Toyota avança com híbridos e ameaça liderança de 95 anos da General Motors no mercado americano de veículos

    Categories: Automobilismo
Toyota RAV4 PHEV

Toyota RAV4 PHEV - Divulgação/Toyota

A General Motors se depara com um cenário desafiador: a Toyota demonstra uma chance real de reconquistar a posição de líder em vendas nos Estados Unidos. O crescimento da montadora japonesa é impulsionado significativamente pela alta demanda por seus veículos que combinam motores a gasolina e eletricidade.

As projeções da empresa de pesquisa Cox Automotive indicam que a Toyota pode ver sua participação de mercado crescer para 15,8% no primeiro semestre deste ano. Em contrapartida, a fatia da GM pode registrar uma queda de quase um ponto percentual, atingindo 16,8%. Se os consumidores mantiverem a preferência por carros com maior eficiência de combustível, a Toyota poderá se tornar a maior vendedora de automóveis nos EUA ainda em 2024.

Para Charlie Chesbrough, economista sênior da Cox, a “Toyota tem uma possibilidade” de alcançar essa marca. Ele ressalta que, embora ainda não seja a previsão oficial, a tendência é viável, pois “os consumidores estão interessados em híbridos, e a GM não consegue competir.”

Chesbrough, contudo, acredita que a General Motors não ficará passiva. “Eles vão usar incentivos para tentar manter a liderança”, declarou o especialista.

Uma eventual superação da Toyota sobre a General Motors em seu próprio território representaria uma mudança de proporções históricas. A GM detém a liderança de mercado desde 1931, quando ultrapassou a Ford Motor Company, tendo perdido a posição apenas uma única vez, em 2021, devido a uma crise atípica de semicondutores global.

A potencial inversão de posições também evidenciaria as consequências da arriscada aposta da CEO Mary Barra em veículos totalmente elétricos, em detrimento dos modelos híbridos, dado que a maioria dos consumidores americanos tem demonstrado resistência à transição completa para o elétrico.

O porta-voz da GM, Jim Cain, refutou a ideia de que a montadora intensificaria incentivos para manter a dianteira sobre a Toyota. A companhia defende que tem evitado grandes descontos como parte de sua estratégia para maximizar lucro e fluxo de caixa, mantendo os incentivos abaixo da média do setor nos últimos três anos.

“Nosso histórico fala por si em termos de disciplina em produção, preços e incentivos”, assegurou Cain.

Um representante da Toyota não se manifestou imediatamente sobre a possibilidade de a empresa assumir a liderança de vendas nos Estados Unidos.

A crescente força dos veículos híbridos no mercado

Até o mês de maio, as vendas de veículos eletrificados da Toyota — que abrangem modelos elétricos a bateria, mas são predominantemente híbridos — registraram um crescimento de 5,6%, enquanto o mercado geral deve apresentar retração neste ano.

Em contraste, o setor de picapes grandes e SUVs, onde a GM e a Ford têm forte presença, tem observado queda nas vendas, especialmente após a guerra com o Irã impulsionar o preço médio da gasolina para quase US$ 4 por galão.

A Toyota deu início, nesta semana, à fabricação da nova versão do RAV4, seu modelo mais vendido, que agora será comercializado exclusivamente como híbrido. A produção ocorre na fábrica da montadora em Lexington, no Kentucky.

Para atender à alta demanda pelo SUV compacto, a empresa japonesa planeja elevar a produção nos EUA em 100 mil veículos este ano, complementando as importações do Canadá e do Japão, conforme informou Kerry Creech, presidente da Toyota Motor Manufacturing Kentucky.

“Nossa aceleração será bem rápida”, garantiu Creech, acrescentando que a produção estará “totalmente escalada em 30 dias” após a aplicação dos conhecimentos adquiridos na fabricação anterior do RAV4 na operação canadense.

A Toyota disponibiliza versões híbridas em mais de 20 modelos nos EUA, enquanto a GM tem apenas o Corvette eletrificado. A Ford, por sua vez, oferece híbridos somente em variantes da Maverick, da F-150 e do SUV Lincoln Nautilus.

“A Toyota manteve a ideia de que você precisa de um portfólio amplo”, pontuou Chesbrough. “Eles têm carros médios, compactos. As Três de Detroit estão focadas em veículos mais específicos.”

A General Motors realizou sua grande aposta em veículos elétricos em um período de forte ascensão das vendas e ações da Tesla, e de endurecimento das regulamentações de emissões em nível global. Para a GM, os híbridos eram vistos como uma solução intermediária de alto custo, levando Barra a focar mais intensamente nos modelos totalmente elétricos.

“Para os elétricos, isso agradava Wall Street”, disse Stephanie Valdez Streaty, diretora de insights da indústria na Cox. “A ideia era alcançar uma valorização como a da Tesla.”

A Ford também enfrenta o risco de perder a terceira posição para a Hyundai Motor Company, da Coreia do Sul, que oferece diversos modelos híbridos. A Cox projeta que a participação de mercado da Ford cairá para 12,6% no primeiro semestre de 2026, enquanto a Hyundai deve subir para cerca de 11,7%.

Veja Também