legislação do país, o resultado oficial só é proclamado após o “escrutínio”, quando juízes e outras autoridades revisam as atas para corrigir possíveis inconsistências.

A disputa eleitoral se transformou em um embate político entre o atual presidente do país, Gustavo Petro, e o ex-presidente dos EUA, Donald Trump. Enquanto Cepeda era o candidato apoiado por Petro, o ultradireitista Espriella recebeu apoio declarado do líder norte-americano.

“Não se pode proclamar nenhum presidente. É o escrutínio que determina quem é o presidente. Obedeço aos juízes. Tranquilidade aos cidadãos, por favor. A realidade nos mostra um país partido ao meio, e ingerência estrangeira nos tira a liberdade. Impõe-se um acordo nacional se queremos manter a pátria e a paz nos anos que estão por vir”, escreveu Petro.

Iván Cepeda havia liderado as pesquisas de intenção de voto antes do primeiro turno. Por essa razão, a vitória de Espriella na primeira rodada surpreendeu a muitos, a ponto de Petro contestar inicialmente o resultado, que foi posteriormente reconhecido pelo próprio Cepeda. No primeiro turno, Cepeda obteve 41% dos votos, enquanto de la Espriella conquistou 44%, segundo os resultados oficiais.

O desfecho desta eleição poderá consolidar a tendência de governos de direita na América Latina. A ascensão de Espriella se alinha a um grupo de países latino-americanos que elegeram líderes direitistas nos últimos anos, como o Chile, com José Antonio Kast.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) informou que a votação ocorreu de maneira tranquila e sem maiores incidentes, contando com a presença de observadores internacionais, incluindo representantes da OEA e da União Europeia.

O Tribunal Eleitoral da Colômbia fez um apelo neste domingo para que todas as partes respeitem o resultado final.

Expansão da direita na política latino-americana

A vitória de Abelardo de la Espriella reforça uma onda política que tem levado outros líderes de direita ao poder na América Latina, marcando seu maior avanço até o momento, isolando governos de esquerda na região e redefinindo as alianças geopolíticas do continente.

Este resultado apoia um movimento que inclui, entre seus principais expoentes, Nayib Bukele, em El Salvador; Javier Milei, na Argentina; e José Antonio Kast, no Chile.

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